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Editoral do Estadão de hoje: Temer comprar deputados é natural e saudável

sexta-feira 27 de outubro| Edição do dia

O conservador diário paulista Estadão publicou nessa sexta-feira um editorial chamado "Demonstração de Força" onde comemoram a vitória de Temer contra denúncias que eles reputam "ineptas". Até ai nenhuma novidade, coerente com a linha editorial da família Mesquita que controla o jornalão. Mas foram muito além, desdenharam a população que não quer Temer, e mais, trataram como coisa mais natural do mundo que Temer compre deputados.

Em meio à decadência da Nova República e a despudora defesa de ataques aos trabalhadores como a Reforma da Previdência, as aparências "republicanas", "democráticas" já não importam mais nada. O que importa é a vitória da agenda de privatizações, reforma da previdência e congêneres. Lembra daquele "maquiavelismo" que imputam aos marxistas? Que nada. Ninguém compete com um setor despudorado da burguesia paulistana como o Estadão, vanguarda do atraso pátrio. Para o Estadão não importam os meios (Temer, compra de deputados, mostrar que o sufrágio popular pouco importa) só os seus interesses vendidos como interesses de todos brasileiros.

O editorial tem como descrição uma frase que já visa provocar aqueles 93% a 97% (segundo a pesquisa) dos brasileiros que querem a saída de Temer, negando sua importância, dizem: "A única oposição de fato ao presidente Michel Temer se limita hoje às redes sociais e aos partidos desalojados do poder depois do impeachment de Dilma Rousseff". Não existem os brasileiros, ou se existem não constituem uma oposição real, pois não tomam as ruas, os editoriais dos jornalões nem subvertem um jogo de cartadas marcadas a partir de R$ 12 bilhões em emendas e medidas.

E essa fartura para comprar deputados (12 bilhões dariam para sustentar todas universidades federais por dois anos), mesmo em meio a penúria da saúde e educação públicas seria algo normal e saudável. Trata-se segundo esse editorial da "realidade da natural negociação política entre governo e Congresso Nacional se impõe, como no caso das articulações para rejeitar as denúncias contra Temer" e que Temer é um apto presidente e faz o que é normal e desejável: "Mas o regime de governo brasileiro ainda é presidencialista, e Michel Temer demonstrou que sabe como usar o poder da Presidência na negociação com o Congresso".

Realidade natural?!

E todos aqueles discursos que somos educados a ouvir e acreditar desde as escolas sobre o que chamam "democracia"? E Aquelas cantinelas todas sobre a nobreza que deve-se ter na política? O que fazer com essas ideias? Melhor jogá-las fora.

A burguesia em decadência tira suas vestes. Não importa mais o povo pense. Não importa mais que o sistema política em decadência se sustente comprando deputados. Não importa que o povo não quer no poder aquele que nunca elegeu. A política dizem os iluminados do Estadão não tem que se guiar pelo sentimento "histérico" que domina nas redes sociais (nada diferente do que se ouve nas ruas). Há gente mais apta a decidir os rumos do país do que o povo.

A manutenção de Temer no poder não depende de regras normais da democracia burguesa. Ele se mantém porque parcelas da elite o querem, e a classe média esperançosa em alguma melhoria na economia prefere ficar parada. Temer nunca foi popular mesmo, isso é assim mesmo, o que importa é agenda que ele toca pode-se ler em outra passagem.

Em meio a sinceridade despudorada desse editorial classista, de declamação de princípios, métodos e interesses faz falta um título mais adequado ao editorial do jornal paulista, deixamos como sugestão um: "Democracia para nós da elite é assim mesmo, corrupta, e isso é bom se ajudar na Reforma da Previdência".




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