Mundo Operário

CAXIAS DO SUL

Em Plenária, dezenas de sindicatos da Serra Gaúcha não tiraram uma só luta contra Temer

Na última quarta-feira (26/10) dezenas de sindicatos, representantes de CUT e CTB, além do senador petista Paulo Paim, se reuniram no auditório da FSG para vociferar contra Temer, ao mesmo tempo que não propuseram nenhuma luta séria capaz de barrar os ajustes do golpista.

sexta-feira 28 de outubro| Edição do dia

Pouco mais de 100 representantes dos principais sindicatos da Serra Gaúcha lotaram o auditório da Faculdade da Serra Gaúcha (FSG) em Caxias do Sul, para divulgar o “Manifesto em defesa dos direitos dos trabalhadores” que construíram. Nele, fazem a defesa da Constituição de 88 e “apelam” aos deputados e senadores para que votem contrários aos projetos de ataques aos trabalhadores, como a PEC 241.

Sobraram engravatados nos holofotes e faltaram trabalhadores debatendo a política nacional e como defender seus direitos. Este grande encontro afastado da base aconteceu num momento em que em Caxias os trabalhadores da empresa Guerra – ligada ao candidato a prefeito do PRB Daniel Guerra – paralisaram a produção e se manifestaram em frente a fábrica contra o recebimento de apenas 40% dos salários, luta que não tem o apoio da burocracia sindical do Sindicato dos Metalúrgicos ligado à CTB (PCdoB), que ao invés de organizar grandes assembléias nas fábricas para debater com os operários dá as costas a estes e negocia demissões e cortes de salários com a patronal.

Em seus discursos, os sindicalistas usaram e abusaram de frases radicalizadas prometendo até “derrubar o capitalismo” (!), mas convenhamos, se não se colocam à serviço de manter os trabalhadores empregados, parece pouco provável que serão eles os responsáveis pelo fim desse sistema explorador. Poderiam, ao invés de fazer a defesa da ex-presidente Dilma e profetizar o fim do capitalismo, levar as discussões que tocam diretamente a vida do povo para o chão de fábrica e proporcionar a grande massa de operários da serra a construção de uma resistência séria que seja capaz de retroceder os ajustes.

É preciso que CUT, CTB e seus sindicatos ponham fim aos discursos dissociados da prática e rompam com a paralisia. Que exijam a abertura dos livros de contabilidade das empresas como a Robert Shaw que declarou falência e pôs mais de 400 famílias na rua sem nenhum direito trabalhista, e da Guerra, que atrasa salários para manter suas cifras nas alturas. Somente seguindo o exemplo dos estudantes secundaristas do Paraná, que passa por organizar os trabalhadores com assembléias desde os chãos de fábrica, e paralisar a produção no próximo dia 11 de novembro, poderemos construir um amplo movimento nacional que derrote os ajustes do partido judiciário e do governo golpista de Temer.




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