Opinião

EDITORIAL ESTADÃO SOBRE CONDENAÇÃO DE LULA

Editorial do Estadão: condenem Lula e joguem o resto para debaixo das togas

Entusiasmados pelo “bom senso do Supremo” que rejeitou na noite de ontem (04) o Habeas Corpus de Lula, o Estadão segue alvoroçado pelo petista na cadeia. Apoiadores do golpe institucional de 2016, a elite grita, por cada canto de seu editorial, pela continuidade do golpe, dos ataques contra os trabalhadores e contra o direito do povo decidir em quem votar.

Douglas Silva

Estudante da UFJF

quinta-feira 5 de abril| Edição do dia

Quando o judiciário julga com o “bom senso” da direita – tão elogiado pelo editorial – e atua como um partido, o que assistimos é um julgamento para cada réu. Alguns são jogados aos lobos e outros...bem, outros são como o Aécio, nunca condenados e, se preciso, salvos por alguém daquela Praça dos Três Poderes e esquecidos pelo jornal com “bom senso”, mas pouca memória.

Contudo, o que o editorial do estadão tenta esconder são os “interesses políticos” por trás de cada ato ensaiado pelo STF. Do golpe que tirou Dilma da presidência a condenação de Lula num processo autoritário e arbitrário, o que liga cada passo de continuidade do golpe são os interesses políticos e econômicos das elites. Interesses que vão muito além da prisão de Lula como fruto de um “combate a corrupção” como tentar fazer entender o estadão. A condenação do líder petista, assim como o impeachment de Dilma, está a serviço dos mesmos senhores a quem serve o editorial.

Na decisão de ontem, o Supremo “não se curvou a Lula”, porque se mantinha curvado aos interesses imperialistas. Os mesmos interesses a quem serve o juiz Sérgio Moro e sua operação Lava Jato, presente nas reverências do jornal aos juízes de instâncias inferiores que “julgaram seu caso [de Lula] exclusivamente conforme as provas. ” Ou seriam sem provas, mas com convicções? Perguntem ao Dallagnol.

Para cada linha do estadão sobre o julgamento de Lula, outras duas não escritas sobre a PEC do teto dos gastos, a Reforma Trabalhista, do Ensino Médio, o sucateamento da educação e cada ataque contra os trabalhadores legitimado pelo “partido judiciário” com aval de um dos maiores jornais do país.

Os condenados e os que correm para debaixo das togas

Se ministros como Cármen Lúcia votaram ontem contra o HC de Lula porque “ninguém está acima da lei”, no passado, em 2010, Cármen Lúcia votou a favor da impunidade dos militares sobre os crimes políticos cometidos durante a ditadura. Na época, a OAB pediu revisão da Lei da Anistia. Cármen e os ministros foram parte de manter o "perdão" aos militares.

Aplaudindo a escalada autoritária do judiciário, com altos salários e não eleito por ninguém, contra o direito de o povo decidir em quem votar, hoje eles se juntam à mesa: a grande mídia, o judiciário e o exército, juntos comemoram a continuidade do golpe.

Leia aqui o editorial do Estadão




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