Política

REFORMA TRABALHISTA

Elite começa processo para tirar Temer e garante destruir direitos trabalhistas essa terça

No final da tarde dessa segunda, 10, o relator da denúncia contra Temer deu seu parecer favorável a abertura de inquérito. Enquanto isso, diversas outras movimentações aconteciam entre os políticos, partidos e personagens do alto escalão. Todos se movimentam com um objetivo em comum: aprovar a reforma trabalhista que irá destruir a CLT nessa semana.

Iaci Maria

Belo Horizonte

segunda-feira 10 de julho| Edição do dia

Hoje o cenário político foi tomado pela sessão da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, em que o relator Sérgio Zveiter (PMDB-RJ) realizou a leitura do seu parecer sobre a denúncia contra Temer e disse ver "indícios suficientes" para receber a denúncia por corrupção, dar prosseguimento da denúncia, e encaminhar ao plenário da Câmara.

Embora Temer estivesse bastante preocupado com sua situação, marcando diversas reuniões no fim de semana e buscando hoje meios para rejeitar o parecer de Zveiter e, caso não consiga, apresentar um parecer alternativo, ele também se manteve a disposição para receber qualquer senador ou líder disposto a negociar apoio à reforma trabalhista. Temer pode até estar começando a cair, mas não quer cair sem antes aprovar o combo de ataques aos direitos dos trabalhadores.

Enquanto isso, a presidência do Senado também trabalha para rasgar a CLT

O presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), confirmou nesta segunda 10, pelo seu Twitter que vai colocar em votação nesta semana o projeto da reforma trabalhista. A análise no plenário da Casa está prevista para ocorrer nesta terça, 11.

Para aprovarem a proposta, eles precisam de maioria simples, ou seja, 41 votos. A margem está apertada, já que 42 senadores declararam que votarão a favor da reforma. São 23 senadores contra e os outros 16 que não declararam seu voto. Romero Jucá (PMDB-RR), líder do governo, confirmou que querem colocar para votação já na terça, 11, mesmo que vá coincidir com a análise da denúncia contra Temer na CCJ da Câmara. O interesse do líder do governo é aprovar a reforma trabalhista o quanto antes.

E no STF, ações também apontando para a aprovação da reforma trabalhista

E nessa mesma segunda, a presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra Cármen Lúcia, julgou inviável um mandado de segurança pedido por Lindbergh Faria (PT-RJ) e assinado por mais 17 senadores da oposição que pretendia suspender a votação do projeto de reforma trabalhista por 20 dias.

Até o final dessa semana, é possível que a reforma trabalhista tenha sido aprovada. Ao mesmo tempo, é possível que Temer esteja ainda mais próximo de sua queda. E como os aqui de baixo ficam?

As grandes centrais sindicais, frente a todo esse cenário que está colocado, de um vazio no governo mas também uma pressa em aprovar os ataques, já deveriam ter chamado um novo dia de greve geral. Hoje ocorreu em São Paulo uma manifestação contra a reforma trabalhista, chamada pela Frente Povo Sem Medo, na qual ficou nítida a ausência das centrais sindicais que nada mobilizaram para o ato, repetindo assim de um lado a traição da Força Sindical e, de outro, o corpo mole da CUT e a CTB.

Mesmo que a reforma trabalhista seja aprovada, isso não pode ser tomado como uma derrota definitiva. Ainda é possível barrar a reforma da previdência – a mãe de todas as reformas – e se faz cada dia mais urgente exigir que as centrais rompam com a conivência. As trabalhadoras e trabalhadores precisam organizar toda sua raiva e lutar não para antecipar eleições, mas sim pela construção de um meio que possa revogar a reformas trabalhista, caso aprovada nessa semana, e também todas as reformas já aprovadas, como a PEC 55, a terceirização irrestrita, a reforma do Ensino Médio, que possa estatizar todas as empresas envolvidas nos escândalos de corrupção.

Por isso propomos que a melhor saída para a crise política é impulsionar uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana, para que não apenas votemos em um ou outro “representante” totalmente distante da realidade da população, mas que debatamos os grandes temas políticos e sociais do país e votemos em nossos deputados constituintes para construirmos as novas regras do jogo.




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