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EUA: Carolina do Norte declara estado de emergência contra protestos da comunidade negra

quinta-feira 22 de setembro| Edição do dia

Protestos violentos contra o assassinato de um negro por um policial em Charlotte, na Carolina do Norte, deixaram na noite desta quarta-feira vários feridos, em estado grave.

A polícia, que reprimiu brutalmente o ato, "negou" cinicamente que tenha atirado contra manifestantes e "garantiu" que o ferido havia recebido um disparo durante um confronto entre civis. O governador Pat McCrory declarou estado de emergência, e a Guarda Nacional e a Polícia Rodoviária Estadual estão na cidade.

Foi a segunda noite de protestos em Charlotte. As manifestações começaram na terça-feira, depois que Keith Lamont Scott, desarmado, foi morto pelo policial Brentley Vinson. Kerr Putney, chefe da polícia local, contestou a versão. Segundo ele, os policiais "abriram fogo porque avaliaram que ele representava uma ameaça". Uma ironia atroz, já que toda a população negra representa uma ameaça à polícia racista. Como se vê no vídeo abaixo, a polícia assassinou Keith Lamont.

Um vídeo publicado por uma mulher que se diz filha de Scott mostra a vítima segurando um livro, não uma arma. Vinson, oficial responsável pelos disparos, foi afastado do cargo enquanto investigações prosseguem. No momento dos tiros, ele não portava a microcâmera que registra ações policiais em abordagens como essa.

Na madruga de quarta-feira, os policiais tiveram muita dificuldade para dispersar a multidão, mesmo usando bombas de gás lacrimogêneo. Ao todo, 12 policiais ficaram feridos durante a manifestação, a mais recente da série que tem ocorrido em grandes cidades americanas como Milwaukee, Baltimore e Ferguson.

No protesto de quarta-feira, manifestantes bloquearam a rodovia interestadual 85, usaram caixas de papelão de caminhões, quebraram vitrines de lojas e iniciaram incêndios. A prefeita de Charlotte, a maior cidade da Carolina do Norte, com mais de 825 mil habitantes, Jennifer Roberts, disse que a comunidade “merece respostas” e prometeu uma “investigação completa”.

O caso ocorre em um momento de tensão racial, que cresceu nos últimos dois anos pela morte de dezenas de negros pelas mãos de policiais brancos, e dias depois que uma agente matou um negro desarmado na cidade de Tulsa, em Oklahoma, em outro caso que provocou revolta na comunidade negra.




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