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EUA | O capitalismo é um vírus: cadeias de valor, luta de classes e a frente única

Jimena Vergara

EUA | O capitalismo é um vírus: cadeias de valor, luta de classes e a frente única

Jimena Vergara

[De Nova York] O coronavírus se espalhou por todo o mundo através dos circuitos de capital e cadeias de valor, dividindo a classe trabalhadora e colocando em risco milhões de trabalhadores da linha de frente. Reorganizar as forças do proletariado para responder a essa ameaça é o único caminho.

Belokamenka é uma comunidade rural no Ártico russo com uma população permanente de apenas 85 pessoas. A localidade fica a centenas de quilômetros de qualquer coisa que se assemelhe a uma cidade e é um dos últimos lugares em que você esperaria um grande surto de COVID-19. No entanto, no final de abril, mais de 200 residentes temporários - trabalhadores em um canteiro de obras de instalações de gás natural líquido - foram diagnosticados com a doença. O surto se espalhou rapidamente pelo canteiro de obras de 600 acres em grande parte devido às condições de vida dos trabalhadores e à total falta de medidas de distanciamento social. Mas como o vírus conseguiu chegar a um local tão remoto em primeiro lugar?

Como uma doença que foi originalmente diagnosticada em Wuhan, na China, conseguiu chegar aos lugares mais distantes do globo em um período tão curto de tempo, apesar de todos os esforços para contê-lo? A resposta é simples: a doença se espalhou tão rapidamente - mais rapidamente que qualquer vírus anterior - seguindo os mesmos circuitos que conectam a cadeia global de suprimentos just-in-time, uma cadeia que é alimentada pelo tipo de energia barata que as instalações de Belokamenka tornam possível e o tipo de mão-de-obra imigrante barata necessária para construir uma instalação assim. Embora vírus humanos frequentemente acompanhem o fluxo de mercadorias - a peste bubônica, por exemplo, viajou ao lado de rotas comerciais por anos - a velocidade e a escala em massa do capitalismo globalizado produziram um cenário no qual as doenças podem se espalhar por todo o planeta em apenas uma questão de semanas. Nesse sentido, a COVID-19 é a primeira grande pandemia da era do capitalismo global.

No entanto, como explica Kim Moody, os mesmos circuitos que permitiram que produtos e doenças viajassem o mundo na velocidade da luz são possíveis apenas pelo trabalho altamente explorado de milhões de trabalhadores da logística através de um punhado de empresas, e esses circuitos são, portanto, extremamente vulneráveis a perturbações. Como Moody explica:

Três décadas de racionalização e refino do movimento de mercadorias ao longo de cadeias de abastecimento tecnologicamente aprimoradas, mas intensivas em mão-de-obra, aceleraram a velocidade da transmissão de doenças, bem como de mercadorias e dinheiro. Mas a própria velocidade dessas estreitas artérias do comércio também aumentou sua vulnerabilidade a disrupção.

O valor competitivo que essas cadeias fornecem depende quase inteiramente de sua capacidade de colocar commodities e matérias-primas onde precisam estar exatamente quando são necessárias. Qualquer interrupção menor ao longo do caminho pode levar todo o processo ao caos e custar às empresas milhões ou dezenas de milhões de dólares por dia em despesas ou lucros perdidos. Para Moody, a lição aqui é óbvia. O impulso do capitalismo em direção à eficiência e suas tentativas de extrair valor a cada minuto do processo de produção e distribuição significa que os trabalhadores das indústrias que possibilitam que essas cadeias de suprimentos (para não mencionar aqueles que trabalham em produção de alto valor agregado próxima de centros logísticos e aqueles que ajudam a produzir e manter a infraestrutura de logística) tenham um enorme potencial de alavancagem. Com efeito, a natureza da cadeia global de abastecimento mostra que, apesar de toda a tecnologia avançada por trás do capitalismo globalizado, ainda são os trabalhadores que fazem o mundo andar, e são os trabalhadores quem tem o poder de desligá-lo.

Não é de surpreender que esses trabalhadores essenciais, aqueles que trabalham ou ajudam a sustentar os muitos tentáculos da cadeia global de suprimentos, também sejam alguns dos mais vulneráveis. Enquanto milhões de trabalhadores foram demitidos e jogados na pobreza, aqueles que ainda estão na linha de frente da distribuição, transporte e produção de alimentos e energia estão sendo forçados a correr os maiores riscos, muitas vezes com as menores proteções. Os trabalhadores migrantes de Belokamenka, por exemplo, não tinham equipamento de proteção individual, luvas, máscaras ou anti-sépticos. Nos EUA, o centro de distribuição e o pessoal de entrega são forçados a trabalhar em instalações onde o vírus já foi detectado, geralmente sem equipamento de proteção individual adequados.

Enquanto isso, os trabalhadores do processamento de alimentos por todo o país, particularmente nas fábricas de carnes e aves, tiveram taxas de infecção acima de 50% em alguns locais de trabalho. Muitos desses trabalhadores da linha de frente são pessoas pobres, negra, latinas, e imigrantes que vivem de salário em salário e que não podem se dar ao luxo de tirar uma folga de quarentena. Trabalhadores indocumentados, em particular, porque não recebem liberação do “pacote de estímulo”, não são elegíveis para o seguro-desemprego e estão sujeitos à deportação a qualquer momento, são efetivamente forçados a trabalhar em condições inseguras ou enfrentar a ruína econômica.

Luta de classes na pandemia

Em resposta a essas condições terríveis, os trabalhadores da linha de frente de todo o país, que se mantém trabalhando, têm se levantado para proteger suas vidas e seus meios de subsistência. De acordo com o Payday Report , houve mais de 190 greves selvagens em todo o país desde o início de março. Muitas dessas ações e greves ocorreram em setores vitais para a produção e distribuição de bens essenciais. De trabalhadores de depósitos e fábricas a atendentes de casas de idosos, carpinteiros, caixas de mercado e entregadores, os trabalhadores lideraram greves, paralisações e afastamentos médicos coletivos exigindo de tudo, desde condições mais seguras no local de trabalho e equipamentos pessoais de proteção a licenças médicas remuneradas, bônus de insalubridade e salários mais altos.

Em Massachusetts, por exemplo, 13.000 carpinteiros recusaram-se a trabalhar devido a condições inseguras causadas pelo vírus. Os trabalhadores da General Electricem Massachusetts também protestaram em apoio à produção dos respiradores tão necessários, demonstrando que os trabalhadores têm soluções para a pandemia. Na Califórnia, centenas de trabalhadores de fast-food entraram em greve por auxílio-doença e licença médica remunerada, enquanto em Nebraska, açougueiros em uma fábrica de processamento de carne suína Smithfield, desafiando o pedido do presidente Trump de forçar os frigoríficos a permanecerem abertos, depois que cinquenta de seus colegas de trabalho deram positivo para a COVID-19. No Primeiro de Maio, trabalhadores de algumas das maiores empresas de logística e entrega do país, incluindo Amazon, Whole Foods e Target, chamaram greves em todo o setor e, apesar de mal-sucedidas (acabaram mais como protestos do que greves), essas manifestações, no entanto, mostram que muitos trabalhadores estão cada vez mais abertos à ação coletiva e prontos para a luta.

Além de ações nos locais de trabalho como essas, outros trabalhadores ao redor do país, incluindo muitos profissionais de saúde, estão se organizando em defesa dos mais oprimidos. Em hospitais de todo o país, os enfermeiros protestaram para exigir equipamento de proteção individual (EPIs) adequados e até se uniram a trabalhadores grevistas e linha de frente nos depósitos da Amazon, bem como a outros trabalhadores essenciais e comunidades negras e latinas mais afetadas pela crise. Enquanto isso, muitos outros trabalhadores empregados e desempregados vêm incansavelmente construindo movimentos para um boicote de aluguéis em massa e para a libertação de trabalhadores encarcerados, presos em cadeias e centros de detenção de imigrantes superlotados e inseguros. É o caso das greves de inquilinos por congelamento dos aluguéis ou do movimento Free Them All pelo fechamento de centros de detenção de imigrantes e a abolição de prisões.

Como nas greves do Primeiro de Maio, a maioria dessas ações foram greves ilegais ou descontroladas, geralmente em locais de trabalho não sindicalizados, onde não há liderança burocrática para impedi-las. Elas também foram de natureza defensiva, concentrados na saúde, segurança, licença médica e proteção salarial durante a pandemia. E, com exceção das greves do Primeiro de Maio, que em certa medida foram coordenadas na indústria de supermercados e entrega de alimentos, a maioria se limitou a esse ou aquele local de trabalho. Embora o grande número de greves seja certamente histórico, grande parte dessa luta tem sido amplamente espontânea, liderada por um pequeno setor de trabalhadores mais avançados, e ainda não está nem perto da luta de massas necessária para obter ganhos reais em indústrias inteiras, muito menos na classe como um todo. De fato, enquanto a pandemia tem consideravelmente aumentado a luta de classes entre os, tão chamados, trabalhadores “essenciais”, ela também exacerbou e pôs em cintilante evidência as divisões já existentes no interior do conjunto da classe trabalhadora.

A natureza da pandemia e das quarentenas dividiu a classe trabalhadora em vários setores. Por um lado, existem milhões de trabalhadores capazes de trabalhar de casa com segurança - pelo menos até agora - com uma interrupção econômica ou social mínima. Por outro lado, existem aqueles trabalhadores essenciais, muitos deles em logística, produção e entrega, que têm pouca escolha a não ser continuarem trabalhando, possibilitando que outros permaneçam abrigados. Esse segundo grupo, é claro, também inclui profissionais de saúde, enfermeiros e médicos da linha de frente, que são mais economicamente seguros, mas geralmente mais vulneráveis à infecção. Mas há também um terceiro grupo de trabalhadores: os desempregados. Na última quinta-feira [7 de maio], mais de 33 milhões de trabalhadores haviam solicitado seguro-desemprego desde março [nos EUA]. Embora enorme, esse número nem ao menos inclui aqueles que não se qualificam ao seguro, como os milhões de trabalhadores imigrantes que foram demitidos na indústria de restaurantes ou aqueles que não foram capazes de requisitar porque os escritórios já estão sobrecarregados de requisições.

O capital, é claro, sempre procurou dividir a classe trabalhadora. Ao privilegiar certos trabalhadores (geralmente na linha racial) e ao manter um exército de reserva de trabalho excedente cuja pobreza pura opera como um aviso para outros trabalhadores e cujo desespero pelo trabalho reduz os salários e limita a luta, o capital enfraquece o poder coletivo da classe. Mas a pandemia e a catástrofe econômica resultante exacerbaram essas divisões. Ao mesmo tempo, porém, a crise tornou o poder coletivo da classe trabalhadora mais óbvio do que nunca. O desafio diante de nós, então, é o seguinte: como conectamos as lutas dos trabalhadores atualmente em movimento (especialmente dos trabalhadores precarizados da linha de frente) às lutas e interesses de toda a classe, incluindo aqueles atualmente sem emprego? E como usamos essa unidade para construir uma classe capaz de lutar, conquistar o socialismo e construir a estrutura para um futuro comunista?

O Obstáculo da Burocracia no Movimento Operário

Embora seja sedutor ver a natureza espontânea da atual luta de classes como um repúdio à necessidade de organização laboral para a luta de classes em larga escala, permanece o fato de que qualquer ação coordenada capaz de construir a força da classe trabalhadora é impossível sem a capacidade organizacional de massas dos sindicatos nacionais e de seus sindicatos filiados. Infelizmente, a natureza conservadora da direção sindical significa que qualquer ação coletiva será improvável sem um confronto direto com a burocracia sindical. Na verdade, com algumas exceções notáveis, até agora a maioria dos grandes sindicatos nacionais, incluindo United Auto Workers, Teamsters, Federação Americana de Professores e União Internacional de Empregados de Serviços, se contentaram em negociar os termos da quarentena por meio dos processos usuais de negociação coletiva, lobby e acordos de portas fechadas entre executivos sindicais, gerentes e governos estaduais e federais. Por exemplo, a International Trade Union Confederation (ITUC), à qual o AFL-CIO pertence, pediu o que chamam de “diálogo social” e coordenação entre “sindicatos, empregadores e governos”, alegando que essa coordenação é a única maneira de garantir que as pessoas “mantenham a confiança em seus governos” e garantam “um futuro pós-pandemia que não deixa ninguém para trás”. Essa linguagem mostra claramente até que ponto todo o aparato da burocracia sindical é pouco mais que um parceiro júnior do capital.

No entanto, esta crise é diferente de qualquer outra que já vimos antes. O colapso econômico que se aproxima e a severa austeridade que provavelmente se seguirão são precisamente os tipos de eventos capazes de empurrar os sindicatos para a esquerda. É bem provável, por exemplo, que os sindicatos enfrentem enormes pressões para conceder concessões após a pandemia. Os cortes estaduais e federais na educação e nos serviços públicos, em particular, afetarão especialmente a força de trabalho do setor público - e o setor público é de longe o maior setor de trabalhadores sindicalizados no país. Para se defender da ameaça existencial de tais ataques, os sindicatos quase certamente serão forçados a assumir posições mais fortes e a defender ações defensivas mais radicais no próximo período.

E é aí que entram as fileiras. Se os sindicatos forem sobreviver a essa crise, eles precisarão ser pressionados por seus membros a se comprometerem com lutas mais amplas e mais confrontosas contra o Estado, que incluem a luta em nome da classe como um todo. A base dos sindicatos deve exigir que as direções sindicais quebrem sua trégua com o governo e as empresas e transformem suas organizações em armas da luta de classes. Isso significa lutar por saúde, segurança e proteções econômicas para todos os trabalhadores, sindicalizados ou não, incluindo os desempregados. Mas isso também significa que os sindicatos devem assumir a luta contra os ataques racistas que as comunidades negras e latinas estão sofrendo e desenvolver um plano de luta para que as organizações de trabalhadores assumam a liderança na luta pela defesa do povo negro e latino.

Tais ações, embora não sejam vistas nos EUA há muitas décadas, já acontecem em todo o mundo, e não há razão para que não possam acontecer aqui. Na França, sindicatos nacionais e manifestantes coletes amarelos se uniram para lutar ao lado de toda a classe trabalhadora para proteger as aposentadorias nacionais. No Chile e na Colômbia, os sindicatos marcharam ao lado dos trabalhadores não-sindicalizados, desempregados e estudantes para desafiar seus governos nacionais e obter as reformas necessárias. E, mais recentemente, os sindicatos na Itália ajudaram a organizar uma greve geral de massaspara parar a produção não-essencial. Enquanto isso, os EUA já viram esboços de tais ações nas massivas greves de professores de 2018 e 2019. Se essas greves são algum indicativo do espírito de luta da classe trabalhadora dos EUA, então podemos esperar continuar vendo uma crescente luta de classes na medida que os trabalhadores lentamente começam a retornar aos seus locais de trabalho.

A Necessidade da Frente Única

Apesar dos níveis crescentes de luta de classes, a epidemia atingiu brutalmente a classe trabalhadora, que atualmente está sendo devastada pelo desemprego. E, infelizmente, o pior ainda está por vir. Por esse motivo, os trabalhadores precisam formar uma resposta defensiva coletiva para enfrentar a crise. Para tirar proveito da fraqueza das cadeias de fornecimento do capital e da crescente onda de luta de classes espontânea - que certamente aumentará à medida que os trabalhadores começarem lentamente a retornar aos seus locais de trabalho - socialistas revolucionários e trabalhadores devem agitar pela ampla unidade de classe, incluindo sindicalizados e trabalhadores não-sindicalizados, indocumentados, encarcerados e desempregados, a fim de confrontar o poder dos patrões e do Estado.

Por si só, os sindicatos podem conseguir essa ou aquela pequena demanda em seus próprios locais de trabalho, mas esses ganhos são facilmente perdidos em outros lugares. Trabalhadores de logística e produção, como sugere Moody, mesmo aqueles sem sindicatos, podem ter alavancagem para ganhar salários mais altos ou maior segurança no emprego, mas sem uma classe trabalhadora unida, eles ainda enfrentarão opressão e exploração no seu dia-a-dia. O ataque de décadas aos serviços públicos e os custos vertiginosos de saúde, farmácia, educação e aluguel são apenas alguns exemplos das maneiras pelas quais até mesmo trabalhadores bem remunerados continuam tendo os bolsos secos fora do local de trabalho. No caso das organizações comunitárias, é auspicioso que elas estejam se mobilizando pelos direitos das comunidades urbanas pobres, negras e latinas, mas os ganhos locais também podem ser facilmente revertidos e é necessária uma resposta unificada de toda a classe para impor ao governo um congelamento de aluguéis e conquistar todos os direitos da classe trabalhadora negra e latina, que continua sofrendo com a pobreza e o racismo Estatal e a violência de vigilantes brancos apoiados por Donald Trump.

Qualquer estratégia para conquistar a maior unidade possível dos trabalhadores para se defenderem dos ataques capitalistas - neste caso exacerbados pela pandemia e pelo perigo da depressão econômica - deve incluir a tática da frente única dos trabalhadores. Embora os sindicatos sejam fundamentais para promover essa unidade, a verdadeira tarefa da frente única é organizar todos os setores da classe trabalhadora, incluindo aqueles que ainda não estão organizados. Isso não significa apenas organizar novos sindicatos ou recrutar mais trabalhadores para os sindicatos tradicionais, mas também encontrar maneiras criativas de alcançar setores maiores da classe trabalhadora, particularmente o vasto exército de desempregados e subempregados que vem crescendo todos os dias no calor da crise. Para fazer isso, será necessário, pelo menos em parte, recuperar as lições do movimento operário da década de 1930. Quando a Grande Depressão empurrou a classe trabalhadora para o abismo, eles começaram a estabelecer conselhos de desempregados promovidos pela Trade Union Unity League (TUUL) - uma organização criada pelo Partido Comunista (PC). Este exemplo se espalhou para outros grupos e organizações e conselhos surgiram em Chicago, Seattle, Ohio, West Virginia e Pensilvânia.

Além da criação de tais organizações de desempregados, construir uma frente única do povo trabalhador nos tempos do coronavírus significa organizar concretamente sindicatos e organizações comunitárias, sociais e políticas que representem o interesse da classe trabalhadora (nota: isto não inclui o Partido Democrata) em torno de um plano nacional de luta e um conjunto unificado de demandas. Essa plataforma precisaria incluir: o desligamento de indústrias não-essenciais, a nacionalização do sistema de saúde sob controle dos trabalhadores, reduzir o desemprego, reconverter a produção para combater a crise, congelar o pagamento de todos os aluguéis e a criação de comitês de autodefesa dos trabalhadores contra ataques racistas e a brutalidade policial contra pessoas de cor. No entanto, essas exigências não podem ser atendidas do alto, assim como uma greve geral não pode ser convocada pelo decreto dos intelectuais de esquerda; precisam ser desenvolvidas e conquistadas por meio de discussões e lutas políticas em todos os setores da classe.

As Tarefas dos Socialistas

Para ajudar a construir a frente única, socialistas em sindicatos, comunidades e locais de trabalho precisam lutar por essa perspectiva. A tarefa urgente dos socialistas no movimento operário é garantir a maior unidade possível das fileiras operárias, pressionando a burocracia a ir além de seus próprios interesses e a se alinhar mais amplamente aos interesses da classe. Mas nosso objetivo não termina aí. Nossa tarefa é expandir a influência dos socialistas no movimento operário e nos movimentos sociais, a fim de contestar as lideranças do reformismo e da burocracia sindical. Dito isto, não buscamos uma unidade que simplesmente deixe os enganadores da classe trabalhadora, os reformistas e burocratas sindicais no controle. Queremos o tipo de unidade que eleva a consciência e as expectativas dos trabalhadores para além do que o que seus líderes permitiriam atualmente. Como Leon Trotsky disse: “No momento em que os reformistas começam a travar a luta em detrimento do movimento e a agir contra a situação e a vontade das massas, nós, como organização independente, sempre nos reservamos o direito de liderar a luta até o fim, mesmo sem nossas semi-alianças temporárias” (Trotsky, 1921).

Embora alguns setores da esquerda afirmem que campanhas do Partido Democrata, como as primárias de Sanders em 2016 e 2020, poderiam ser usadas para unir a classe trabalhadora, essas táticas inevitavelmente têm o efeito oposto. Mesmo com um tesouro de guerra de US$200 milhões, coletado quase exclusivamente de doadores da classe trabalhadora, a campanha de Sanders falhou, deixando aqueles doadores da classe trabalhadora ligados ao mesmo partido que seus exploradores. Em vez disso, precisamos de um partido independente e da classe trabalhadora, que lute pelo socialismo. Nesse sentido, a frente única como tática também possui um elemento estratégico, que é abrir o caminho para o surgimento de uma nova liderança capaz de levar setores inteiros da classe à militância revolucionária. Ao mesmo tempo, a luta pela frente única também permite que os socialistas influenciem a classe trabalhadora a romper sua confiança na democracia burguesa, nos patrões, no governo e em todos os partidos capitalistas, e começar a abraçar a independência política classista que nós precisamos para conquistar um mundo socialista.

Originalmente publicado em inglês no Left Voice, https://www.leftvoice.org/capitalism-is-a-virus-value-chains-class-struggle-and-the-united-front portal virtual irmão do Esquerda Diário.
Tradução para o português: Caio Reis

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