Juventude

CENTRO ACADÊMICO UERJ

Eleições do CASS UERJ: Desafios da nova gestão proporcional

segunda-feira 7 de novembro| Edição do dia

No último dia 31, encerrou o processo eleitoral para o Centro Acadêmico de Serviço Social da UERJ (CASS- UERJ). Depois de uma greve de 5 meses, processo este que estivemos junto à vários estudantes do Serviço Social na linha de frente contra os cortes do Pezão, que tem afetado diretamente o funcionamento da universidade e permanência dos alunos cotistas e bolsistas, construindo atos de ruas e atividades em defesa da UERJ e do Hupe.

As aulas retornaram com um calendário apertado e desde do mês de agosto que a UERJ não recebe o repasse emergencial de 10 milhões do Governo Estadual isso tende a se aprofundar dentro de uma conjuntura de ataques estaduais e nacionais. O governo de Dorneles/ Pezão quer aprovar um pacote de maldades que ataca o funcionalismo público, cortando 30% dos salários, aumento do bilhete único, cortes do Aluguel Social e Renda Melhor jovem que ataca os que mais precisam. Além da possível aprovação da PEC 55/241 de Temer e da direita golpista. Nacionalmente a juventude está dando respostas, ocupando mais de 1000 escolas e universidades. É neste cenário que temos que encarar o desafio de construir o CASS num modelo de gestão proporcional.

A votação que teve um total de 243 votos, sendo 10 nulos, 109 na chapa 1 (Contra o Golpe: convoque sua luta), 124 na chapa 2 (Renovar sem Temer), 109 votos no modelo proporcional e 67 votos no modelo de gestão majoritário e 67 votos nulos expressou que o curso de Serviço Social quer fazer experiência com as duas chapas.

Umas das principais diferenças que surgiu durante esse processo eleitoral foi sobre o papel que as entidades estudantis devem cumprir. Para nós uma C A tem que defender os direitos dos estudantes, sem descolar nossa formação da conjuntura política de fora da universidade, ligando essa realidade e os debates que podemos fazer a partir dela com a nossa formação profissional. As políticas de permanência estudantil e os rumos da Universidade são cada vez mais determinados pelas políticas levadas à cabo pelos governos estadual e nacionalmente.

E não tem como pensar nossa formação profissional sem pensar os desafios que estão colocados para os assistentes sociais no marco dos ataques aos direitos básicos dos trabalhadores e da população mais oprimida como vem ocorrendo na realidade.

Por isso , para nós do MRT, que compomos a Chapa 1 junto com valorosas companheiras que são independentes, o debate sobre a conjuntura não são debates menores ou falsas polêmicas. Estes debates fazem parte das reflexões necessárias para os desafios que temos a frente contra a direita golpista que quer nos fazer pagar pela crise. Para nós o CASS tem que ser uma ferramenta de luta, que promova esses debates, encarando todos os estudante como sujeitos, na sala de aula e nos demais espaços. A formação política integra a formação profissional. E nestes espaços é fundamental que se expressem todas as posições para politizar os debates no curso, é necessário que todas as organizações políticas no curso e as posições independentes se expressem para debatermos as diferentes posições políticas. Por isso a importância dos diferentes setores não se eximirem de se posicionar nos espaços construídos para debates e reflexões, já que muitas vezes as salas de aula não cumprem esse papel pois não tocam nos temas que vamos ter que lidar na atuação profissional, nem nos temas da realidade cotidiana da população.

Por entender que uma gestão verdadeiramente democrática passa por conseguir expressar as diferentes posições políticas votadas pelos estudantes que defendemos enquanto modelo de gestão um C.A proporcional. Expressamos isso em nosso material, nas passagens em sala e em cada conversa com os estudantes, porque para nós defender um C.A e um curso mais democrático passa por defender isso de forma real, em todos os espaços, no nosso programa, nos apoiando no que pode realmente levar a construção de espaços mais democráticos e não de forma abstrata sobre a consigna vaga de novos métodos.

Apesar do discurso defendido durante as eleições, o PSTU que compõe a chapa 2, não é porta voz de novos métodos em nenhum lugar, pelo contrário por anos dirigiram de forma super burocrática a ANEL (Assembleia Nacional dos Estudantes Livres) e enfraqueceram o debate político dentro do curso, não colocando suas posições políticas nos espaços, já que se isentaram, até o dia do debate entre chapas, de expressar sua posição de “FORA TODOS” e não reconhecimento que houve um golpe institucional.

Voltamos à este debate pois para nós não é apenas uma questão de nomenclatura a caracterização do golpe institucional, faz parte de uma análise fundamental da conjuntura,que é um divisor de águas dentro da esquerda, no qual o PSTU, pela sua posição, auxiliou a fomentar ilusões que a queda da Dilma pelas mãos do STF, da Lava Jato e dos políticos corruptos e hipócritas da Câmara e do Senado, significava um evento positivo ou progressista para a classe trabalhadora e que deveria ser comemorado o Fora Dilma ignorando que o sujeito que derrubou o PT não foi a classe trabalhadora. Este debate, para nós,é muito importante e achamos fundamental que ele tenha se aberto, e achamos necessário continuar combatendo o golpe e seguir avançando nessas reflexões, agora mais do que nunca, porque diariamente se consolida esse golpe.

Infelizmente o potencial desse debate não pode ser explorado até o final. A chapa 2, composta por integrantes do PSTU e independentes, se apoiou num discurso de unidade por fora dos debates das divergências políticas. Essa posição é favorável para os companheiros do PSTU que hoje são pelo Fora Temer mas, até mês passado não tinham aparecido em nenhum dos atos contra este governo quem dirá nos atos anteriores a consolidação do golpe institucional que pra eles, eram atos “volta Dilma”.

Muito nos preocupa também a tentativa de apagar as lutas do nosso curso, com o discurso de que o CA na sua última gestão não mobilizou para a greve deste ano, colocando na nossa responsabilidade a construção da mobilização nesse período. Consideramos equívoco esse método de não ajudar na construção da mobilização, só para esperar o processo eleitoral. Construímos uma greve que durou muito tempo e com dificuldades concretas dos estudantes estarem presentes nos espaços, como dinheiro para as passagens, mesmo assim nosso curso é reconhecido como um dos mais ativos e presentes nas atividades da greve e nos atos.

Nos colocamos abertamente contra o golpe, porque entendemos que temos que saber claramente quem são os nossos inimigos e como atuar em cada conjuntura para seguir na luta utilizando como inspiração as mais 1000 escolas ocupadas e universidades no Paraná, os mais de 80 institutos federais ocupados, das universidades ocupadas por todas as regiões do país, dos servidores das universidades públicas aderindo à greve como a UFRJ, UFF, UFRRJ, o CP II contra esta PEC 55/241 e outras medidas do governo Temer como a reforma do ensino médio e a reforma política e os ataques aos nossos direitos que estão sendo implementado pelo governo GOLPISTA e seus aliados.

Temos o desafio de pensar nossa atuação profissional em um futuro que está sendo negado e atacado por esse governo golpista e além de continuar tocando as lutas que já estávamos à frente, agora numa gestão proporcional em conjunto dos estudantes do curso e com as valorosas companheiras que estiveram ao nosso lado durante este processo eleitoral e na luta contra os ataques. Nosso desafio agora é construir uma entidade de luta pra defender os estudantes do SeSo e da UERJ e para lutar contra Crivella,Pezão contra a direita golpista e o governo Temer. Estamos abertas a construir com novas propostas uma gestão proporcional de luta, que reflita a formação profissional a partir da realidade, das necessidades dos estudantes e aliado a classe trabalhadora e chamamos as estudantes a convocarem com a gente as lutas que estão colocadas.




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