Internacional

NOVA PROVOCAÇÃO IMPERIALISTA

EUA vaza ameaça intervencionista mostrando anotação “5 mil tropas à Colômbia”

Na última segunda-feira (28), durante anúncio sobre o confisco de parte do patrimônio da empresa estatal petroleira da Venezuela (PDVSA) em uma conferência de imprensa, o assessor de Segurança Nacional dos Estados Unidos, John Bolton, deixou mostrar que tinha escrito em seu caderno “5000 tropas à Colômbia”.

quarta-feira 30 de janeiro| Edição do dia

Em uma ampliação de fotografias realizada por diversos meios de comunicação durante a coletiva de imprensa, lia-se duas anotações no caderno de Bolton: a primeira era “Afeganistão, bem-vindas as negociações” com os talibãs, enquanto a segunda dizia “5000 tropas para a Colômbia”.

Até o fechamento desta nota, a Casa Branca não havia dado explicações sobre a questão, enquanto a Colômbia, uma dos principais aliados dos E.U.A. na América Latina, que também reconheceu Guaidó como presidente da Venezuela, disse por meio do chanceler Carlos Holmes Trujillo, que o governo de seu país não possui nenhuma informação sobre a anotação de Bolton. “No que diz respeito à menção sobre a Colômbia no caderno de notas que o senhor Bolton tinha em mãos, desconhecemos o alcance e a razão de tal anotação”, disse.

Embora Bolton não mencionou em nenhum momento durante a conferência de imprensa este hipotético envio de tropas à Colômbia, país que divide uma ampla fronteira com a Venezuela e recebe a maior parte de imigrantes, de fato incitou os militares venezuelanos a apoiar Guaidó, que se autoproclamou presidente interino do país caribenho na quarta-feira (23), sendo imediatamente legitimado pelos E.U.A., que foram parte fundamental do planejamento golpista.

“Chamamos os militares e as forças de segurança venezuelanas a aceitar a transição de poder pacífica, democrática e constitucional”, disse Bolton, que se pronunciou junto ao secretário do Tesouro dos E.U.A., Steven Mnuchin, que detalhou as sanções à PDVSA, incluindo o insólito anúncio de que “o caminho para a suspensão destas sanções se dará a partir da rápida transferência de controle ao presidente interino ou a um governo posterior, eleito democraticamente”. Ou seja, estes recursos, que pertencem ao povo e ao Estado venezuelanos, serão colocados à disposição do deputado de direita Juan Guaidó – a prova mais contundente de que a Casa Branca pretende ditar quem governa a Venezuela.

O Governo Maduro não apenas vem há anos descarregando brutalmente a crise econômica sobre os trabalhadores e o povo pobre através de uma inflação descomunal que assola a população em fome, como também vem reforçando e aprofundando o autoritarismo do regime e a repressão contra os protestos sociais. Os falsos slogans sobre o “socialismo”e a “revolução bolivariana” são mero disfarce de um capitalismo dependente que garantiu, inclusive durante os anos do Governo Chávez, os grandes negócios capitalistas, especialmente os dos Estados Unidos que são seu principal comprador de petróleo. E nunca, mesmo o povo passando fome, lhe ocorreu deixar de pagar a dívida externa, o principal mecanismo de espoliação da riqueza dos povos latino-americanos.

Porém, à medida que passam os dias, torna-se mais claro que as intenções norte-americanas não têm nada a ver com “restaurar a democracia”, “devolver a liberdade aos venezuelanos” ou melhorar a catastrófica situação econômica. As ações imperialistas na última segunda-feira deixam evidentemente claro, se ainda restava alguma dúvida, que o objetivo é impor um governo fantoche dos seus interesses na Venezuela e assim aprofundar as ofensivas que vem sido investidas em toda a região há anos, principalmente após o golpe institucional a Dilma Rousseff em 2016 e a posterior manipulação eleitoral no Brasil para impor o governo de extrema-direita de Bolsonaro, a completa subordinação do Governo Macri ao FMI, ou o restante dos governos reacionários e pró-imperialistas como os de Piñera, Duque, Moreno, Vizcarra etc.

De fato, o governo yankee disse na semana passada que “todas as cartas estão sobre a mesa”, em referência a uma eventual intervenção militar na Venezuela, provocação que agora se renova com esse vazamento deliberado sobre as “5 mil tropas para a Colômbia”. Trata-se de mensagens de provocação para promover uma racha em algum setor das Forças Armadas venezuelanas que possibilitem tirar Maduro do poder.

No marco desta crescente tensão, as sanções anunciadas à PDVSA têm como objetivo afogar economicamente o Governo Maduro. Segundo Bolton, irão afetar 7 bilhões de dólares em ativos da petroleira e provocarão 11 bilhões de dólares em prejuízos ao largo do próximo ano.

A guerra econômica é uma ferramenta muito comum utilizada pela máquina imperialista para impor seus interesses sobre povos soberanos, sem nenhuma consideração pelas consequências catastróficas sofridas pela população trabalhadora, causando-lhe ainda mais penúrias do que já suportam.

Por isso, mais do que nunca, é preciso rechaçar e enfrentar estas agressões e provocações imperialistas e exigir o fim imediato da interferência yankee na política interna da Venezuela, de maneira independente do governo de Maduro que, com sua política de fome e repressão, é responsável por ter aberto o caminho à direita e facilitado os planos do imperialismo.

A Frente de Esquerda, desde a Argentina, estará construindo a mobilização na tarde desta terça-feira (29), em frente à Chancelaria argentina em Buenos Aires, para repudiar a tentativa golpista e a crescente interferência imperialista, com uma política independente.




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