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EMILIANO ZAPATA

EMILIANO ZAPATA: 97 ANOS DE SUA HISTÓRIA

Nasceu em 8 de agosto de 1879 no povoado de Anenecuilco, no estado de Morelos. Labrador, arriero, com uma efêmera carreira militar foi eleito em 1909 como chefe da junta de defesa das terras em Anenecuilco. Desde então foi que, segundo alguns historiadores, Emiliano Zapata começaria a instruir-se em torno do direito de propriedade dos povos sobre suas terras negados pelas leis de reforma, em particular pela lei Lerdo, que ordenava vender ou expropriar as terras improdutivas.

segunda-feira 25 de abril de 2016| Edição do dia

A lei Lerdo, longe de dinamizar o trabalho da terra no país, trouxe consigo a ave de rapina dos latifundiários e grandes fazendeiros, que arrebataram as zonas comunais e os povoados.

O bandido, o rebelde

Logo que recuperou as terras de Villa de Ayala (mesmas que estavam nas mãos de um chefe de polícia) e de have-las entregado aos campesinos do lugar, Zapata foi considerado bandoleiro, em 1910.Seria nessa Villa onde se gestaria o Plano de Ayala, esse projeto de reforma agrária radical que resume-se em uma frase que acompanha até hoje em dia a luta em defesa do trabalho e das propriedades comunais: “Aterra é de quem trabalha”

Em 1911, Zapata seria eleito como novo chefe revolucionário maderista do sul, logo depois da morte de Pablo Torres Burgos. Com o triunfo com que expulsara do país Porfírio Díaz, Zapata e suas tropas encontraram com o fato de que reivindicações pelas quais haviam lutado não estavam sendo respeitadas. Assim, o presidente interino Francisco Leon de la Barra o considerou um “rebelde” por não aceitar o licenciamento dos soldados sem que lhes assegurassem terras em troca de deixar os fuzis. As “negações” de Leon de la Barra estavam conformadas por tropas a cargo dos generais Victoriano Huerta e Aureliano Blanquet, enviadas para submeter ao caudilho do sul.
Ainda que Francisco I. Madero tentou desviar a atenção das demandas campesinas primando pela necessidade de impulsionar uma reforma política, Zapata foi irredutível no que concernia ao prioritário da devolução das terras expropriadas que ainda manteriam em suas mãos os fazendeiros ricos. Para Zapata, a Revolução e suas mais nobres aspirações de JUSTIÇA, TERRA e LIBERDADE, estavam sendo traídas.
Assim, Zapata se converteu de um novo possível ajudante militar em “bandido”. Relegado nos limites de Puebla e Guerrero, resistiu à perseguição das forças federais. Uma vez que Madero assumiu a presidência do país, sustentou uma nova reunião com Zapata, onde conta-se que lhe ofereceu uma fazenda como modo de retribuição pelos serviços prestados à Revolução. Zapata declinaria da oferta e lá para os finais desse convulsivo 1911, lançaria o Plano de Ayala, onde desconhecia a presidência de Francisco I. Madero e em seu lugar se reconhecia Pascual Orozco como chefe da Revolução Mexicana, exigia-se a repartição dos latifúndios criados durante o governo de Porfírio Díaz e explicava que caso não houvesse o comprimento das demandas campesinas, a luta armada continuaria.
Durante 1912, Zapata e o exército federal entraram numa batalha sem quartel onde os generais a cargo de acabar com a resistência sulista foram Arnoldo Caso, Juvencio Robles e Felipe Ángeles. O assassinato de Madero e o ascenso de Victoriano Huerta ao poder, unicamente recrudesceram a luta.

Quando Huerta quis negociar com Zapata, as forças do Exército Libertador do Sul contavam já com o domínio de Morelos, asssim como algumas partes do Estado do México de Guerrero, Puebla e Tlaxcala. A resposta do caudilho do sul foi a reformulação do plano de Ayala, onde declarou que desconhecia Victoriano Huerta como presidente do país. Emiliano Zapata assumiu o cargo de chefe do Exército Libertador do Sul, logo após a destituição de Pascual Orozco.

Em setembro de 1914 o exército de Zapata contava com 27.000 homens. Tomaram Chilpancingo, Cuernavaca, Cuajimalpa, Xochimilco e Milpa Alta. Chegando cada vez mais perto da Cidade do México. Para evitar que a capital fosse tomada, as forças constitucionalistas a ocuparam antes de Zapata. O então presidente, Venustiano Carranza tentou negociar de novo com Zapata, que por toda resposta exigiu a renúncia de Carranza e que se reconhecesse o Plano de Ayala.

A traição

Logo que a 1ª Convención de Aguascalientes (integrada por três dos grupos participantes mais importantes da Revolução Mexicana) desconheceram Venustiano Carranza como presidente, Emiliano Zapata estabeleceu uma aliança com FRANCISCO VILLA e juntos reconheceram Eulálio Gutiérrez como presidente provisional. Desta forma continuou o enfrentamento e em novembro de 1914 as forças da DIVISIÓN DEL NORTE e o exército Libertador do Sul entraram na Cidade do México, deixando para a história aquela imagem de Zapata e Villa no Palácio Nacional, um ao lado do outro.
Por volta de 1915, em Morelos se viveria uma das experiências de organização mais interessantes da nossa história: A comuna de Morelos, onde se colocaram em prática os postulados zapatistas e alcançaram seu máximo desenvolvimento.

De fato, para 1916 o exército de Villa havia sofrido diversas derrotas das mãos do general Álvaro Obregón e, acalentado por esses triunfos, o governo de Carranza lançou uma ofensiva mais cruel contra o zapatismo e em 1917, Zapata empreendeu uma contra-ofensiva que o permitiu recuperar diversas zonas, até 1918 a resistência zapatista estava fechada.
Desesperado por conseguir novas alianças, Zapata foi enganado por JESÚS GUAJARDO, homem que assassinou 50 soldados federais unicamente para convencer o Caudilho do sul da verdade de seus interesse por ajudar-lhe contra Carranza. Em 10 de abril de 1919 Zapata estava num encontro na Fazenda de Chinameca, Morelos e, em covarde emboscada, foi assassinado.

Completar a obra de Emiliano Zapata

Capítulos como o da Comuna de Morelos tem sido cerceados da história oficial. É uma tarefa nossa recuperar essas lições, conhecê-las, discuti-las. Para o revolucionário russo, Leon Trotski, se bem as tarefas democráticas elementares podem ser o motor que impulsione as revoluções, se essas não derivam na tomada do poder por parte do conjunto dos explorados e oprimidos, estamos condenados a viver uma outra vez a institucionalização dos germes revolucionários, suas deformações.
Unicamente a revolução obreira pode nos libertar da miséria, da opressão e da exploração.

Tradução: Anita Anoca




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