EDUARDO BOLSONARO

Eduardo Bolsonaro diz que novo presidente da Câmara deve ter "perfil trator"

Em entrevista ao Poder em Foco, Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), deputado federal reeleito e filho do reacionário Jair Bolsonaro (PSL), afirmou que o novo presidente da Câmara dos deputados deve ter um “perfil trator”. Desde já o reacionário mostra que planeja passar como um rolo compressor sobre os trabalhadores.

segunda-feira 5 de novembro| Edição do dia

O reacionário afirmou: “a gente sabe como vai ser a atuação da esquerda. Bastou Bolsonaro ser eleito e eles já falaram que vão fazer de tudo para desestabilizar. Acho que no 1º de janeiro já vai ter pedido de impeachment. Então, com esse tipo de oposição, não tem como dar ouvidos, é tratorar". Assim, defendeu abertamente que o futuro presidente da Câmara deve torná-la ainda mais autoritária, não reconhecendo nenhum tipo de oposição e passando longe de ser uma representação dos interesses da maioria da população, atuando como um rolo compressor, tratorando, aos opositores.

Segundo Eduardo, a garantia da governabilidade conta com um fator fundamental que é o aumento muito significativo da bancada do seu partido escravocrata, PSL, que saltou de 8 para 52. Além disso, ele também conta com a articiulação em favor de pautas do que há de pior na Câmara: as bancadas do boi, da bala e da bíblia. Enquanto atua de maneira descarada e ofensiva, o parlamentar ironicamente defende que os novos deputados devem “chegar devagar, entender quem é quem”, e declarou que quer levar parte deles para um curso nos Estados Unidos com Olavo de Carvalho, para fortalecer seus discursos reacionários e aprofundar a submissão brasileira ao imperialismo.

Na entrevista, Eduardo Bolsonaro trata de temas como a reforma da previdência, o Escola Sem Partido, a indicação de Sérgio Moro e suas declarações afrontosas ao STF.

Sobre a aprovação da reforma da previdência, Eduardo opina que seria possível aprovar apenas uma “mais suave”, para “dar um gás” para o próximo governo aprovar a proposta de Bolsonaro e Paulo Guedes, que é ainda mais profunda e escravista do que a do golpista Michel Temer. Referindo-se à reforma aplicada aos militares, adiantou que "situações desiguais exigem soluções desiguais", deixando claro que estará disposto a defender os privilégios da casta militar.

Em relação ao conservador e reacionário projeto Escola Sem Partido, o parlamentar declarou absurdos, incentivando alunos a filmarem professores “doutrinadores” e escondendo que na verdade o projeto vem para acabar com o pensamento crítico e impor uma só ideologia conservadora. Eduardo afirmou que acha mais possível ser aprovado em 2019 pelo fato de a Câmara ser mais reacionária, e ainda acrescentou que caso passe, a corte teria que enfrentar a pressão popular, provavelmente reprimindo manifestações legítimas de trabalhadores, estudantes e educadores, como promete fazer.

Em um momento, Eduardo fala que a indicação de Sérgio Moro para ministério da Justiça foi “um gol de bicicleta fora da área que Jair Bolsonaro marcou”. Logo após isso, teve a coragem de afirmar o absurdo de que a Lava Jato foi imparcial e que “duvida” que alguém possa levantar alguma suspeição contra ele. A prisão arbitrária de Lula, no entanto, que retirou o direito do povo decidir em quem votar enquanto uma série de corruptos pôde se candidatar, prova o contrário. Os juízes que não foram eleitos por ninguém mostraram que serviram aos interesses da burguesia.

No fim da entrevista, após uma série de absurdos, ao ser questionado sobre sua polêmica declaração de que para fechar congresso bastaria “um soldado e um cabo”, Eduardo tentou se redimir ao dizer que tem que aprender a tomar cuidado com as palavras pois hoje em dia elas valem mais, no entanto, não negou o conteúdo.

Essa série de escândalos que Eduardo Bolsonaro falou durante o programa é apenas um pouco do projeto escravista do presidente eleito, Jair Bolsonaro.. Fazendo jus ao discurso herdeiro da ditadura militar do pai, o deputado federal não mediu para expor quais são seus objetivos: reprimir movimentos, não permitir nenhum tipo de oposição, acabar com o pensamento crítico e descarregar ainda mais a crise nas costas dos trabalhadores, aprovando através da força o que Temer não conseguiu.

Para barrar todas essas duras ameaças de ataques, é preciso que o PT rompa seu imobilismo e convoque um verdadeiro e ofensivo plano de lutas contra Bolsonaro, o golpismo e as reformas. A estratégia eleitoral proposta pelo PT já se mostrou impotente para combater a extrema direita. Com a direção das maiores centrais sindicais e entidades estudantis da América Latina, o partido prefere apostar no parlamento ao invés de chamar assembleias, debates, atos, paralisações e greves. Por isso, é urgente que sejam organizados pela base comitês em cada local de estudo e trabalho, exigindo que a CUT, CTB e UNE acabem com sua paralisia, para que se levante uma grande força de trabalhadores e estudantes nas ruas, única forma de impor que sejam os capitalistas que paguem pela crise.




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