Em Contagem, como em todo país, é preciso fortalecer uma alternativa com independência de classe e anticapitalista

Flavia Valle

Professora, Minas Gerais

sexta-feira 27 de novembro de 2020| Edição do dia

Essas eleições tiveram como principais vitoriosos as forças que estiveram por trás do golpe institucional e dos ataques a direitos de trabalhadores como a reforma trabalhista e da previdência e o chamado centrão, que é uma força política herdeira da ditadura militar. E que reforçam um regime autoritário que tem o governo reacionário de Bolsonaro e Mourão fruto do golpe e que seguem retirando nossos direitos.

Forças que seguirão usando essa localização para fazer com que sejam os trabalhadores e a população pobre os que paguem mais duramente pela crise capitalista. Como vemos inclusive na composição da Câmara extremamente reacionária que mais uma vez legislará em nossa cidade.

Nesse segundo turno em Contagem, Marília Campos e o PT amarguram uma disputa com a candidatura reacionária de Felipe Saliba do DEM, partido do ajustador Rodrigo Maia e do senador do dinheiro na cueca Chico Rodrigues e que também é apoiado pelo PSD de Alexandre Kalil, além de outras legendas reacionárias como Podemos, Pros, PP e a tropa de choque bolsonarista do Direita Minas de Bruno Engler e do vereador eleito em BH, Nikolas Ferreira.

Felipe Saliba e o DEM protagonizam uma campanha baseada nas falsas promessas para a população e na disseminação de fake news, enquanto é apoiado pelos políticos tradicionais da direita da cidade como o ex prefeito Ademir Lucas. Seu vice, capitão Fontes, que já foi vereador e membro de vários partidos de direita, representa os militares e os religiosos na chapa.

O PT, por sua vez, já garantiu que uma possível gestão de seu partido em Contagem não fará oposição a Bolsonaro, como afirmou Marília Campos: “Prefeituras não fazem oposição a governos estadual e federal. Vou dialogar”. Isso enquanto tanto Bolsonaro, quanto Zema e Congresso reacionário seguem passando todos seus ataques. Ou seja, prepara-se para repetir os mesmos ataques que os governadores do PT e do PCdoB implementaram nos estados que governam, aprovando a reforma da previdência, entre outras retiradas de direitos.

E repetem a mesma política de abrir espaço para a direita. Se coligaram com o MDB golpista do Temer já no primeiro turno, os mesmos que há quatro anos apostaram no golpe institucional para lançar ainda mais ataques sobre os trabalhadores e o povo pobre. O mesmo MDB de velhos políticos coronelistas como Newton Cardoso e Teteco, que têm um longo histórico contra os trabalhadores nessa cidade. Porém não para por aí! O PT agora no segundo turno promete governar junto com outros setores reacionários como o Republicanos, que é nada mais nada menos que o partido de Eduardo Bolsonaro e do Crivela!

Na situação atual que vivemos em nosso país de um regime erguendo-se sob um golpe institucional e excessivamente reacionário, esse tipo de projeto é ainda mais traiçoeiro que os treze anos de gestão capitalista do PT junto a empresários nacionalmente. Nessas últimas eleições, o PT pagou o preço por sua conciliação e perdeu mais de 30% dos seus vereadores.

Depois de administrar por treze anos do capitalismo brasileiro, tendo o PCdoB ao lado, junto à direita e ao Centrão, abriram caminho ao golpe institucional e ao fortalecimento das cúpulas evangélicas, do agronegócio e do aparato repressivo que são hoje base de Bolsonaro. Não opuseram nenhuma resistência séria aos golpistas: à cabeça da CUT e da CTB, PT e PCdoB fizeram o possível para desmoralizar os trabalhadores e impedir que lutassem com suas organizações sindicais de massas.

Preparam-se agora, portanto, para uma nova gestão junto com a direita golpista, usando suas gestões passadas como exemplo. De fato, as gestões passadas do PT são exemplos de aliança com a direita, já que até mesmo Alex de Freitas foi parte de seu governo, assim como vários outros quadros dos partidos burgueses, resultando em um governo pró patronal, marcado pela terceirização e mantendo uma administração do ponto de vista do capital sem avançar em nenhuma demanda estrutural dos trabalhadores e da população pobre.

Além de que no primeiro turno o PT de Marília Campos já estava coligado com o PCdoB, partido pelo qual foi eleito o ex prefeito Carlin Moura que teve como marca registrada da sua gestão a perseguição às educadoras de Contagem, o favorecimento das grandes máfias do transporte e a repressão aos movimentos de moradia. Lembrando que nessas eleições, o PCdoB esteve coligado com o PSL no 1º turno em 70 municípios (e o PT com o PSL em 140 cidades). Além do PSB, partido burguês que apoiou o golpe e articulou com Paulo Guedes a reforma da previdência, entre outros ataques.

Por isso, frente a situação reacionária na qual vivemos no país, afirmamos categoricamente que, diferente das promessas de fazer Contagem “feliz de novo” que faz Marília, dizemos a verdade: que para garantir melhores condições de vida, moradia, emprego, educação e saúde para os trabalhadores da cidade de Contagem, vamos precisar nos enfrentar nacionalmente com os arquitetos do golpe e com Bolsonaro, ou seja, precisamos batalhar por uma alternativa política anticapitalista de independência de classe e que combata não apenas Bolsonaro, mas todo o regime do golpe institucional responsável, inclusive, por garantir ataques tão profundos como a Reforma Trabalhista e a Reforma da Previdência.

Nesse cenário, forças de esquerda como o Resistência/PSOL e a stalinista Unidade Popular, se somaram ativamente à campanha petista, oferecendo a ilusão de conciliação de classes de que Contagem “pode ser feliz de novo”. Como se isso fosse alguma forma de combate a Bolsonaro e à extrema direita. Pelo contrário! Esse projeto foi o mesmo que resultou em maiores ataques aos trabalhadores, mulheres, negros e LGBT.

Não podemos dar nenhum voto de confiança nesse projeto que já resultou em maiores ataques e que se preparam pra descarregar mais uma vez a crise sobre nossas costas. E não é possível combater a direita estando junto com ela. Precisamos enfrentar as patronais e os empresários e capitalistas e não aliar-se com eles. Pois nossa luta é pela organização dos trabalhadores, mulheres, da juventude, negros e LGBT para derrotar a direita e a extrema direita na luta de classes.

Por isso nós do MRT e do grupo de mulheres Pão e Rosas votamos nulo nesse segundo turno. E convido todas e todos que acompanharam a campanha da minha candidatura e a batalha que demos contra Bolsonaro, Mourão e os golpistas a seguirmos essa batalha contra Bolsonaro e os golpistas.

E seguimos lutando com todas as nossas forças para construir a mobilização independente da nossa classe e de todos os oprimidos para enfrentar e realmente derrotar os golpistas, Zema e Bolsonaro e todo o regime do golpe. E nesse caminho, batalhando pela construção de uma organização revolucionária firmemente erguida sobre a independência de classe, apostando unicamente em nossa mobilização e na aliança de trabalhadores junto às mulheres, negros, LGBT e a juventude.




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