Em Manaus, pacientes passam horas dentro de ambulância à espera de vagas em hospitais

Se aprofunda a crise do sistema de saúde do estado do Amazonas e, em particular, da cidade de Manaus. 96% dos leitos de UTI de hospitais públicos estão ocupados e ambulâncias ficam horas rodando com pacientes em situações graves até aparecer uma vaga.

sexta-feira 24 de abril| Edição do dia

Foi divulgado na mídia ontem, 23, o caso em que um senhor de 70 anos, com febre, tosse e falta de ar ficou três horas dentro de uma ambulância aguardando uma vaga para ser atendido.

Outro caso muito absurdo também foi divulgado, onde uma mulher com sintomas do Covid-19 foi levada pelos familiares ao hospital de campanha montado pelo governo do estado, e só após muita insistência e devido ao estado grave da paciente, foi atendida. Os médicos a levaram carregada para dentro do hospital, realizaram procedimento de reanimação, mas ela não sobreviveu.

A situação do sistema de saúde no Amazonas é cada vez mais dramático. Segundo diretor do Samu, as ambulâncias chegam a ficar horas rodando a cidade até que surja alguma vaga para o paciente. 96% dos leitos de UTI dos hospitais públicos já estão ocupados.

O Amazonas hoje é o quinto estado brasileiro com maior número de casos de Covid-19. São 2888 infectados e 234 mortes. Após o vídeo assombroso que mostrava corpos ao lado de pacientes, o governador Wilson Miranda Lima, do PSC, chegou a contratar contêiner frigorífico para colocar corpos de pacientes mortos. A rede de saúde de Manaus foi a primeira do país a entrar em colapso, e a prefeitura já enterra os mortos em vala comum.

Frente a essa situação desesperadora, é ainda mais absurdo que não se tenha testes em larga escala para saber quem está contaminado e quem não. Pessoas estão morrendo sem seus familiares saberem se estavam contaminadas e sem ter acesso a testes para saber se os próprios estão infectados. Para se organizar uma quarentena racional e efetiva é urgente termos testes massivos.

Além disso, o colapso do sistema de saúde pública evidencia a urgência da unificação dos sistemas público e particular de saúde. Enquanto os pobres morrem nas portas dos hospitais públicos, existe toda uma rede de hospitais particulares que poderiam estar sendo usados para atender todos que precisam. É necessário um sistema de saúde único, 100% público e controlado pelos trabalhadores.




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