Educação

FAFICH/UFMG

Eleições D.A. Fafich: fortalecer o D.A. para enfrentar o segundo ano de governo Bolsonaro na UFMG

quarta-feira 6 de novembro| Edição do dia

Foto: UFMG.

A juventude Faísca foi parte de construir a Chapa 3 “Nosso futuro vale mais que o lucro deles” nas últimas eleições para o DCE da UFMG, e compõe atualmente a gestão do Centro Acadêmico de Filosofia (CAFCA) junto a estudantes independentes. Queremos através deste texto nos posicionar sobre as eleições do DA FAFICH, que precisa levantar um debate à altura da sua importância para organizar a nós, estudantes, na luta por nossas demandas dentro e fora da faculdade.

Bolsonaro e seus seguidores odeiam as matérias de ciências humanas nas escolas pois têm medo de uma juventude que reflita criticamente sobre seu próprio papel e se levante como faz agora o povo chileno. Por isso que nas escolas tentam impor o projeto Escola sem Partido, que como os professores das redes estaduais e municipais corretamente denunciam, trata-se de uma verdadeira Escola da Mordaça e de perseguição aos professores e à juventude. É interessante para o governo que a maioria da juventude brasileira tenha acesso apenas a um ensino básico cada vez mais precário, e não consiga entrar nas universidades federais devido ao filtro de classe e raça do vestibular, para que sirvam de mão de obra barata em trabalhos de super-exploração como Rappi e UberEats.

A reitoria da UFMG e a diretoria da Fafich avançaram com a aprovação de catracas e a proibição dos vendedores ambulantes no campus. Essas são medidas restritivas do espaço público da universidade, que assumem um caráter racista quando reforçam que a população não pode usufruir desse espaço, que na verdade deveria estar a serviço da maioria da população. Mas, perante as primeiras adversidades, a burocracia acadêmica respondeu reforçando uma perspectiva elitista da universidade, tomando decisões sem ouvir a maior parte da comunidade acadêmica que são os estudantes e trabalhadores.

Essas medidas se tornam ainda mais graves haja vista o momento político, em que Bolsonaro e seu ministro Weintraub avançam em projetos de precarização com cortes de bolsas e investimentos, e na tentativa de privatização da universidade pública com projetos como o Future-se. Para esse governo obscurantista, o conhecimento produzido por nós só interessa quando serve aos lucros dos grandes monopólios e do agronegócio.

Por tudo isso que nós da Faísca batalhamos contrariamente a esses ataques e nos somamos às medidas de permanência dos vendedores ambulantes na Fafich, como a associação de vendedores e o abaixo-assinado. Porém, achamos que não podemos ter um papel apenas reativo aos ataques, sempre nos defendendo da ofensiva que o governo impõe. Buscamos construir entidades militantes para poder criar uma força desde a base contra Bolsonaro que consiga contra-atacar e não apenas resistir.

Por isso construímos a Chapa 3 nas eleições do DCE, que teve 8% dos votos numa campanha anticapitalista e revolucionária, construímos o CAFCA na Fafich, estamos batalhando pela fundação de um C.A. nas Artes Visuais e atuamos nas bases de vários outros cursos como na Biologia, em que fomos a segunda força mais votada no curso nas eleições do DCE.

Batalhamos desde o grande ato de 15 de maio para que a direção majoritária da entidade nacional do movimento estudantil, a UNE (União Nacional dos Estudantes), presente hoje na Chapa 2 “Acorda Fafich”, chamasse um plano de lutas desde a base para podermos unificar a luta dos estudantes contra os cortes na educação com a luta dos trabalhadores contra a reforma da previdência, somando nossas forças contra Bolsonaro.

O que vimos, porém, foram chamados de atos e paralisações desarticuladas que serviram até agora apenas para desgastar as enormes forças da juventude e separar as nossas demandas e mobilizações da classe trabalhadora. Além de que a chapa 2, composta pelos grupos Levante, UJS e JPT têm seus representantes de governadores nos estados do nordeste do PT e do PCdoB, que além de apoiarem junto ao governos reacionários a nefasta reforma da previdência, agora mesmo – enquanto as praias estão banhadas de óleo, mais um fruto da ganância predatória dos capitalistas pelo lucro – estão negociando “sua parte do bolo” no megaleilão do Pré-Sal, agravando ainda mais a entrega de nossos recursos ao imperialismo.

A Chapa 2 tem se definido como a “chapa do accountability”, na tentativa de fazer uma oposição à Chapa 1 através de aspectos organizativos, fazendo um desserviço à discussão política quando sequer cita o governo Bolsonaro em seu material eleitoral.

Apoiamos criticamente a Chapa 1 “Lutar e mudar as coisas”. Criticamente, pois os movimentos Afronte, Correnteza e Juntos são os mesmos que estiveram na gestão passada do DA e do DCE, e que poderiam ter se apoiado na disposição de luta que os estudantes demonstraram nas mobilizações contra a educação e a reforma da previdência para fortalecer o movimento estudantil da Fafich de conjunto.

Esses movimentos que também são parte de construir a UNE pela oposição de esquerda e estão nas gestões de várias entidades estudantis pelo país, precisam cumprir o papel de trazer a UNE, que é a entidade que pode nos articular nacionalmente, para as mãos dos estudantes no cotidiano das lutas, e não apenas em momentos eleitorais como meros espaços de disputa por cargos.

Acreditamos que ainda há muito a mudar para termos o nosso D.A. cumprindo esse papel junto às entidades de base e potencializar a disposição militante de cada estudante desde as bases dos cursos, para podermos criar forças capazes de levantar nossa própria resposta frente à extrema direita, sem dar um passo atrás como já estamos vendo acontecer nas ações da direção da Fafich e da Reitoria da UFMG.




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