Cultura

OPINIÃO

É preciso falar de Gregório Duvivier?

Algumas questões sobre Gregório Duvivier, artista atacado pela direita e por setores democráticos. Artigo de opinião que expressa as posições do autor.

Fábio Nunes

Vale do Paraíba

sexta-feira 16 de setembro| Edição do dia

O Porta dos Fundos apareceu na Internet como uma alternativa ao humor reacionário da TV aberta brasileira e se tornou um fenômeno de massas. Gerou polêmica. Foi acusado de machista, racista e transfobico. Ao mesmo tempo, o canal foi ameaçado por criticar a polícia e a Igreja. Polêmico demais? Para mim, o Porta sempre apareceu como politicamente ambíguo (e ambiguidade na política é complicado). É preciso estar atento porque nem tudo que reluz é ouro.

Gregório Duvivier, ator, escritor e roteirista do Porta Fundos, também segue uma linha ambígua, muitas vezes indefensável. Escreve na Folha de São Paulo e critica editorial reacionário. Escreve na Folha e é considerado um artista de esquerda. É considerado de esquerda mas defende (defendeu) o PT, partido que governa para os ricos e ataca os trabalhadores. Apóia a legalização da maconha e Marcelo Freixo (candidato do PSOL que defende as UPPs no Rio de Janeiro). Duvivier diz combater o machismo, mas seu texto "romântico" dedicado à cantora e atriz Clarice Falcão apareceu como uma jogada de marketing para promover seu novo filme.

É preciso falar de Gregório Duvivier e as suas ambiguidades políticas? Porque um artista criticado pelos setores oprimidos consegue tanto espaço no campo da esquerda? Trata-se de um artista confuso ou sabe muito bem onde quer chegar? Defende qual projeto? Se realmente representa a esquerda, que esquerda é esta? Porta-voz da masturbaçao intelectual pequeno burguesa? Na falta de um Pier Paolo Pasolini vai Duvivier mesmo ou o projeto é justamente ter Gregórios no lugar de artistas que lutam efetivamente por independência artística e política?

Para mim é só mais um artista que expressa o espírito e os interesses da pequena burguesia num momento de intensa crise econômica e política. Duvivier é o famoso pacifista pequeno burguês tentando indicar o caminho e os métodos. "Profeta" do lençol branco e das "flores ao delegado". Outros Duvivier virão ou já estão encastelados em seus postos de trabalho. O mercado também precisa de artistas "rebeldes". O bom moço do sorriso maroto cai como uma luva para acalmar os ânimos.




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