Sociedade

VIOLÊNCIA POLICIAL

Em Salvador: população protesta contra assassinato de dois jovens pela polícia

A manifestação, na manhã desta quarta, 03, foi realizada por moradores da região, que afirmam que a PM invadiu o local onde estavam os dois jovens, e os levaram dentro da viatura sem qualquer alegação. Apesar das justificativas cínicas de autos de resistência por parte da PM, os relatos dos moradores apontam que os jovens foram assassinados pela polícia e levados já mortos ao hospital.

quinta-feira 4 de junho| Edição do dia

A PM tenta emplacar sua versão de troca de tiros e confrontos que levaram à morte desses dois jovens. Mas a revolta dos moradores do bairro da Paz apontam uma versão muito distinta. Segundo o relato de um morador que não quis se identificar ao G1: “Não houve confronto nenhum. Eles agiram de forma covarde. Pegaram os meninos e levaram. Eles levaram para o hospital já morto. A população está chateada. Eles chegaram invadido as casas e levaram os dois. Eles levaram os dois na mala. Os policiais não falaram nada, não alegaram nada. Só chegaram e lavaram”

O Estado é responsável. É notório que assassinatos de jovens negros pela polícia estão expressos nas estatísticas dos autos de resistência, que são a “forma legal” que a polícia utiliza como licença para matar e se tornar uma das polícias mais assassinas do mundo, com o aval do Estado capitalista que, por sua vez, se apóia no racismo estrutural. Mas mesmo sem esse expediente, o que vemos é uma atuação assassina e impune da polícia nas favelas, que alveja jovens negros como João Pedro, Juan, Ágatha, Maria Eduarda e uma lista interminável de jovens negros e negras.

Essa manifestação organizada pelos moradores da região do bairro da Paz em Salvador, que incendiou um ônibus e fechou uma das importantes vias da cidade, já pode ser encarada como uma pequena expressão do fenômeno de luta antirracista no marco dos levantes que hoje atravessam os Estados Unidos por justiça por George Floyd. Sintomas que ainda começam a se manifestar também no Brasil, mas já apontam que o assassinato sistemático da juventude negra nas periferias pela polícia não passarão incólumes.




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