Política

PREVIDÊNCIA

Em Nova York, Maia foi recompensado com prêmio por atacar aposentadoria dos trabalhadores

segunda-feira 18 de novembro| Edição do dia

Após se colocar como um dos principais articuladores da nefasta Reforma da Previdência, que tem como objetivo arrancar a aposentadoria do conjunto da população fazendo com que trabalhemos até morrer, Rodrigo Maia recebeu em Nova York o prêmio de serviço público.

Desde quando a Reforma da Previdência foi anunciada como proposta, apareceram muitos obstáculos para sua aprovação, não à toa, uma vez que se trata de uma medida que busca retirar direitos da população, aumentando o tempo de contribuição, diminuindo a porcentagem da aposentaria em relação à contribuição e atacando trabalhadores com direito a aposentadoria especial, obrigando-os a trabalhar anos a mais em condições insalubres.

Já em 2017, em meio ao governo golpista de Temer, uma primeira tentativa de avançar no projeto fracassou por conta de uma massiva greve geral no dia 28 de abril, que mostrou a potencialidade da classe trabalhadora. Apesar disso, logo em seguida as centrais sindicais dirigidas pelo PT e PCdoB traíram a mobilização para negociar seus próprios interesses com ninguém menos que: Rodrigo Maia.

No início do governo Bolsonaro, a mesma proposta sofreu também turbulências, os militares fizeram questão de pressionar para que fossem retirados do projeto e manter seus privilégios, o texto original foi sendo “fatiado” em meio a um mar de negociações no parlamento, todo esse processo sempre contando com o “pulso firme” de Maia, que foi se destacando como o principal articulador desse ataque que a direita “jurava” que seria o respiro necessário para a economia.

A reforma passou em meio a cirurgia feita no texto, articulada principalmente por Maia, em meio às aventuras reacionárias do clã Bolsonaro e mais uma vez a ilustre traição das centrais sindicais e da UNE, que depois de paralisações massivas da juventude nos dias 15 e 30 de maio contra os cortes na educação, escolheram seguir uma estratégia de separação das pautas ao invés de trabalhar para uma confluência da luta contra a Reforma e contra os cortes, no caso da UNE chegando ao absurdo de fazer uma abertura rotineira do Congresso de estudantes que realizava enquanto no mesmo dia, na mesma cidade, a Reforma era aprovada em primeiro turno na Câmara.

Agora, o grande paladino da Reforma que não foi nem de longe o tão sonhado respiro econômico que clamava Bolsonaro, espera em Nova York sua condecoração em um irônico prêmio de serviço público. Segundo os representantes do instituto responsável pela homenagem, Wilson Center, o grande mérito de Maia foi a articulação da aprovação da reforma constitucional da seguridade social, a nossa velha Reforma da Previdência, enfeitada no discurso dos responsáveis pela premiação.

Enquanto Maia recebia o prêmio simbolicamente no aniversário de 120 anos da proclamação da República, Guedes, aqui no Brasil, já prepara um gordo pacote de reformas e ataques para aprofundar o nível de precarização, privatização e desemprego que já são alarmantes no país, além de seguir nadando em busca do tão sonhado respiro econômico que, se depender das previsões cada vez mais concretas de recessão para o ano que vem, ainda tardará a chegar.

Se é verdade que a maior parte do esforço para concretizar a aprovação foi de Maia, não é insignificante o papel que cumpriu as centrais sindicais de contenção das mobilizações e traição da classe trabalhadora, enquanto as entidades estudantis e sindicais seguirem nas mãos desses setores, os direitos dos trabalhadores seguirá sendo usado como moeda de troca para os próprios interesses dessa mesma burocracia, que nos usa como massa de manobra enquanto decide a grande política à portas fechadas como figuras como Rodrigo Maia.




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