Mundo Operário

UNIFICAR AS LUTAS DA SAÚDE

"É preciso coordenar as lutas da saúde nacionalmente", diz Babi Delatorre, do Hospital da USP

Enquanto os trabalhadores da saúde, linha de frente do combate à pandemia, seguem sendo expostos e contaminados, diversas mobilizações começam a surgir pelo país. Babi Delatorre, trabalhadora do Hospital Universitário da USP, defende a coordenação e unificação nacional como forma de potencializar essas lutas.

quinta-feira 7 de maio| Edição do dia

Chegamos ao escandaloso número de 8,5 mil mortos e mais de 126 mil casos confirmados no Brasil, isso considerando que temos a maior subnotificação do mundo. Em meio a isso, continuamos vendo a exposição dos trabalhadores da saúde a condições absurdas de trabalho, fazendo com que as mortes de trabalhadores da saúde cheguem a 73, ultrapassando Espanha e Itália juntas.

A precariedade das condições de segurança dos trabalhadores da saúde é absurda, e está motivando manifestações desse setor em um número cada vez maior no Brasil. Em Belém, no dia 15 de abril, os trabalhadores do Hospital Mário Pinotti gritaram “Queremos EPI!”. No mesmo dia, em Minas, trabalhadores do Hospital João XXIII paralisaram suas atividades em protesto contra as condições de trabalho, e alguns dias depois, em Contagem, a primeira vítima da COVID-19 foi a técnica de enfermagem Maria Aparecida, motivando um protesto por parte dos funcionários do Hospital Alberto Cavalcanti no dia 23 de abril. Em São Paulo, Maria Aparecida também foi lembrada no dia 24 durante o protesto dos trabalhadores do Hospital Universitário da USP que enfrentavam condições precárias, sem EPIs para poder se prevenir contra o coronavírus.

No 1 de maio, vimos a emocionante manifestação de enfermeiras, que enfrentaram o covarde ataque de bolsonaristas à sua manifestação. Ontem, mais uma vez os trabalhadores do HU da USP voltaram a se manifestar, e dessa vez conseguiram até mesmo furar o bloqueio da mídia e aparecer para um setor maior da população.

Contudo, a dispersão das lutas pelo imenso território nacional e a falta de unidade entre os trabalhadores faz com que muito do potencial dessas mobilizações se perca. Babi Delatorre, trabalhadora do Hospital Universitário da USP, defendeu a necessidade de avançar nesse sentido:

“Estamos vendo hoje em todos os estados a situação de calamidade da saúde, que é fruto direto de muitos anos de ataques, cortes, privatizações por parte dos governos e dos empresários da saúde, que querem fazer desse direito elementar uma mercadoria para aumentar seus milhões. Vemos uma situação em que estados já estão entrando em colapso com seus sistemas de saúde, com 90% ou mais dos leitos de UTI ocupados, e com a perspectiva de uma piora grave na pandemia como consequência da negligência dos governos. Em meio a isso, vemos que os trabalhadores da saúde, que são a linha de frente no combate à pandemia e já são em número extremamente reduzido frente à atual necessidade – também por conta dos cortes, como o absurdo teto de gastos aprovado no governo Temer – estão trabalhando em situações completamente absurdas, sem equipamentos de segurança mínimos, chegando a casos escandalosos de usar até sacos de lixo no lugar de aventais. Isso está levando a um altíssimo grau de contágio e mortes, e também a um aumento de problemas de saúde mental nessa população. Frente a isso, temos visto muitos protestos despontarem em todo o país, e para que eles possam ganhar força, é fundamental a sua articulação. É preciso coordenar as lutas da saúde nacionalmente, conformando uma coordenação nacional com delegados eleitos em cada local de trabalho, que possa, a partir do debate e das demandas de cada trabalhador, unificar a luta em todo o país, pensando mobilizações conjuntas, ações que possam avançar para que os trabalhadores da saúde imponham suas demandas. Como primeira perspectiva, temos o dia 12 de maio, dia nacional das enfermeiras, que pode ser uma primeira data para colocarmos de pé uma mobilização nacional e darmos o pontapé inicial na conformação de uma coordenação assim. Essa coordenação seria imprescindível não apenas para lutar por condições seguras de trabalho, como também pela contratação emergencial de profissionais, pela unificação dos sistemas privado e público sob o SUS e com controle dos trabalhadores, entre outras demandas emergenciais para combater a pandemia. Para avançar nessa perspectiva é fundamental que as organizações de esquerda, como PSTU e PSOL, e as centrais sindicais como Conlutas e as Intersindicais, se coloquem ativamente para construir essa alternativa e exigir das grandes centrais como CUT e CTB que parem de fazer palanque para os nossos inimigos, como Witzel e Maia no 1 de maio, e passem a organizar a luta dos trabalhadores.”

Veja também Potencializar a resistência dos trabalhadores que são linha de frente da luta contra a pandemia




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