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Eleições “farsa” para Reitor da USP: Por que boicotar?

Nesta segunda-feira, dia 23 de outubro ocorrerá a consulta realizada pela reitoria para as eleições para reitor na USP. Tal consulta não tem valor algum no processo eleitoral.

sexta-feira 20 de outubro| Edição do dia

A maior universidade do Brasil, a USP, é reconhecida internacionalmente por suas pesquisas e pela sua qualidade. Tal feito é fruto de trabalho de milhares de funcionários, docentes e da dedicação de seus estudantes. É também uma das mais elitistas e antidemocráticas, com um regimento interno que está em vigor desde os tempos sombrios da ditadura militar.

Resultado disso são as pilhas de processos administrativos movidos contra estudantes e trabalhadores da USP apoiados na censura e na perseguição política às organizações do movimento estudantil e sindical. Exemplos da falta de democracia na USP não faltam, basta ler a respeito da absurda repressão à estudantes e trabalhadores que no início do ano, em uma manifestação pacífica contra a aprovação da “PEC do fim da USP”, foram reprimidos com bombas e balas de borracha deixando dezenas de feridos. Literalmente sob o sangue desses trabalhadores e estudantes foram aprovados ataques a toda comunidade acadêmica, por um conselho, o CO, altamente burocratizado e elitista. Para termos de comparação, o Conselho universitário, que é o órgão máximo de deliberações da USP é composto por 166 membros. Desses apenas 1,8% são funcionários técnico administrativos e 9% são estudantes. A comunidade acadêmica é composta por mais de 100 mil pessoas. 14% são funcionários e 81% estudantes. A composição do CO é uma boa amostra da falta de democracia na USP.

Quem vota pra reitor na USP?

A escolha do próximo reitor da USP é feita pela Assembleia universitária que envia uma lista tríplice, com os mais votados, ao governador que escolhe o próximo reitor.

Essa Assembleia Universitária é formada pelos membros do Conselho Universitário, dos Conselhos Centrais, das Congregações das Unidades e dos Conselhos Deliberativos dos Museus e dos Institutos Especializados. São menos de 2 mil votantes, ou seja, menos de 2% da comunidade universitária tem direito ao voto. Esses 2 mil votantes são maioria absoluta de docentes. Um ínfimo número são funcionários e estudantes, numa proporção não muito diferente do que é o CO. Ou seja, uma parcela ínfima da comunidade universitária tem direito ao voto e estudantes, que são 81% da comunidade universitária, e funcionários, que representam cerca de 14% da comunidade, tem uma representação ínfima.

Na prática, o controle da universidade, fica nas mãos de uma parcela de burocratas acadêmicos, muitos donos de fundações privadas e empresas terceirizadas, interessados em manter seus próprios privilégios.

Mas a cereja do bolo, afinal, fica com o governador do Estado, Geraldo Alckmin (PSDB). É a ele quem cabe, por fim, indicar o próximo reitor da USP. Esse toque final é a garantia que o próximo reitor escolhido está totalmente alinhado aos interesses do governo do estado. Vale lembrar que é esse mesmo governo o responsável pela precarização da educação pública, fechando escolas e reduzindo as verbas para educação.

Saiba mais: Alckmin manobra verbas e repassa menos para educação que deveria

A consulta para “inglês ver”

Desde 2013 se instituiu a consulta à comunidade acadêmica. Essa consulta é a estratégia da reitoria para passar uma impressão democrática a um processo totalmente marcado pela falta de democracia e autoritarismo. A consulta de nada serve, a não ser fortalecer um processo eleitoral absolutamente corrompido, onde uma minoria absoluta vota e um número ainda menor de pessoas, apenas os professores titulares, podem se candidatar.

As quatro chapas inscritas sequer questionam a falta de democracia nas eleições para reitor. Muitas fazem demagogia com as demandas dos trabalhadores e estudantes sem de fato assumirem qualquer comprometimento com a comunidade universitária e com a população. São burocratas experientes na arte de enrolar e seus discursos são armadilhas bem elaboradas para nos convencer a escolher o mal menor. Mas, em se tratando da burocracia, o mal é ela própria.

Há anos o Sintusp, Sindicato dos Trabalhadores da USP, denuncia as eleições-farsa e a falta de democracia na universidade. Em assembleia, no dia 10 de outubro, votaram o boicote à consulta e, aos poucos votos que os trabalhadores tem direito nos colegiados, voto nulo.

Ao invés de fortalecer esse processo corrompido e as estruturas de poder carcomidas da USP, devemos apostar nossas forças na mobilização dos trabalhadores e estudantes. Devemos levantar com força a demanda por uma Estatuinte Livre e Soberana, que dissolva esse Conselho Universitário, e que estudantes, funcionários e professores possam assumir o controle da universidade.

Chamamos todos os trabalhadores e estudante a boicotarem a consulta pública a ser realizada no dia 23/10! Tomemos a luta contra as burocracias acadêmicas e a falta de democracia em nossas mãos!




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