Política

RIO GRANDE DO SUL

Eduardo Leite é a "nova cara" de Sartori para vender o Rio Grande do Sul

sexta-feira 17 de agosto| Edição do dia

Eduardo Leite tem uma maneira peculiar de, nessas eleições, apresentar-se com uma "cara nova": defendendo toda a administração de Sartori. De novo não tem nada tendo em vista seu passado e projetos para o estado. Nessas eleições é fundamental que todas as trabalhadoras, trabalhadores e jovens gaúchos conheçam a respeito de quem é o candidato do PSDB ao governo do estado.

O governo Sartori tem diretrizes corretas. Não temos divergências profundas, mas diferenças de estilo”. Assim Eduardo Leite caracterizou o odiento governo Sartori em entrevista para a Zero Hora no final do ano passado. No debate eleitoral da Band, também saudou o atual governador do MDB. Há três anos e meio Sartori vem arrasando com a vida dos servidores do estado, atacando professores, destruindo os serviços públicos e a vida de boa parcela da população, bem como tentando vender as estatais gaúchas a preço de banana para os grandes empresários. Tudo isso com o apoio do PSDB. É esse legado que Eduardo Leite quer manter para os próximos quatro anos se eleito, mas com “estilo” diferente.

O “estilo” diferente talvez seja vender o estado e atacar os servidores com ainda mais empenho. O ex-prefeito de Pelotas já afirmou algumas vezes que é a favor das privatizações que preveem a venda da CRM, Sulgás e CEEE para o empresariado. Diferentemente do que falou no debate na TV pela BandRS entre os candidatos ao governo, o pelotense já afirmou que defende a privatização do Banrisul durante entrevista para a Band. Agora diz que mudou de ideia, mas é provável que isso não passe de discurso eleitoral, já que a venda do banco público do RS é uma medida bastante impopular no estado. Em meio a enorme crise do estado, a saída que Eduardo Leite propõe é vender estatais e atacar os trabalhadores para poder manter o pagamento da dívida com a União e trazer grandes investidores capitalistas para poder lucrar ainda mais com os trabalhadores gaúchos.

Ou então o “estilo” diferente seja levar para o governo do estado o absurdo exemplo de gestão da saúde que fez de Pelotas manchete em todo o país. Há pouco tempo foi denunciado a farsa dos exames de Papanicolau, exames pré-cancer de colo de útero, feitos em mulheres pelo SUS de Pelotas. Sob administração do governo tucano, o exame era feito por amostragem: a cada 500 amostras, apenas 5 eram de fato analisadas. Há seis anos Pelotas atingiu recordes nacionais, reduzindo a zero os casos. O resultado desse absurdo foi a morte de mulheres cujos exames haviam dado resultados negativos, segundo foi apurado. Trata-se de um descaso criminoso por parte da administração de Eduardo Leite e que deve ser amplamente denunciado.

O candidato do partido de Aécio Neves, Geraldo Alckmin, Nelson Marchezan, Yeda Crusius, José Serra e tantos outros golpistas aparece como uma “renovação”, mas vem com uma coligação de tantos outros partidos ligados à corrupção e ao governo Temer. Marchezan venceu as eleições em Porto Alegre prometendo mil coisas que se mostraram mentira logo nos primeiros meses de mandato. Prometeu que não venderia a Carris, mas saiu atrás de compradores para leiloar a tradicional estatal durante meses. Afirmou que não parcelaria o salário dos servidores, mas estamos vendo na capital a mesma política de parcelamentos e atrasos sendo feitos que Sartori vem fazendo. Ainda por cima, aplicou a reforma da previdência municipal, ameaçando reprimir os municipários em greve. O PSDB lança novas candidaturas, mas repete o Sartori a nível municipal e agora quer levar a nível estadual.

Na prefeitura de Pelotas a veia privatista do PSDB também pulsa. Na gestão de Eduardo Leite foram várias as tentativas de entregar o serviço de água e esgoto para a iniciativa privada, a exemplo de São Paulo. A continuidade da sua gestão, nas mãos agora de Paula Mascarenhas, segue seus planos de privatizar a água. Em uma eventual vitória do tucano, é recomendável que os trabalhadoras e trabalhadoras da Corsan já comecem a se preparar. Para justificar seus planos entreguistas, Eduardo Leite impôs diversos aumentos nas taxas do SANEP, fazendo com que a população pague mais pela água para justificar a privatização.

O tema da segurança pública é sempre uma justificativa para aumentar a repressão contra a população. Em Pelotas não foi diferente. A prefeita Paula Mascarenhas, considerada pelo próprio Eduardo Leite a continuidade de sua gestão, criou um plano de chamado "Pelotas Pela Paz". O plano instituiu um toque de recolher na cidade, entre 22h e 4h, proibindo o consumo de álcool em espaços públicos e inclusive a circulação de crianças e adolescentes, prevendo multas para os pais e responsáveis por jovens que estiverem na rua neste horário.. Sim, se a população de Pelotas fizer um churrasco à noite, na calçada de seu bairro e isso envolver consumo de álcool, poderão ser abordados pela Guarda Municipal. O plano ainda prevê premiação aos policiais que recolherem armas, ou seja, mais dinheiro público para "incentivar" a polícia a reprimir ainda mais.

A nível federal, o partido de Eduardo Leite é um dos principais algozes dos trabalhadores ao defender a reforma trabalhista e a reforma da previdência de Temer, bem como o congelamento de gastos sociais com saúde e educação. Todo o palavreado em defesa dos direitos sociais é na verdade para poder agradar os grandes empresários que veem na venda dos serviços públicos e nas parcerias público-privadas um nicho para poder lucrar às custas dos trabalhadores e do povo gaúcho. O partido de Leite é o mesmo que defende o veto autoritário por parte do judiciário, com suas infindáveis regalias na farra dos auxílio-moradia, ao direito do povo escolher em quem votar. Nós não defendemos o voto no PT e nem a sua política, mas condenamos a escalada autoritária que o judiciário vem fazendo contra o direito do povo poder votar em Lula.

A verdade é que Eduardo Leite, político de carteirinha, é a velha cara da política golpista, privatista, amiga dos capitalistas e contra os trabalhadores, as mulheres, os negros e o povo pobre do Rio Grande do Sul e do conjunto do país. A mesma velha cara da política que quer que mulheres sigam morrendo por abortos clandestinos pelo país, condenando a legalização do aborto como seu partido sempre fez. A mesma cara velha dos corruptos do PSDB que querem que o país siga honrando a dívida pública com os grandes banqueiros que lucram bilhões em meio a uma das maiores crises pela qual vive o país.




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