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GREVE EDUCAÇÃO CONTAGEM

Educadoras em greve respondem: ninguém faz limpeza ou ninguém luta melhor que uma mulher?

O deputado federal Laércio Oliveira, do partido Solidariedade, mesmo partido de Paulinho da Força Sindical, é relator da lei de terceirização de 1998, que foi aprovada na Câmara e pretende terceirizar tudo. Ele afirmou que “Ninguém faz limpeza melhor do que a mulher”. As educadoras em greve de Contagem deram a resposta.

segunda-feira 27 de março de 2017| Edição do dia

"Com relação ao comentário do deputado Laércio Oliveira, gostaria de pontuar que apesar da maioria das mulheres fazer bem o trabalho de limpeza, isso não faz deste tipo de serviço uma ser uma extensão do corpo da mulher, isso ocorre devido à divisão sexual do trabalho que explora a mão de obra feminina nestas atividades desde os primeiros anos de idade, primeiro em treinamentos com brinquedos e depois sendo responsáveis pelas tarefas do cuidado da casa e dos irmãos. Mas, o que precisa ser esclarecido é que essas "habilidades" são estimuladas e para realizá-las precisamos de um corpo saudável, independente do sexo... Portanto, cada pessoa adulta e saudável é capaz de fazer muito bem uma limpeza.
Para termos uma efetiva igualdade de gênero, não bastou que as mulheres ocupassem as atividades na esfera pública, é fundamental que os homens ocupem o espaço doméstico nas atividades de limpeza e cuidado. Só assim poderemos debater a equiparação dos benefícios da aposentadoria. Enquanto isso, ainda continuamos em triplas jornadas por conta de crenças equivocadas como o comentário do deputado. Sua fala reflete o quanto a sociedade brasileira é machista e o quanto precisamos do feminismo." Andressa, professora das redes estadual e municipal em greve em Contagem

"Fizemos esse repúdio a Laerte Oliveira em nossa greve pois acreditamos que é uma luta de todos os trabalhadores a batalha contra as variadas formas de exploração de nossas forças pelos capitalistas. Quando Laerte Oliveira diz que é algo natural à mulher a faxina é uma forma de tentar justificar a dupla e tripla jornada de trabalho, em que as mulheres trabalham em seus empregos e ainda trabalham dentro de casa e nos afazeres domésticos como a faxina. Para acabar com essa visão de que nascemos para faxina e cuidar dos filhos e dos maridos não acredito ser um sonho haver creches, lavanderias e restaurantes públicos. Esses são direitos que nos disseram ser impossíveis. Mas impossível deveria ser pagarmos caro para alimentar a nós e nossas famílias com carne e ingerirmos papelão. O que o capitalismo distorce, nós vamos esclarecer batalhando pela unidade dos trabalhadores que os capitalistas tentam dividir cada vez mais entre efetivos e contratados, homens e mulheres, negros e brancos, cis e trans. Essa divisão tem um único objetivo: manter nossos sonhos e nossos direitos sendo pisoteados por golpistas e seus grandes empresários. Mas nós estamos dando o recado com o 15M, com a greve da educação em Minas Gerais e com esse belo repúdio feito hoje na nossa assembleia. Seguimos firmes na luta contra esse governo golpista e machista e suas reformas que retiram de maneira não vista em décadas nossos direitos." Flavia Valle, professora das redes estadual e municipal em greve em Contagem

"Lugar de mulher é onde ela quiser. E devemos cada vez mais ocupar nossos espaços de direito, como a luta, para combatermos de vez esses machistas asquerosos de plantão!" Bárbara Vilaça, professora em greve e diretora do SindUte, subsede Contagem

"Ninguém faz limpeza melhor do que a mulher? De qual mulher este deputado está se referindo? Provavelmente não é da mulher brasileira que é LUTADORA, GUERREIRA e CORAJOSA! Provavelmente não é de mim que comecei a trabalhar com 15 anos e hoje aos 37 sou esposa, mãe, trabalhadora e militante! De qual limpeza que ele está se tratando? Da limpeza moral e política que este Brasil está sedento? Se for que ele espere esta limpeza nas urnas, que vai responder à altura estes depoimentos insanos que agride a mulher brasileira que a cada dia alcança seu espaço em sua vida pessoal e na sociedade." Adriana de Campos, professora em greve e diretora do SindUte, subsede Contagem

"A precarização do trabalho da mulher é um pilar fundamental para sustentação do capitalismo, uma vez que os patrões lucram mais ainda quando retiram nossos direitos e nos pagam baixos salários, e ainda utilizam essa situação para rebaixar os salários de todos os trabalhadores. Eles querem dividir nossa classe e nos fazer acreditar que somos naturalmente boas para os serviços domésticos, de limpeza e de cuidados. Mas a história está aí para comprovar que podemos fazer o que a gente quiser. Inclusive, ser linha de frente dos processos de luta e de transformação social, como foi na Comuna de Paris, na Revolução Russa, nas recentes ondas de ocupações das escolas e como somos também na nossa greve em Contagem. Com os nossos colegas de profissão nos apoiando, foi muito emocionante aprovar essa moção de repúdio e gritar bem alto que "Ninguém luta como uma mulher"! Tassia Arcenio, assistente escolar contratada da Funec




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