Internacional

TRUMP SOBRE A VENEZUELA

EUA quer “seguir dialogando” com Maduro

EUA disse que quer “seguir dialogando” com Maduro a pesar de que Trump o chamou de ditador e o responsabilizou “pela saúde e a segurança” de Leopoldo López e Ledezma.

quarta-feira 2 de agosto| Edição do dia

Trump, responsabilizou nesta terça-feira Nicolas Maduro “pela saúde e segurança” de Leopoldo López e Ledezma, e definiu seu governo como uma “ditadura”. Sem embargo horas antes o subsecretário Suramérica dos EUA, declarou que querem “seguir dialogando” com Maduro.

Em um comunicado direto de Donald Trump, referindo pessoalmente pela primeira vez a Venezuela como “ditadura” depois de que já o fizera seu governo segunda-feira, declarando que “Estados Unidos condena as ações da ditadura de Maduro. López e Ledezma são presos políticos detidos ilegalmente pelo regime”, agregando que “EUA responsabiliza Maduro – que anunciou horas antes que atuaria contra sua oposição – pela saúde de López, Ledezma e de qualquer outro detido. Reiteramos nossos chamado a liberação imediata e incondicional de todos os presos políticos”. Em fevereiro deste ano Trump havia exigido a liberação de Leopoldo López, após encontrar na Casa Branca, com Liliana Tintori, a esposa e dirigente de Voluntad Popular.

Leopoldo López passou mais de três anos na prisão militar de Ramo Verde, arredores de Caracas, após ser condenado a quase 14 anos por “a violência desencadeada após uma marcha antigovernamental em 2014”. Ledezma, por sua associação, foi detido em fevereiro de 2015 “acusado de conspiração e associação criminosa” e após dois meses em Ramo Verde passou o resto em prisão domiciliar por questões de saúde.

A condenação por estas detenções chega depois de que Washington sanciona esta segunda-feira Maduro, a quem qualificou de “ditador” pela primeira vez, com a congelação dos ativos que pode ter baixo jurisdição estadunidense e a proibição de transações financeiras. A decisão ocorreu, em total chave de intervencionismo imperialista, “em resposta” aos comícios de domingo para eleger os representantes da Assembleia Constituinte convocada por maduro, que Estados Unidos não reconhece.

Mas por declarações do subsecretários adjunto de Estado dos EUA para Suramérica no Departamento de Estado, Michel Fitzpatrick, Estados Unidos segue considerando legítimo o Governo de Maduro e não se levantaria admitir um possível Executivo paralelo formado pela oposição. Apesar de definir a Venezuela como uma “ditadura”, Fitzpatrick buscou matizar que EUA não pretende reconhecer a Assembleia Nacional (NA, Parlamento) como organismo de Governo alternativo, mesmo se esse órgão legislativo tentasse se conformar como aparato estatal paralelo ou aparte. Respeitamos o Governo oficial da Venezuela e do presidente Maduro neste momento”, salientou o funcionário estadunidense, agregando além disso, de acordo a uma entrevista deste funcionário estadunidense a agencia Efe, “queremos dialogar com o governo do presidente Maduro”.

Estas afirmações as realiza o funcionário yanki considerando que a oposição aglutinada na MUD já havia antecipado que prontamente conformariam um “governo de unidade nacional” depois da realização de seu enganado plebiscito do 16 de julho, ameaçando converter-se em “um governo paralelo”.

Com o cinismo típico de um funcionário imperialista de um governo que também viola direitos democráticos de muitos povos e países do mundo, Fitzpatrick declarou que “o que temos visto durante o último 18 meses é uma série de decisões e ações do Governo da Venezuela (para) asfixiar o mundo democrático, fechar mais espaços para diferenças de opinião, atacar qualquer organização ou grupo de pessoas que pensem diferente”. Teria que recordar as invasões imperialistas a países justamente por pensar diferente dos Estado Unidos.

Em tom mais ameaçante em fundamental intervencionismo, afirmou além do mais que “é possível” que a Casa Branca decida aumentar as sanções ao Governo venezuelano devido ao regresso a prisão dos líderes opositores venezuelanos Leopoldo López e Antonio Ledezma, recordando que ainda podem impor “sanções setoriais” que afetem o petróleo da Venezuela.

Voltando a insistir, em reposta a quem considere que as sanções de EUA até o momento são simbólicas, que “agora o presidente Maduro é membro de um clube muito exclusivo, de poucas pessoas no mundo, sancionadas como líderes de seus países, como o presidente Zimbabue, (Robert) Mugabe, o presidente (Bachar al) Asad na Síria e o presidente da Coreia do Norte (Kim Jong-um)”, sublinhando que se trata de “um clube bastante exclusivo. É uma sanção dura”. Embora a sanção proíba a estrada de Maduro no território estadunidense, poderá aterrissar em Nova York sem problemas se desejar assistir em setembro a Assembleia Geral da ONU, precisando o funcionário de Trump que “por suposto (se lhe permitirá a entrada)”.

A sanção a Maduro se impôs um dia depois da realização das eleições da “Constituinte” deste domingo, depois de ter sancionado a semana passada a 13 altos funcionários do governo, e em fevereiro deste mesmo ano tê-lo feito contra o vice-presidente do país, Tarek Al Aissami, a quem segundo o governo dos Estados Unidos, foram congelado “cerca de 500 milhões de dólares” em ativos que teriam em seu território.

Todas estas declarações e ações do governo estadunidense e a ameaça de avançar com sanções diretas, já não só contra funcionários se não que poderiam incluir a empresa estatal de petróleo, são uma mostra mais da política abertamente intervencionista de parte da principal potência imperialista. Como temos escrito, nem Trump nem nenhum governo dos ricos e poderosos dos EUA e de qualquer outro continente tem nenhum direito de impor sanções a Venezuela ou qualquer tipo de intervenção. Longe de preocupar-se por questões de “democracia” ou direitos humanos, em verdade o que buscam pescar no rio revolto e aproveitar é ampliar o descontentamento contra o governo para reforçar sua prepotência e dominação imperialista. Rechaçamos as intervenção imperialista e toda sua prepotência assim como aplicação de sanções ou qualquer tipo de sanções econômicas e financeiras.

Tradução Douglas Silva




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