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É necessário organizar a prevenção ao Coronavírus na UFRN!

A partir do novo cenário da pandemia do coronavírus, é fundamental para que exista na universidade uma organização independente de estudantes, funcionários, em especial da saúde, terceirizados, e professores que exija da reitoria medidas de prevenção, avalie a necessidade de suspensão das atividades com garantia de direitos aos trabalhadores efetivos e terceirizados e bolsistas.

segunda-feira 16 de março| Edição do dia

O novo coronavírus ocupou as manchetes dos jornais do mundo todo e é assunto em cada conversa de corredor da UFRN. Há muita desinformação circulando, alimentando o pânico e a dúvida do que pode ser feito. Os governos demonstram que não tem uma solução para o problema, ora sendo boçais negligentes, como se “fosse só uma gripe”, como dizem Bolsonaro e Trump, ora se valendo do alarmismo para fortalecer a autoridade repressiva do Estado, como vemos em especial na Itália, onde o país foi praticamente todo forçado à quarentena.

São os mesmos que depois de anos de crise capitalista e de degradação dos serviços de saúde deixaram os trabalhadores, em especial os idosos, reféns da pandemia. No Brasil, a EC do Teto de gastos, a Reforma da Previdência, e novos cortes do governo Bolsonaro, podem nos levar a uma crise sanitária sem precedentes, frente aos sinais de que uma nova recessão se adianta. Ainda há tempo de reverter esse cenário, mas para grandes crises é preciso de grandes soluções.

Greves espontâneas dos trabalhadores industriais do norte da Itália estouram denunciando o descaso do Estado e das patronais, que os mantém trabalhando nas fábricas enquanto o país todo está em quarentena. Seu grito de que “nossas vidas valem mais que os lucros capitalistas” deve se fazer ouvir em cada local de trabalho e estudo desse país.

É sob essa perspectiva que nós da juventude Faísca da UFRN elencamos algumas propostas que podemos debater para criar na universidade os “anticorpos” para prevenir o contágio e que sejam parte de uma saída dos trabalhadores e da juventude para essa crise.

No Rio Grande do Norte, a contaminação ainda é bastante inicial comparado a outros estados do país, mas eventos esportivos, aulas na UERN e atividades administrativas do governo já estão sendo suspensos. Na UFRN, a reitoria criou um comitê para acompanhar a situação do vírus na universidade e tomará nesta manhã uma decisão sobre a suspensão ou não de atividades acadêmicas.

A maioria dos banheiros sequer possui sabão para higienizar as mãos. O Hospital Universitário (HUOL) vem sendo precarizado ao longo dos anos, faltando funcionários, leitos e insumos básicos, e com os últimos cortes do MEC está em uma situação grave. A reitoria tem que garantir insumos mínimos nos prédios, como álcool gel, sabonete, máscaras, luvas descartáveis aos funcionários, em especial da limpeza e do hospital.

A reabertura dos leitos fechados no HUOL e a contratação emergencial de pessoal é fundamental para garantir o atendimento da comunidade e da população de Natal. É o básico para que a universidade possa se colocar a serviço de atender a população doente, frente a tremenda precariedade da rede pública de hospitais de Natal.

No caso da suspensão das atividades acadêmicas da universidade, cuja decisão não pode ficar restrita aos órgãos técnicos e administrativos da reitoria, mas deve incluir a participação estudantil e dos trabalhadores, é necessário a garantia dos direitos daqueles que serão afetados:

- Tanto os trabalhadores efetivos quanto os terceirizados devem ser liberados sem corte salarial e com garantia de assistência médica aos doentes.

- Aos estudantes bolsistas, devem seguir recebendo o valor dos seus auxílios e benefícios integralmente. A alimentação dos que se utilizam do RU deve ser paga em dinheiro, para que os trabalhadores do restaurante sejam liberados.

- Liberação remunerada imediata dos trabalhadores pais e mães que têm seus filhos doentes ou com eventuais aulas suspensas, para que possam garantir os seus cuidados.

- Efetivação de todos os contratos terceirizados sem concurso público.

Essas são algumas medidas que podemos e devemos desenvolver através da nossa auto-organização, que se mostra indispensável para garantir inclusive tais medidas mínimas.

O DCE, o Sintest e a ADURN deveriam impulsionar um Comitê de Prevenção que organize a comunidade acadêmica acompanhar as medidas da reitoria, avalie a partir de definições científicas e sanitárias as melhores formas de prevenir o contágio, garanta a rotatividade mais adequada aos trabalhadores em áreas de maior risco, junto aos funcionários do HUOL e da rede pública de saúde de Natal e do Rio Grande do Norte.

Estas entidades poderiam seguir o exemplo do CA da Letras da USP, onde as aulas estão suspensas, está organizando panfletagens nos bairros com informativos de medidas de prevenção sanitária, combatendo a desinformação da mídia e do governo.

Uma organização desse tipo é estratégica para que possamos avançar em medidas que ataquem o problema da precariedade da saúde de Natal, que não está em condições de responder a um cenário de maior propagação do vírus. O Hospital Walfredo Gurgel está abarrotado de gente nos corredores, falta tudo e está com a estrutura decadente. A governadora Fátima Bezerra (PT), fechou um dos principais hospitais públicos no ano passado, o Ruy Costa Pereira, medida que precisa ser revertida imediatamente a partir da nossa auto-organização, exigindo da governadora que pare de perdoar a dívida de R$ 7 bilhões dos empresários para que promova novos leitos, insumos, equipamentos, e recontratação de todos os profissionais da saúde.

Essas são medidas parciais mínimas que precisam da nossa organização em cada local de estudo que obriguem os governos a cumpri-las. Para além disso, nossa batalha contra o coronavírus vai ter que se enfrentar com as principais medidas de corte de verbas na saúde, como a revogação da EC do Teto de Gastos. Por sua vez, é preciso acabar com o pagamento da dívida pública, à qual se destina bilhões do orçamento público todos os anos, que apenas salvam os lucros dos banqueiros enquanto a população morre nos hospitais.

Além disso, é necessário medidas imediatas emergenciais para garantir os leitos de internação, de UTI, com contratação de trabalhadores da saúde etc, e a disponibilização de leitos e equipamentos da rede privada à demanda do SUS, como parte de avançar para um sistema único de saúde que seja 100% estatal sob controle dos trabalhadores da saúde e em parceria com a população.

Nesta quarta-feira estava convocado um Dia Nacional de Paralisação da Educação, cujos atos foram cancelados pelas direções das Centrais Sindicais e da UNE, mas a convocatória para greve mantida. O Coronavírus tem turbinado a desaceleração econômica que já se mostrava, aproximando um novo período de recessão com quedas estrondosas nas bolsas de valores, comparáveis apenas à crise de 1929 e ao derretimento de 1987, combinado com a disputa entre a Rússia e a Arábia Saudita, que despencaram o valor do barril de petróleo em 30%. A resposta dos Estados burgueses tem sido uma só: injetar milhões no mercado de ações enquanto mais de 65 países tiveram cortes de bilhões que precarizaram a saúde pública desde a crise de 2008.

É inadmissível que os rumos das nossas vidas sigam nas mãos dos que só governam pelo lucro dos patrões, por isso nós da Faísca defendemos que existam espaços de auto-organização na UFRN. Recebemos a notícia do cancelamento da plenária unificada sob justificativa de responsabilidade com a saúde pública, sem nenhum outro conteúdo, sequer sobre prevenção, apenas servindo para somar ao pânico. O RN teve até agora apenas um caso confirmado e a pessoa já saiu de quarentena. É necessário que as entidades de organização dos estudantes, trabalhadores e professores disponibilizem álcool em gel e máscaras para garantir a segurança dos participantes e promovam espaços de auto-organização para que organizemos a nossa luta, para garantia de insumos mínimos e a anulação imediata da Lei de Teto de Gastos. Como dizem os operários italianos: “Nossa saúde vale mais que os lucros deles”.




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