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EACH/USP abre processo contra estudante grávida devido a suposto furto de papel higiênico

Julia Rodrigues

Estudante da EACH USP

sexta-feira 21 de outubro| Edição do dia

Mais uma vez a diretoria da EACH/USP (USP Leste) mostra seu caráter repressivo. Muitas vezes já foram abertas sindicâncias contra membros da comunidade universitária por participarem das lutas e mobilizações estudantis e sindicais, mas desta vez o processo é ainda mais insólito. A diretora da unidade, Prof. Dra. Maria Cristina Motta de Toledo, no uso da competência de suas atribuições legais, regimentais e estatutárias, está desempenhando um papel ridículo: abriu uma sindicância para apurar suposto furto de papel higiênico nos banheiros do campus.

Para reforçar o elemento repressor e absurdo dessa sindicância, é importante ressaltar que ela foi aberta contra uma estudante, mãe de uma criança de dois anos de idade, e que atualmente está gravida de seu segundo filho. A origem da denúncia anônima encaminhada à direção foi em conversas em comentários de um grupo no Facebook.

Os membros indicados para realizarem as “investigações” da sindicância são os funcionários não-docentes Ana Lúcia dos Santos Viviani Recine, Leonardo Marras Xavier e Lindon Johnson de Souza Guimarães, e a professora do curso de Obstetrícia Nadia Zanon Narchi, ex-presidente da comissão de graduação e vice-representante do curso na Congregação da EACH (órgão máximo deliberativo da unidade).

Surpreende que, tendo como único indício uma denúncia anônima de comentários no facebook, a direção da unidade tenha decidido abrir uma sindicância, enquanto em casos de racismo e violência de gênero, a mesma direção exige denúncia nominal realizada pela própria vítima. Deixa, assim, evidente que a prioridade da universidade não é o combate às opressões e a permanência de estudantes.

Todos sabem as dificuldades enfrentadas por uma estudante mãe para permanecer na universidade, especialmente em um campus como a EACH, onde não há moradia estudantil ou creche, e onde auxílios estão sendo cortados, além do que seus valores são insuficientes e defasados para garantir o direito dos alunos à moradia. Também não são novidade os cortes na educação, que afetam diretamente a qualidade de ensino e o suprimento de insumos básicos, como o referido papel higiênico, papel toalha e as cotas de impressão na USP Leste, muito menores que em outros campi da USP.

O corte de recursos para as unidades faz com que as direções e empresas terceirizadas que prestam serviço à USP reduzam materiais e funcionários essenciais para o funcionamento da universidade. Faz alguns meses as trabalhadoras terceirizadas da limpeza vêm sendo demitidas, e agora, para desviar o foco dos cortes, a direção, com a sindicância, insinua que o problema da falta de papel higiênico seria causado por furtos, e não pela redução de investimentos na educação. Ou seja, para a direção da EACH, os estudantes são responsáveis pela crise financeira da Universidade de São Paulo, e não o financiamento deficitário do ensino público.

Para o próximo dia 25, a estudante foi convocada a prestar esclarecimentos à comissão sindicante. Nós estudantes da EACH convidamos todos a prestarem solidariedade ativa, comparecendo ao ato em repúdio à sindicância, que está sendo organizado em apoio à aluna processada, no mesmo dia, às 13h, no vão da biblioteca.




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