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LUTA NEGRA NOS EUA

EUA: A luta dos negros é a luta de classes: cinco demandas dos sindicatos

No levante em curso contra o racismo e a brutalidade policial, sindicatos podem desempenhar um grande papel.

segunda-feira 8 de junho| Edição do dia

O incêndio no AFL-CIO foi o fogo na bunda de todos os membros do sindicato. O movimento trabalhista organizado não tem feito o suficiente pela luta dos negros. Isso é óbvio para todos que leram as muitas afirmações, artigos e entrevistas dos líderes sindicais em todo o país. Por trás de uns poucos exemplos heroicos aqui e ali, nós não vimos ainda muita ação posta por trás dessas palavras.

Todo a força do movimento trabalhista ainda não foi posta em causa contra o sistema racista que matou George Floyd, Ahmaud Arbery, Sean Reed, Breonna Taylor, Tony McDade, agora David McAtee e inúmeros outros. Nem mesmo perto.

De todos os comunicados após a manifestação de 1º de junho, a melhor foi da União de Trânsito Amalgamada Local 689, que fez a pergunta, francamente: “O que estamos fazendo nas próximas semanas para garantir que esses trabalhadores nas ruas entendam que o movimento trabalhista luta com eles?

Esse trabalhador sindical desempregado tem algumas ideias.

Sindicatos devem entrar em greve

Em 2018 e 2019, quase um milhão de trabalhadores entraram em greve nos Estados Unidos. General Motors e Stop & Stop estavam em uma grande greve, mas professores saíram também, assim como trabalhadores da AT&T e trabalhadores do sistema da Universidade de California. Esses forma os dias anteriores à Corona.

Uma vez que a pandemia começou a se manifestar, trabalhadores começaram a lutar por medidas de saúde e segurança contra o Covid-19. Payday Report documenta 220 ações por “trabalhadores essenciais” desde 1º de março. Os trabalhadores que foram sempre essenciais começaram a usar seus novos mantos como “heróis” para gritar, sair e protestar. E embora geralmente em pequenos números, essas ações representam uma mudança crescente no entendimento do “senso comum” da ação coletiva.

Havia motoristas de ônibus em Minneapolis e Nova Iorque que se recusaram a cooperar com a polícia quando pedidos para transportar protestantes presos. Isso foi um ato inspirador que conduziu seus sindicatos e outros sindicatos de trânsito em todo o país a pronunciar que eles não serão o serviço de transporte para a repressão policial. Isso é apenas um pequeno exemplo de luta trabalhista com o movimento nas ruas.

Simplificando, as coisas são diferentes agora em relação à anos atrás. Muitos não acreditam nisso, mas sempre foi verdade que sindicatos podem entrar em greve e vencer. E mais e mais trabalhadores estão se voltando para a arma da greve como uma forma de se defenderem e obter ganhos. Se os trabalhadores de Minneapolis – os caminhoneiros, os trabalhadores de transporte, manufatura, saneamento, os professores, trabalhadores de mercearias, cozinheiros e muitos outros – entrassem em greve, então as acusações de culpa pelos quatro policiais envolvidos na morte de George Floyd seria a vitória mais básica – e poderíamos ganhar muito mais. Coisas como massivos cortes nos orçamentos da polícia para que escolas, hospitais e serviços públicos possam finalmente ter um financiamento que precisam. Poderíamos até abolir a polícia se lutássemos o bastante para isso.

Ou outro exemplo, os trabalhadores de saneamento subcontratado e mal remunerado em Nova Orleans ainda estão em greve por um equipamento de segurança apropriado e aumento. Se suas filas de grevistas fossem reforçadas por milhares nas ruas, então não haveria lixos coletados no sol quente de Nova Orleans e os trabalhadores ganhariam por completo. Essa ilustração é ainda mais apropriada considerando que os patrões ameaçam usar o trabalho prisional para interromper a greve. Em outras palavras, eles estão tentando usar o trabalho escravo encarcerado de uma força de trabalho principalmente negra, aprisionada por um sistema carcerário racista, para minar outros trabalhadores negros. Se isso não é um aluta que exemplifica a necessidade de trazer juntos a organização trabalhista e a luta dos negros, eu não sei o que é.

Sindicatos devem mobilizar os membros

A base já está formando contingentes trabalhistas em manifestações em todo o país. Isso acontece porque mais trabalhadores entendem a importância da igualdade para o movimento trabalhista e se unirá para lutar por isso. Porém, atualmente, esses são grupos Ad hoc. Sindicatos com suas estruturas e recursos podem reunir mais membros para as manifestações. Mobilização é, depois de tudo, uma ação política. Sindicatos, da liderança até os administradores da loja, poderiam usar a energia que eles gastam nos esforços do Get Out The Vote (Saia da votação) em dias de eleição para construir reuniões de educação política. Eles poderiam também construir relacionamentos mais fortes com a comunidade e o boletim de notícias do sindicato poderia abrir suas páginas para denúncias da brutalidade policial, artigos sobre a conexão entre a opressão racista e a exploração trabalhista, e mais coisas importantes que apenas o próximo piquenique do sindicato. Ainda mais básico, os sindicatos tem os recursos para transportar pessoas e, às vezes, essa é a diferença entre alguns dos militantes trabalhistas mais comprometidos que aparecem e setores mais amplos da base que marcham juntos.

Em 2018, alguns milhares de membros de vários sindicatos foram juntos por uma marcha contra a política de imigração de Trump e foi facilitada através da educação dos membros, administradores e estruturas do comitê do sindicato e com ônibus. Se os sindicatos apoiarem a luta dos negros, por que isso seria diferente?

E se os sindicatos entram em greve, é ainda mais fácil de mobilizar.

Sindicatos devem utilizar seus recursos para o movimento

O protesto está inspirando, mostrando a fúria espontânea pelos problemas da brutalidade policial e desigualdade racial. Não importa o que aconteça, todos agora sabem que as delegacias queimam.

Entretanto, por um movimento sustentável, organizações maiores serão necessárias. Sindicatos poderiam abrir seus salões para assembleias. Embora difamado no movimento Occupy, ainda há uma necessidade de se reunir, discutir as questões do dia e decidir, democraticamente, o que fazer. Membros dos sindicatos mais democráticos sabem a importância de reuniões bem conduzidas e sabem como conduzi-las.

Além disso, em muitas cidades, o único lugar para realizar reuniões são igrejas e salões de sindicatos, para que eles possam acontecer também em salões de sindicatos onde é provável que mais trabalhadores participem. Os próprios salões de sindicatos deveriam ser vistos como o lugar natural para a democracia acontecer.

Os Sindicatos maciços de dinheiro entregues ao Partido Democrata por raramente mais do que as promessas esquecidas em breve podem contribuir para um fundo de greve, um fundo de fiança ou qualquer outra coisa que o movimento precise. As traições do Partido Democrata são uma legião, mas tomemos Minneapolis, por exemplo, onde os democratas praticamente governavam a cidade e ainda policiais matam impunemente. As forças policiais disparam gás lacrimogêneo, pisoteando protestantes, espancando-os, dirigindo SUVs neles nas cidades de costa a costa, muitos deles são ordenados a entrar em campo por membros do Partido Democrata. Por quê dar-lhes mais dinheiro, quando o movimento precisa mais?

Sindicatos devem coordenar

Na ausência de Conselhos Centrais do Trabalho ativos – órgão que geralmente fazem pouco mais que realizar ocasionalmente reuniões e liberar declarações – comitês de trabalho contra o racismo poderiam ser formados em toda cidade como forma de apresentar a frente dos trabalhadores no movimento. Exemplos desses comitês de coordenação, como a Força-Tarefa dos Trabalhadores da Linha de Frente do Covid-19 em Nova Iorque ou a Resposta à Crise dos Trabalhadores de Connecticut (CWCR), foram formados no início da pandemia do coronavírus e eles reuniram a base de vários sindicatos em contatos regulares e ação comum. Desde que as rebeliões começaram em Minneapolis, membros da Força-Tarefa em Nova Iorque formaram os Trabalhadores da Saúde Socialistas e elaboraram uma declaração poderosa contra a polícia e a violência racial, assinada por mais de 1.500 trabalhadores da saúde em todo o país. E em Connectucut, o CWCR, que também inclui os não-sindicalizados e os desempregados, juntou-se às manifestações em Hartford e Stamford como um contingente trabalhista.

Esses poderiam ser o começo de grandes assembleias que atraem outros setores, como sindicatos de inquilinos, grupos de ajuda mútua e organizações da luta dos negros. A união dos sindicatos com os movimentos nas ruas seria um martelo poderoso contra o racismo e o sistema capitalista.

Sindicatos devem se opor a toda cooperação com a polícia, ICE e todas as outras agências repressivas

Como mencionado acima, motoristas de ônibus já tomaram a iniciativa contra a cooperação com a polícia e o AFL-CIO de Minnesota chegou ao ponto de pedir a renúncia do presidente do sindicato independente a polícia de Minnesota. No entanto, isso pode ser expandido para a desfiliação dos cartéis de policiais em todos os lugares em que estão conectados aos concelhos sindicais locais.

A exigência por desfiliação com os sindicatos policiais encontrou terreno fértil em muitas áreas. O próximo passo é ordenar que a polícia saia das escolas, metrôs, ônibus e em qualquer outro lugar que eles se encontram! As escolas públicas de Minneapolis já terminou seus contratos com a polícia. E em Nova Iorque, uma onda de policiais e a subsequente brutalidade policial contra sonegadores e vendedores ambulantes dentro das estações ativaram um movimento ano passado, chamando pela remoção da polícia dos metrôs e a liberação de tarifas. Essas exigências ainda não foram atendidas pelo Sindicato de Trabalhadores de Trânsito – e poderia ser um argumento difícil, já que muitos trabalhadores acreditam que os policiais os protegem – mas se eles estivessem convencidos, o movimento teria um poderoso aliado nos trabalhadores que movem milhões de passageiros de Nova Iorque.

Sabemos que a liderança sindical atual não iniciará nenhuma dessas propostas e, é por isso, que é trabalho da base lutar por elas. E se a burocracia permanecer intransigente, o movimento trabalhista encontrará novos líderes através da luta de classes, que lutará pelos sindicatos para representar os interesses da classe mais ampla, não apenas os membros.

As lideranças sindicais com suas cabeças na areia devem entender uma coisa. Esse movimento não vai parar tão cedo. E além disso, se não lutarmos agora como parte e ao lado da luta dos negros, ainda teremos que lutar sozinhos depois que a pandemia desaparece e a economia piora. Quando a conta de impostos dos resgates leva a cortes e demissões de austeridade. Quando os empregadores usam dezenas de milhões de recém-desempregados contra nós, cortando salários. E quando estivermos olhando para o cano da arma, desejamos ter lutado quando for a hora.




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