INTERVENÇÃO FEDERAL RJ

Em 10 meses, apoio à Intervenção Federal no Rio de Janeiro cai em 10%

Pesquisa mostra que rejeição à Intervenção Militar cresceu 10%. Além disso, o número de pessoas que acreditam que piorou a condição da "segurança pública" no Rio de Janeiro saltou de 2% para 10%. Após dez meses, a intervenção federal deixou profundas marcas e a população que mais rejeita sabe que é o alvo: a maioria são mulheres, negros e jovens.

quarta-feira 22 de agosto| Edição do dia

A Intervenção Federal no Rio de Janeiro implementada por Temer há 10 meses atrás começa a gerar repúdio na população. Desde fevereiro, com o exército nas ruas, foram centenas de operações policiais e das forças armadas nas favelas cariocas, violentando e assassinando a população das favelas cariocas. Muitos nomes ficaram marcados durante a intervenção, que veio maquiada sob o falso discurso de "segurança pública" de Temer e seus aliados golpistas.

As forças armadas invadiram as ruas cariocas através do decreto da operação de Garantia de Lei e Ordem (GLO), dando passe livre para os militares até o final deste ano, podendo ser renovada. Segundo informações da Folha, a queda do apoio à intervenção federal coincide com o assassinato da vereadora Marielle Franco e a falta de solução do caso.

Marielle Franco era mulher, negra e lésbica, parte da comunidade da Maré e denunciava as operações nas favelas cariocas, regidas por grande violência policial. Seu assassinato teve repercussão internacional e há 161 dias o caso encontra-se sem resposta.

A pesquisa realizada pelo DataFolha aponta que a aprovação da intervenção militar é menor entre as mulheres, negros e entre a jovens de 16 a 24 anos. Os resultados da pesquisa coincidem com a realidade da violência no Rio de Janeiro: são os trabalhadores, mulheres, jovens e negros, os alvos da repressão da polícia e do exército. A suposta guerra ao tráfico declarada pelo Estado utiliza de todo seu aparato repressivo para encarcerar e assassinar justamente estes grupos, que são aqueles que mais rechaçam a Intervenção Federal.

Houve um aumento de 10% na porcentagem de pessoas que acreditam que a Intervenção Federal piorou a situação da violência no Rio, e 59% afirmam se quer tem sentido algum suposto efeito "benéfico" que a Intervenção poderia ter trazido, mostrando a falência da guerra às drogas, do combate à violência por via do uso das polícias e militares.

Além disso, as milícias que dominam o território carioca estão no cotidiano dessas pessoas, disputando poder e deixando vítimas por todos os lados. O controle exercido pelas milícias pelo Rio de Janeiro, dominando até mesmo a distribuição de água para a população, tem uma relação muito mais íntima com o Estado do que pode parecer.

Os assassinatos deixados em 10 meses de intervenção, como o jovem Marcos Vinícius baleado na barriga, Marielle Franco e Anderson, tem um culpado: o Estado. O Estado que se utiliza dos aparatos repressivos, e garante também espaço para outras organizações repressivas, como as milícias, surjam e aterrorizem toda a população carioca.

A crise que enfrenta a cidade carioca, que vem lavado suas ruas de sangue negro exige um programa capaz de encarar as raízes do problema da violência no Rio, que não passa por aumentar policiamento, reforçar a inteligência policial ou colocar o exército nas ruas, e sim, combater toda à miséria que está exposta a população, através da legalização das drogas e do não pagamento da dívida pública, capaz então de destinar recursos à saúde e educação, e todos os demais campos que possam reestruturar e tirar milhares de jovens e trabalhadores das condições impostas pelo capitalismo.




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