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Eleições no Chile: Frente Ampla dá apoio implícito a coalizão de governo capitalista

Eleições Chile: Ainda que o conglomerado da Frente Ampla não tenha dado seu apoio explícito ao candidato Alejandro Guillier para o segundo turno presidencial chileno, fez um chamado a ir às urnas e exortou à Nova Maioria a mostrar “maior claridade” em demandas sociais.

sexta-feira 1º de dezembro| Edição do dia

Na quinta-feira, 30 de novembro, por meio de uma conferência de imprensa e um comunicado, a Frente Ampla anunciou a sua postura diante do segundo turno das eleições presidenciais chilenas que enfrenta o candidato da Nova Maioria, Alejandro Guillier, com o embandeirado de Chile Vamos, Sebastián Piñera, no próximo 17 de dezembro.

“Depois de um processo de reflexão e debate, amplo e fraterno dos movimentos e partidos e das bases territoriais da Frente Ampla em mais de cem regiões no Chile e no estrangeiro, a Mesa Nacional decidiu reafirmar nosso compromisso em fortalecer a Frente Ampla na sua independência e autonomia das outras coalizões”, inicia a declaração pública.

Desde a Frente Ampla afirmam que esse “novo ciclo representa a emergência de uma nova sociedade em que as e os cidadãos não buscam ser pauteados em suas decisões políticas (...) não somos e nem nos sentimos donos dos votos das pessoas e por isso nosso primeiro chamado é a cada um de nossos votantes a refletir e se expressar nas urnas nesse segundo turno de acordo com suas próprias convicções e análises”.

Em sua conferência de imprensa a Mesa Nacional da Frente Ampla fez um chamado a votar no próximo 17 de dezembro, a ir às urnas, e ainda que não tenham feito um apoio explícito ao candidato da Nova Maioria – baseando-se em sua suposta autonomia política – asseguram que “não é a mesma coisa quem governe. Sabemos que Sebastián Piñera representa um retrocesso”, e exigem “maior claridade da Nova Maioria a respeito se serão eliminadas as AFP, se serão asseguradas a educação de qualidade sem dívida nem lucro, se irá se democratizar efetivamente o país com uma Assembleia Constituinte e Justiça Tributária”.

Entretanto, é possível esperar com claridade o apoio às demandas sociais de parte de um conglomerado e partidos políticos que governaram o país durante décadas, administrando as heranças da Ditadura e do Chile neoliberal que tanto afirmam criticar desde a Frente Ampla?

Na opinião do ex-candidato a deputado pelo distrito 10, região de Santiago do Chile, Dauno Tótoro, que obteve uma alta votação, “está claro que a direita retrógrada e cavernaria seria um retrocesso. O problema é que governem novamente os mesmo partidos que governaram durante anos, com alguns rostos novos”, manifestou o licenciado em História pela Universidade do Chile.

“A Nova Maioria transtornou as demandas dos movimentos que saíram às ruas e entregaram reformas ou parciais, ou que não apontam no sentido exigido por estudantes e trabalhadores, ou diretamente que aprofundam o neoliberalismo, como a reforma educativa. Aí se radica o problema estratégico da Frente Ampla; sua aposta a longo prazo é chegar a acordos com o progressismo desses setores, para desde aí procurar realizar as transformações sociais que se exigem desde 2011”, criticou Tótoro.

Para Tótoro, “a Frente Ampla ainda que não se comprometa com seu voto a Guillier, na sua lógica de chamar a votar no dia 17 e exigir à Nova Maioria que cumpra com um programa que não lhe pertence, e que jamais defenderá, o que faz é, como se diria coloquialmente, ‘passar o pano’ para Guillier e companhia”.

Diante da pergunta de que opção tomar diante da situação política do país, e do segundo turno, Tótoro comenta que “a tarefa que nos propomos desde a esquerda anticapitalista, revolucionária e socialista, é aportar a levantar e colocar em movimento uma grande força social de trabalhadores, jovens, mulheres e estudantes, que se enfrente com a direita e também com a Nova Maioria, como único caminho para a conquista íntegra das demandas como a educação gratuita universal ou o fim das AFP. Nossa confiança não está nos que administraram durante décadas o Chile neoliberal, capitalista e desigual que vivemos diariamente”, enfatiza.




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