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Eleições DCE Livre da USP

Nos últimos dias 8, 9 e 10 de novembro ocorreram as eleições para o Diretório Central de Estudantes da Universidade de São Paulo. Será que a passividade do DCE Livre da USP vai continuar?

terça-feira 15 de novembro| Edição do dia

Esse parece ser o cenário mais provável, já que a Chapa Travessia , composta pelo MES/Juntos (corrente de Luciana Genro) , Rua, PCB e MAIS, foi eleita com 2536 votos. Será o oitavo ano consecutivo em que a chapa encabeça pelo Juntos se reelege, e a experiência recente nos mostra que quando o assunto é mobilização, a atual gestão do DCE não tem dado nenhum sinal de vida. É só lembrar do que fizeram neste ano, durante todo o processo de impeachment, quando se negaram a colocar a principal entidade estudantil da USP na luta contra o golpe. Nas assembleias, a posição defendida por eles foi contrária a abrir discussões que poderiam colocar o movimento estudantil da USP como ponta de lança contra os golpistas. A corrente conhecida nacionalmente pela figura de Luciana Genro chegou ao absurdo de votar que não se debatesse um posicionamento contra o golpe institucional, isso num momento de ampla politização entre os estudantes, na assembleia estudantil que deliberou a greve que travamos esse ano, e às vésperas do golpe. Depois de consumado o golpe, e com o avanço dos ataques da reitoria de Zago e Alckmin, nenhuma assembleia foi chamada pela atual gestão, apesar de terem usado como mote de sua campanha a ideia de transformar a USP num polo de lutas contra Temer, Alckmin e Dória, algo que não fizeram nesses 7 anos de gestão. Novamente se pinta o quadro de um DCE completamente passivo e sem organizar a mobilização dos estudantes, sem se ligar às mobilizações estudantis que ocorrem no país, como as mais de mil ocupações que vêm acontecendo contra a PEC 241/55 e a reforma do ensino médio.

A segunda colocada nas eleições, que poderia aparecer como a principal alternativa, também não tem condições de responder à altura às necessidades do momento. Foi a chapa Por Todos Os Cantos, conformada pelo PT e Levante Popular da Juventude, que obteve 1597 votos. Seu principal objetivo era a reconstrução do petismo no movimento estudantil, e para isso tentaram se pintar de oposição à atual gestão do DCE. Mas como não romperam com seus acordões com a UNE e a cúpula do PT, fracassaram no seu objetivo. O velho PT já não consegue enganar amplos setores de juventude, e isso vem se expressando também dentro da universidade. Para conseguirem um número grande de votos, precisaram ajustar seu discurso de curso para curso. Em alguns lugares tentaram aparecer à esquerda da atual gestão do DCE, fazendo críticas (algumas até justas) ao imobilismo recente da entidade. Em outros, tentaram confluir com setores mais à direita, se propondo a ser um DCE gestor e corporativista. Mas mesmo tendo uma chapa com muitos militantes, com o apoio da UNE, e de figuras carismáticas como Lula e Haddad, tiveram dificuldade enorme em fazer sua política ressoar na base estudantil. Em alguns institutos que anos atrás eram considerados bastiões do petismo, agora sua expressividade vem se tornando insignificante, a exemplo da Faculdade de Educação, onde tiveram somente 11 votos. A chapa também dizia ter lutado contra o golpe institucional desde o começo, mas não se sabe onde. O PT não movimentou sua base de trabalhadores na CUT nem de estudantes dentro da UNE na luta contra o golpe. Na USP não foi diferente: no curso de Ciências Sociais, onde historicamente dirigem o centro acadêmico, nada fizeram efetivamente contra o golpe, mas pelo contrário, chamaram assembleias estudantis atrasadas e foram o último curso da FFLCH a entrar em greve, quando o momento de mobilização já começava a enfraquecer. Insuficientes e burocráticos, se tornaram uma verdadeira vergonha para um curso que já foi referência de combatividade contra o reacionarismo.

O terceiro lugar no pleito eleitoral ficou com a chapa Primavera Nos Dentes, que ficou com 214 votos. Formada em sua maioria por nós militantes da Juventude Faísca e estudantes dos cursos de Pedagogia, Letras, Ciências Sociais, História e da EACH. Somente no curso de Pedagogia, conseguimos 57 votos, que garantiram a vitória no curso, com mais da metade da urna. Acreditamos que é o programa defendido por essa chapa que melhor nos serve para as demandas atuais. Partimos da perspectiva de que para resistir aos ataques dos golpistas e da reitoria é necessário um DCE que fomente a organização dos estudantes, se ligando com a juventude que está em luta pelo país ocupando mais de mil escolas e universidades, e com os trabalhadores de dentro e fora da USP. Um DCE que busque articular a resistência para que cada um de nós possa ser sujeito na luta contra a PEC 241 e todos os ataques, de forma independente dos acordões petistas. Fomos gestão dos centros acadêmicos de Educação e Letras durante todo o ano de 2016, os dois primeiros cursos a entrarem na greve na USP esse ano, servindo como um ponto de apoio para impulsionar a mobilização geral. Estivemos ativamente promovendo aliança com o SINTUSP durante os piquetes, os trancaços, nos enfrentamentos com a polícia de Geraldo Alckmin, além de construir a primeira ocupação de curso da USP (prédio de Letras), que ao final da greve se tornou um importante trunfo em negociação para que os trabalhadores da FFLCH não tivessem seus salários cortados. Esse resultado nas eleições nos posicionou como a principal chapa de oposição de esquerda à atual gestão do DCE, defendendo uma política independente dos golpistas, da Lava Jato e do PT.

Para consolidarmos de vez essa posição, fazemos um chamado a todos para romperem com a política de passividade e auxiliar ao golpismo que o Juntos vem impondo ao nosso diretório, principalmente aos companheiros do Rua e MAIS, que assim como a Faísca também tiveram uma posição contrária ao golpe institucional, mas preferiam fazer parte da chapa Travessia a dialogar conosco para conformar um bloco de esquerda nessas eleições que realmente lutasse contra os golpistas. Na UERJ, os companheiros do Rua estão conformando ao nosso lado a chapa É Tempo de Resistir, dando peso para a discussão do que significou o golpe institucional para a esquerda e a classe trabalhadora. Nos perguntamos então por que os companheiros do Rua aqui no estado de SP tiveram uma política diferente. Estendemos também o questionamento à militância do MAIS, que recentemente rompeu com o PSTU justamente devido a política golpista do mesmo.

Construir uma entidade estudantil é muito mais do que o rotineirismo e o ciclo anual de eleições. Trata-se de ser realmente audaz na luta contra aqueles que nos exploram e oprimem. Muito além de ganhar eleições com quóruns cada vez mais reduzidos, devido ao desgaste de uma entidade que um dia já foi central na luta contra a ditadura militar e hoje abre mão de cumprir papel semelhante, dirigir o DCE deve significar para a esquerda a coragem de se desligar do PT sem cair no canto da burguesia golpista. Nosso dever é construir um DCE que fomente grandes debates e a organização dos estudantes, e nesse momento responda ao desafio de lutar contra a PEC do fim do mundo. O momento histórico que se coloca para nós não é simples, e por isso nossas tarefas também não serão simples.

Para nós da Faísca e da Chapa Primavera Nos Dentes, cada segundo daqui por diante será valioso. Por isso, continuaremos levando nossa perspectiva, nas eleições do Centro Acadêmico da Faculdade de Letras, e também em mais um ano de gestão do Centro Acadêmico da Faculdade de Educação. Também por isso, nos somaremos à assembleia que o Núcleo de Consciência Negra e o coletivo “Por que a USP não tem Cotas?” estão chamando para a próxima quarta-feira, dia 16/11, às 18 horas no vão da FFLCH. A luta não espera e a vitória não tarda a florescer! Todos e todas à assembleia!




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