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Eleições na APEOESP: uma oportunidade dos professores reconquistarem o seu instrumento de luta

Um dos maiores sindicatos da América Latina está em seu período eleitoral. A APEOESP (sindicato dos professores do Estado de São Paulo), congrega mais de 200 mil afiliados. A amplitude e influência desse sindicato não se restringe apenas aos seus afiliados, uma vez que conectados à educação, possuem uma relação cotidiana e orgânica com milhões de alunos e familiares pertencentes às escolas públicas.

quinta-feira 11 de maio| Edição do dia

Essa importância se fez sentir e mostrou sua importância na greve geral do dia 28 de abril. Vivenciamos uma das maiores paralisações das últimas décadas, com uma grande adesão de setores estratégicos, como transportes e indústrias. Não é nenhum exagero afirmar que o professorado foi a ponta de lança desse movimento nacional, que recolocou a classe trabalhadora como protagonista da imensa crise política e econômica que atravessa o país.

Um mês antes da greve geral o estado de ânimo dos professores estava fervilhando. No dia 8 de março, dia internacional da mulher, paralisamos nossas escolas contra a violências e as desigualdades de gênero, com o objetivo de se conectar ao chamado internacional do dia de luta das mulheres, batalha levada à frente pelos nossos dois diretores sindicais, Maíra Machado e Danilo Magrão. Uma semana depois, no dia 15 de março, a adesão foi praticamente integral nas escolas estaduais e municipais de todo o país, incluindo escolas particulares.

Em São Paulo houve uma grande adesão para responder também aos ataques do tucano Geraldo Alckmin. O fechamento de salas, a demissão de professores temporários, a política de arrocho salarial são ações promovidas pelo governo paulista que jogou combustível na revolta dos professores.

Vários estados se mantiveram em greve, porém fruto de uma política da CUT houve uma divisão da greve nacional. Em São Paulo, por exemplo, defenderam suspender a greve. Fazem isso porque sua estratégia não é a de desenvolver uma greve geral por tempo indeterminado, até derrubar as reformas e Temer. Sua perspectiva é de pressão parlamentar para negociar as reformas, buscando postular o seu projeto político como mais viável para as eleições presidências de 2018.

Mesmo com os obstáculos da CUT, os professores foram os protagonistas do “ensaio” que depois gerou a greve geral como uma grande ação das greves do dia 28. Apenas essa breve retrospectiva já é o suficiente para a conclusão de que os professores em movimento são um barril de pólvora para o governo golpista de Michel Temer e seus planos de ataques. Temer e o Congresso estremeceu após essas paralisações. Tentaram manobrar e enganar através da retirada dos professores da reforma da previdência federal, mas atribuindo essa responsabilidade aos estados e municípios, manobra que depois foi retirada.

O papel da burocracia sindical na Chapa 1 da APEOESP

Há décadas esse sindicato é rigidamente controlado pelos mesmos grupos políticos, que não tem como perspectiva desenvolver uma luta implacável contra o governo golpista. Quem hegemoniza esse bloco de poder é a Articulação Sindical, uma corrente sindicalista do PT, o mesmo grupo com mais influência dentro da CUT. Um dos seus principais dirigentes é o atual presidente da CUT, Vagner Freitas de Moraes. Além da ArtSind, o PCdoB e outras correntes do PT compõe a maioria da diretoria da APEOESP.

Um retrato desse controle se personifica na figura de Maria Isabel Noronha (Bebel), presidenta do sindicato há 12 anos, e se reeleita irá para incríveis 15 anos de mandato. É emblemático que Bebel esteja há mais anos à frente da APEOESP do que odiado Geraldo Alckmin no governo do estado, um dos períodos que a educação mais foi atacada.

Sob responsabilidade de Bebel, do PT e do PCdoB estão consecutivas derrotas das greves que ocorreram nos últimos anos. Seu desprestígio na categoria é muito grande, mas conta a seu favor a quantidade imensa da estrutura provenientes dos recursos sindicais para perpetuar sua manutenção. Ademais se utilizam dos métodos mais escusos para fraudar as eleições em proveito próprio. Nas eleições do ano passado, os mesários foram autorizados pela diretoria a dormirem com as urnas em suas casas, e membros de torcidas organizadas foram contratados para intimidar e ameaçar de violência física os membros da oposição. São capazes de fazer tudo para manter os inúmeros privilégios que obtém nos cargos sindicais, e aplicar a política que melhor convém para a estratégia de conciliação de classes do PT, ainda mais latente nos anos em que estavam no governo federal.

A importância da Chapa 3 da Oposição Unificada

Para enfrentar esse monstruoso controle na APEOESP é necessária uma sólida unidade dos professores e das oposições para derrotar a burocracia. Hoje essa alternativa é chapa 3 que congrega organizações e ativistas de esquerda. Para tentar dividir os votos da chapa da oposição unificada, a direção majoritária inscreveu a minúscula chapa do PCO como a chapa 2, contanto com o auxílio de capangas para impor essa inscrição através de ameaças. Fazem isso porque historicamente as chapas de oposição são reconhecidas por ser a segunda, e através dessa manobra querem confundir os professores e diminuir os votos na chapa 3. Já o PCO tem sido um fiel aliado da chapa de Bebel, votando consecutivamente em acordo com a chapa 1, além de não representar nenhum risco de ganharem as eleições.

É possível derrotar o PMDB, o PSDB e todos os golpistas, mas para levarmos essa luta até o final precisamos ultrapassar os obstáculos que existem dentro de nosso próprio sindicato. Um exemplo categórico disso é o próprio momento em que ocorrem as eleições. A direção majoritária antecipou as eleições para abril, mesmo sabendo que esse mês seria decisivo na luta contra as reformas. Diversos setores da oposição propuseram o adiamento das eleições, mas ele foi sistematicamente negado por Bebel.

Uma consequência dessa decisão é que as eleições estão marcadas para o dia 25 de maio e apenas um dia antes está marcada uma grande manifestação em Brasília para barrar a reforma da previdência. Mesmo com a chapa da oposição unificada exigindo o adiamento das eleições para que os professores pudessem ir à Brasília, Bebel negou novamente e decidiu manter a data da eleição. Na prática Bebel está impondo que os professores tenham que escolher entre participar das eleições do sindicato lutar contra as reformas do Temer.
Além do adiamento das eleições, estamos batalhando para que a APEOESP coloque todos os seus recursos a disposição para levar o máximo de professores para Brasília, garantindo centenas de ônibus para isso. Estamos em um momento decisivo na luta pelos nossos direitos, e não vamos aceitar a posição do PT na APEOESP de boicotar o protagonismo dos professores.

Nós do Professores Pela Base e do MRT compomos a chapa 3 na perspectiva de derrotar essa burocracia e colocar a APEOESP no caminho da luta. Por isso em todas as regiões onde estamos levantamos medidas para realizar um efetivo combate contra o governo Temer. Na Zona Norte realizamos um ato como mais de 400 pessoas, em Campinas foi a partir de nossa proposta que ocorreu um grande ato de professores e alunos no centro da cidade, e em Santo André estamos batalhando para que as correntes da oposição se unifiquem para combater a burocracia. Para lutar contra a burocratização, desde as eleições passadas nós realizamos a rotatividade dos nossos diretores, negando benefícios e privilégios. Possuímos inúmeras diferenças com as outras correntes que compõe a chapa unificada, e como perspectivada da construção de um sindicato realmente democrático seguiremos debatendo todas elas para contribuir com a construção de um sindicalismo de base, realmente democrático, combativo e com independência política.

Nessa perspectiva convidamos cada professor a tomar a campanha da chapa 3 em suas mãos, votando também regionalmente em seus candidatos. Na Zona Norte, Zona Leste, Zona Oeste de São Paulo, Campinas, Santo André, Jundiaí e Marília nós do Professores Pela Base e do MRT estaremos na linha de frente para derrotar a burocracia sindical e os ataques do governo golpista.




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