Educação

ELEIÇÕES FFLCH-USP

Eleições-farsa: na FFLCH-USP o voto da maioria tem algum valor?

Nesse dia 31 serão realizadas as eleições para a diretoria da FFLCH. Em consulta realizada a estudantes, funcionários e professores, a chapa Coggiola-Tânia ganhou nas três categorias, feito inédito. Agora um pequeno colégio formado quase só por professores, em grande parte sequer eleitos, vai decidir. Exigimos que respeitem o voto da maioria.

Flávia Toledo

São Paulo

quarta-feira 31 de agosto| Edição do dia

Por Flávia Toledo, estudante e representante do conselho departamental, e Patrícia Galvão, trabalhadora e representante da Congregação.

As eleições para os cargos burocráticos da Universidade de São Paulo são uma verdadeira aula de falta de democracia. Um ínfimo setor tem direito a voto e a comunidade acadêmica é apenas “consultada”, sem nunca ter o seu posicionamento considerado.

Nas últimas eleições para diretor e vice-diretor da FFLCH, a consulta apontou, com ampla diferença entre estudantes, que o interesse da comunidade acadêmica era que o Prof. Coggiola, do Departamento de História, fosse eleito diretor. Mas a consulta foi ignorada e a chapa eleita (atualmente o diretor da FFLCH é o Prof. Sérgio Adorno e o vice é o Prof. João Roberto de Farias) apresenta posicionamentos muito próximos da Reitoria, sendo que Adorno apoiou a candidatura de Marco Antônio Zago à reitoria.

Isso ocorre pela total separação da gestão da universidade das três categorias que a compõem: estudantes, funcionários e professores. Nas eleições da FFLCH, um pequeno setor de professores vota (os que pertencem aos conselhos departamentais e à Congregação), uma parcela ainda menor de funcionários e uma parcela ínfima de estudantes. Ao todo, podem votar cerca de 200 pessoas, a grande maioria professores, com apenas 3 votos de funcionários, em um universo de mais de 13,5mil, sendo mais de 12.700 estudantes.

A consulta desse ano teve um resultado surpreendente. Entre estudantes, 837 votaram na chapa Coggiola-Tânia, contra 203 na chapa Maria Arminda-Paulo Martins, que como denunciamos aqui, é a chapa que se alinha aos posicionamentos da Reitoria e quer dividir a FFLCH, sem avançar nos pontos mais candentes como a falta de professores e funcionários e as demandas do movimento estudantil, como o debate de Cotas Raciais. Entre funcionários, o resultado foi de 117 a 31, e entre professores, surpreendendo a todos, a chapa de oposição também venceu com 159 votos a 153.

Ou seja, as três categorias se posicionaram favoravelmente à eleição do Prof. Osvaldo Coggiola a diretor e da Profa. Tânia Macedo, da área de Literaturas Africanas, a vice-diretora da FFLCH.

Sabemos que não basta eleger diretores com um posicionamento mais progressista para atender nossas demandas. As mudanças emergencialmente necessárias na universidade só poderão ser conquistadas por meio da nossa mobilização. Mas o posicionamento da FFLCH foi claro: basta de termos correias de transmissão da política elitista e reacionária da reitoria na faculdade. E o voto da maioria deve ser respeitado.

Os poucos que participarão dessas eleições têm o dever de seguir a orientação da comunidade acadêmica e eleger a chapa Coggiola-Tânia para a direção da FFLCH. Dentro dos moldes da “democracia” uspiana - tão atrasada em comparação ao "uma cabeça, um voto" da revolução francesa do século 18 -, o mínimo que se pode fazer é eleger aqueles que estudantes, professores e funcionários apontaram como sua preferência, acatando sua decisão.




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