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Eleições DCE UFMG: análise das chapas e voto crítico na Chapa 3 – Lutar e Mudar as Coisas

Conheça cada uma das chapas e saiba em quem votar para defender os direitos dos estudantes da UFMG, da juventude, dos trabalhadores e de todo o povo contra as reformas do governo golpista de Temer e os ataques da Reitoria. A votação para o DCE-UFMG acontece na quarta e quinta-feira desta semana, dias 28 e 29 de junho.

Francisco Marques

Filosofia - UFMG

quarta-feira 28 de junho| Edição do dia

Chapa 1 – Muda

Essa é a chapa que quer dialogar com os estudantes que não querem mudar nada ou acham que não se pode mudar nada de substancial, seja na universidade ou na sociedade; uma proposta para os céticos e acomodados. Não à toa não falam na palavra “luta” em todo seu programa e buscam negar o DCE como ferramenta política dos estudantes.

Apesar do cenário explosivo de crise na situação nacional, e de o governo golpista, corrupto e implementador das odiadas reformas estar pendurado por um fio e sem legitimidade, a chapa acha que não é o momento de os estudantes se posicionarem politicamente por meio de sua entidade mais importante, o DCE.

Por isso o programa da Chapa 1 é um emaranhado de pequenas demandas, que eles prometem alcançar com reuniões e contando com a boa vontade da Reitoria e da institucionalidade da UFMG. Não estão preocupados com demandas estruturais como a falta de assistência estudantil, de moradia, de refeição a baixo preço e de creches ou com o corte de bolsas, que inviabilizam a permanência de tantos estudantes. Isto porque estes questionamentos se enfrentam com o projeto dos governos de precarizar a universidade (com a cumplicidade da Reitoria), ainda mais em momentos de crise econômica.

Mas qualquer estudante que não entrou ontem na universidade e está de olhos abertos para a vida política sabe que a UFMG não é o espaço do diálogo e da democracia, como esta chapa e a Reitoria gostam de dizer, mas sim que o poder aqui está nas mãos de uma minoria no Conselho Universitário e no Reitorado, escolhidos de forma extremamente antidemocrática com uma supremacia absoluta dos professores sobre os estudantes e técnicos, com 70% da força de decisão nas mãos dos docentes.

O perfil da Chapa 1 se completa com a defesa das Empresas Juniores, que nada mais são que a privatização da universidade. O uso do conhecimento produzido na universidade para o lucro. A usurpação do trabalho de milhares de estudantes, técnicos, cientistas e professores, bem como dos impostos da maioria da população pobre, por um punhado de ricos e empresários.

A Chapa 1 diz que “é contra os partidos no DCE”, mas não temos informação se algum militante de direita participa da chapa. O que sabemos é que os apolíticos e a direita partidária muitas vezes se tornam aliados na luta contra o movimento estudantil e a esquerda.

Chapa 2 – Todas as Vozes

A Chapa 2 é composta pelas mesmas correntes políticas que estiveram na última gestão de DCE: PT e Levante Popular da Juventude. Essa chapa representa o velho movimento estudantil e a velha esquerda petista, que usa as demandas e lutas dos estudantes para fortalecer um projeto de poder próprio, alheio aos nossos interesses, onde somos somente moeda de troca.

O grande objetivo político desta chapa é controlar o movimento estudantil para que lute de forma a desgastar Temer, mas ao mesmo tempo nunca escape do controle das direções tradicionais e de suas estratégias conciliadoras. O que mais querem é fortalecer as Diretas Já e a candidatura de Lula para as eleições de 2018, canalizando toda a força dos milhares de trabalhadores e estudantes em luta com greves gerais e ocupações para as velhas cartas marcadas das eleições, relegitimando esse regime político corrupto e questionado por só servir aos ricos e empresários.

Quando Dilma governava estes mesmos setores apoiaram o governo petista até quando eram cortados mais de 80 bilhões da educação, e apesar do palavreado de “apoio crítico” foram parte fundamental da sustentação de um projeto político que sempre incluiu a privatização da educação via FIES e PROUNI, o assassinato de sem-terra e indígenas por latifundiários (protegidos da ministra Kátia Abreu), a repressão violenta aos movimentos que questionavam o governo, etc. Foram todos esses ataques e conciliações com a direita que nos levaram ao golpe, à desmobilização do movimento sindical e estudantil e à falta de alternativas políticas. Por isso quando falam da construção da União Nacional dos Estudantes, a UNE que querem construir não é para lutar pelos nossos direitos, mas sim pelos seus interesses próprios.

Isso também pode se ver muito bem na prática. PT e Levante Popular da Juventude nunca estiveram à frente de organizar os estudantes para a luta. Chegaram “de última hora” em todas as ocupações da UFMG e jamais denunciaram a violenta repressão que o governador do PT, Fernando Pimentel, fez sobre as manifestações estudantis, no fim de 2016; ajudaram a Reitoria a aumentar o preço do bandejão e estiveram sempre pra trás da vontade de luta dos estudantes que lutavam contra o aumento, em meados de 2016; e no último dia 28 de abril na greve geral, apesar de um grande bloco de estudantes da UFMG organizados a partir da assembleia geral que não ajudaram a construir, nem ao menos deram as caras para compor o bloco no ato junto dos estudantes. Da mesma forma, não vêm construindo na universidade o próximo dia 30 de greve geral.

Por fim, quando falam de uma “universidade popular” são só palavras vazias, pois não ousam questionar a autoritária Reitoria, a precária assistência estudantil da FUMP nem a terceirização que precariza o trabalho de uma maioria de mulheres e negros na universidade. Chegam ao absurdo de pedir no programa político a “prestação de contas da FUMP de forma mais transparente”. Em que tipo de “universidade popular” a assistência estudantil é gerida por uma fundação privada que administra centenas de milhares de reais de dinheiro público?

Chamamos voto crítico na Chapa 3 – Lutar e Mudar as Coisas

Chamamos a votar na Chapa 3 como parte de uma luta para tomar o DCE e o movimento estudantil como uma ferramenta política de conquista das demandas estudantis internas e externas à universidade, na luta em defesa da educação e pela derrubada do governo Temer e das reformas que ameaçam nosso futuro.

A chapa 3 afirma o caráter político do DCE e se coloca na oposição ao governo golpista de Temer, lembrando como os governos petistas anteriores também atacaram a educação e os direitos dos trabalhadores, ainda que em menor escala que o governo Temer. E ressalta a importância central da greve geral para o enfrentamento ao atual governo. É composta pelas organizações MAIS, UJC/PCB, CST-PSOL e o Movimento Correnteza, junto a estudantes não organizados.

Se colocam de forma crítica ao autoritarismo da Reitoria, se posicionando contra a proibição das festas na universidade, contra o último aumento do bandejão e contra o corte de bolsas de estudo. Se posicionam em defesa da assistência estudantil denunciando a FUMP e reivindicam creches, escola infantil e uma ala familiar na moradia da UFMG, em defesa do direito de estudantes mães e pais a terminarem os estudos e não abandonarem o curso.

Mas chamamos este voto de forma crítica, porque acreditamos que o programa defendido pela chapa 3 é ainda muito limitado. Em primeiro lugar, o programa não coloca a luta pela auto-organização dos estudantes na preparação da greve geral nem denuncia o papel de traição que UNE, CUT e CTB vêm cumprindo ao não prepararem a greve geral para a derrubada de Temer e das reformas. É preciso convencer os estudantes que não se pode ter nenhuma confiança nas direções petistas e burocráticas que não hesitarão em trair as lutas para embarcar com tudo nas eleições e na candidatura de Lula. Por isso viemos fazendo, também aqui na UFMG, uma campanha para "Tomar a Greve Geral em nossas mãos".

Em segundo lugar, as críticas à atual situação da universidade, à Reitoria e à FUMP são insuficientes e não chegam à raiz da questão. Só se pode ter democracia na universidade com o fim da Reitoria e do Conselho Universitário e com um governo tripartite de estudantes, técnico-administrativos e professores, com cada pessoa tendo direito a um voto e maioria estudantil, e não com a mera paridade junto da manutenção de todas as outras estruturas antidemocráticas. Também é preciso lutar pelo fim da FUMP e por uma assistência estudantil que atenda toda a demanda de refeições, moradia, creches e bolsas, e não pela auditoria nas contas desta fundação privada.

Por fim, achamos que além da luta pela derrubada de Temer e contra as Eleições Indiretas para presidente, é positivo que a chapa não defenda as Diretas Já, já que representa um desvio da luta. Mas acreditamos também que é necessária uma resposta política que dialogue com a situação de crise no país. Por isso colocamos a proposta aos companheiros de se somarem à luta por uma nova Assembleia Constituinte Livre e Soberana imposta pelas greves e lutas, que possa revogar a PEC 55 e barrar todas as reformas que os grandes empresários e o governo golpista vêm tentando aprovar, rediscutindo também todas as regras da nossa democracia que só serve aos ricos, políticos e empresários.




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