DESEMPREGO

Em Linhares, mais de 100 pessoas dormem em fila para entrevista de emprego

Vagas em metalúgicas são abertas nessa segunda-feira (3) e, para tentar arrancar uma vaga em meio a crise e o desemprego de R$ 28 milhões de brasileiros, várias pessoas viraram a noite na fila do Sine.

segunda-feira 3 de setembro| Edição do dia

(Foto: Frideberto Viega/ TV Gazeta)

O desemprego que se faz presente no país inteiro causa cada vez mais preocupação no povo brasileiro, que precisa de uma renda para sobreviver, mas não tem direito sequer a um salário. Desde a manhã de domingo (2), mais de 100 pessoas no Espírito Santo esperam para conseguir uma vaga na metalúrgica no município de Linhares, da região norte do Estado.

Com nada mais que cadeiras de praia, água, comida e cobertores, todos viraram a noite para garantir uma das 200 senhas distribuídas pelo Sine de Linhares, uma cena trágica da situação do desemprego no país.

Em reportagem do Gazeta Online, trabalhadores deram depoimentos sobre a sua situação.

Robson Gaigher, de 44 anos, está desempregado há um ano, foi o primeiro a chegar na fila e disse que faz qualquer coisa para conseguir o emprego. Emocionado, ele contou: “quando a oportunidade aparece, a gente tem que abraçar. Vale a pena chegar cedo na fila. Eu vinha no sábado, mas deixei pra vir no domingo e deu certo, consegui o primeiro lugar. Cheguei às 8 horas. Está difícil até pra fazer bicos e meu filho de 18 anos que precisa sustentar a casa. É pesado pra ele.”.

O vigilante Isamel de Jesus Souza, de 45 anos, está desempregado há oito meses, foi preparado para passar a noite, e disse: “à noite faz frio, mas vale a pena tudo isso. É difícil vaga assim, que não precisa de experiência nem estudo. Tomara a Deus que uma seja minha”.

Edivaldo José Amaral, segurança de 45 anos, chegou na fila às 13 horas. Desempregado há 18 meses, afirmou que veio de Alagoas procurar emprego em Linhares, mas não conseguiu e espera muito ter uma das vagas do emprego para parar de viver de bicos. Carlos Alberto Lopes, pedreiro de 50 anos, não tem trabalho fixo desde 2013. Com suas palavras, disse que sonha em ter sua carteira assinada novamente.

Há oito meses buscando uma oportunidade de emprego, José Lopes, de 44 anos, também chegou cedo na fila e tem esperança de conseguir uma das vagas. Para concorrer ao emprego, é necessário ter ensino fundamental incompleto e disponibilidade para trabalhar em regime de turno. A crise que corre o país e é uma causa fundamental para o desemprego é cada vez mais descarregada nas costas dos trabalhadores, que sofrem ataques como a reforma trabalhista e a lei de terceirização irrestrita aprovada pelos juízes privilegiados recentemente. Enquanto trilhões são gastos com a dívida pública que é paga religiosamente e os juízes recebem salários absurdos que só aumentam, o povo tem que virar a noite em filas para garantir um emprego para sustento básico.

Temos que exigir o não pagamento da ilegal, fraudulenta e ilegítima dívida pública, a efetivação de todos os terceirizados e a repartição de horas de trabalho sem redução de salário. Se foram os capitalistas que criaram essa crise, que eles paguem por ela e parem de depositar nas costas dos trabalhadores.




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