Educação

PROFESSORES DE MARÍLIA

Em Marília: professores aderem à paralisação estadual da categoria!

Nesta sexta-feira (08/04) professores das escolas da rede do Estado de São Paulo fizeram uma paralisação estadual e uma assembleia na cidade de São Paulo para discutir os problemas da categoria e da educação básica, e os rumos para as mobilizações este ano de 2016. Nas escolas pertencentes à Diretoria de Ensino de Marília a paralisação teve adesão substancial, paralisando completamente 4 escolas, e parcialmente diversas outras.

Bruna Motta

Marília, SP

sábado 9 de abril de 2016| Edição do dia

1 / 4

Na manhã desta sexta-feira, os professores se reuniram com cartazes em frente as escolas Amílcare Mattei (escola de período integral), Amélia Lopes Anders, Alcir Raineri e Dirce Belluzo de Campos (Vera Cruz), que paralisaram totalmente ou quase totalmente, de maneira a não haver condições de ter aula.

Além destas, houveram diversas escolas nas quais a quantidade de professores que aderiu a paralisou foi alta, como Antônio de Baptista, Bento de Abreu Sampaio Vidal, Hilmar Machado de Oliveira (Garça), Padre João Walfredo, Vereador Sebastião Mônaco e outras com uma adesão menor como Rafael Paes de Barros (Álvaro de Carvalho), Benito Martinelli, Oracina Côrrea de Moraes Rodine, Monsenhor Bicudo e Baltazar de Godoy Moreira. Em pouquíssimas escolas não houve nenhum professor que paralisou.

Segundo os professores que conversamos, houve grande apoio de estudantes em diversas escolas à paralisação. No Alcir Raineri os estudantes participaram da concentração na escola às 7 horas da manhã para ajudar a confeccionar os cartazes e no Baltazar, onde não teve uma paralisação grande das/os professoras/es, mas as/os estudantes do período da manhã não foram para as aulas em apoio a paralisação, só houveram aulas em três salas.

Em parte considerável das escolas só foi possível manter um funcionamento mínimo graças ao chamado das direções aos professores eventuais para substituir aulas dos professores que paralisaram, prática absurda que vem funcionando desde o ano passado como uma forma de barrar o direito de greve e manifestação da categoria.

Outra forma de manter o ensino precarizado e dificultar as lutas é o fato de que quase metade dos professores nas escolas são “Categoria O”, uma categoria que diferentemente dos professores efetivos tem contratos frágeis, por tempo determinado, com ausência de direitos básicos. São professores que a cada ano estão em uma escola diferente, não podendo ter uma relação de longo prazo, tão importante para o ensino-aprendizagem. Estes professores tem direito a pouquíssimas faltas, e nestes momentos temem represália e possível ruptura dos contratos, sendo que nem a direção do sindicato garante totalmente a defesa destes professores quanto a faltas em dias de paralisação, o que é um problema. No entanto, a força da mobilização consegue em muitos casos impor que possam paralisar, como na greve do ano passado, quando os professores categoria O puderam repor as aulas, ou nesta sexta-feira, nas escolas em que houve paralisação integral, garantindo a necessidade posterior de reposição do dia letivo.

Entenda os motivos da paralisação

Esta cada vez maior a precarização do ensino público no Estado de São Paulo, e o governo de Geraldo Alckmin do PSDB não para de atacar os professores e estudantes. Após os estudantes secundaristas barrarem o processo de “reorganização escolar” (projeto de fechamento de escolas por todo o Estado) no final do ano passado através das ocupações de escolas, ao início deste ano o governo lançou um decreto para reavaliar bimestralmente o número de estudantes por sala, para possivelmente fechar as salas de aula que tiverem número de estudantes que os professores consideram adequado à qualidade de ensino, para cortar gastos, mantendo assim as salas sempre superlotadas de alunos. Várias salas de aula já foram fechadas ao início do ano, além da redução do número de coordenadores. Não há um reajuste salarial há anos para a categoria, e a inflação corrói o valor dos salários de forma estrondosa. Não bastasse o corte de metade da verba para produtos de limpeza e escritório no ano passado, este ano foram retiradas as impressoras das escolas, gerando o absurdo de termos instituições de ensino que não podem imprimir folhas! A verba para cada escola está escassa para itens básicos, isso sem contar no escândalo de corrupção de desvio de verbas da merenda escolar. Diversas escolas estão penando para manter a merenda, algumas só estão oferecendo bolachas. Não bastasse esse cenário, o governo anunciou que poderia não pagar o bônus deste ano, referente aos resultados das provas de mérito do ano passado, acabou anunciando o pagamento, mas em valor muito inferior ao dos anos anteriores. Com todos os problemas desta política de bônus que já desenvolvemos em outros artigos, o fato é que foi um golpe aos professores que contavam com este recebimento.

É neste sentido que a paralisação em Marília foi um passo muito importante, se somando à paralisação estadual, para as lutas neste ano, e para demonstrar resistência da categoria frente às condições absurdas que o governo do Estado de São Paulo deixa para o exercício de nossa profissão.




Tópicos relacionados

Marília   /    Educação   /    Professores   /    Marília

Comentários

Comentar