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BLACK LIVES MATTER

“É uma vergonha que matem nossos pais e mães”

Depois dos protestos de Charlotte pelo assassinato do afroamericano Keith Lamont Scott, a voz de Zianna Oliphant de 9 anos se alça contra o racismo.

quinta-feira 29 de setembro| Edição do dia

Zianna Oliphant denuncia a brutalidade policial e o racismo em Charlotte

Na segunda 26 no Conselho da Cidade de Charlotte (Carolina do Norte, Estados Unidos), Ziana Oliphant de 9 anos, que se aproximava do microfone, solicitou a palavra para falar sobre como tratam a comunidade negra em sua cidade.

Nas cidades americanas, os conselhos municipais devem dedicar uma sessão para que o público fale sobre seus problemas, ainda que isso não garanta medidas nem respostas por parte do órgão de governo. Na parte de fora do Conselho um protesto exigia a renúncia da prefeita e do chefe da Polícia.

Zianna Oliphant pediu a palavra depois dos protestos que comoveram Charlotte, depois que a polícia assassinou a Keith Lamont Scott em seu carro, enquanto esperava por um de seus filhos. Este novo assassinato fez eclodir protestos em várias cidades do país ao grito de “Black Lives Matter” (“Vidas negras importam”) e “No Justice, no Peace” (“Sem justiça, não haverá paz”).

A prefeita da cidade, a democrata Jennifer Roberts, decretou toque de recolher e estado de emergência, e ordenou a repressão, no que foi assassinado mais um jovem negro que se manifestava. Esta é a única resposta que recebem quem se manifesta contra o racismo e a brutalidade policial.

“Vim para falar sobre como eu me sinto... sinto que nos tratam de forma diferente que as outras pessoas... e não me agrada como nos tratam, apenas pela nossa cor, isso não significa nada para mim.

Creio que... somos negros e não deveríamos nos sentir assim. Não deveríamos ter que protestar porque vocês nos tratam mal.

Fazemos isso porque é o que temos de fazer e temos direitos...

Nasci e me criei em Charlotte... e nunca me havia sentido assim até agora. E não posso suportar como nos tratam.

É uma vergonha que matem a nossos pais e mães, e não possamos voltar a vê-los.

É uma vergonha que tenhamos que ir ao cemitério para enterrá-los.

Choramos e não deveríamos chorar.

Necessitamos que nossos pais e as nossas mães estejam conosco. ”

O rosto de Zianna pode estar hoje marcado pelas lágrimas e a dor, mas suas palavras são a prova de que uma nova geração enfrenta nas ruas o racismo, não apenas dos setores reacionários, mas por parte do mesmo Estado, que é hoje dirigido por um afroamericano. Sua revolta legítima é a garantia de que sem justiça não haverá paz.

Tradução: Yuri Marcolino




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