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RACISMO

Dove e o racismo: não é a primeira vez

A marca já havia feito propaganda racista em outra campanha semelhante, em 2011.

terça-feira 10 de outubro| Edição do dia

A marca de produtos de higiene Dove lançou uma propaganda de cunho racista nas redes sociais nos últimos dias em que mostrava uma mulher negra representando o “antes” de usar o produto e uma mulher branca como “após” usar o produto.

O fato gerou revolta nas redes sociais e a marca teve que se retratar.

Mas não é a primeira vez que isso acontece. Em 2011, a empresa publicou uma campanha do produto Dove VisibleCare Creme Body Wash com o slogan “Visibly more beautiful skin from the most unexpected of places - your shower.” (Pele visivelmente mais bonita nos lugares mais inesperados - seu chuveiro.), mostrando uma espécie de transição de uma mulher negra com a frase “antes”, para uma mulher branca como o “depois”, da pele considerada "mais bonita".

Além dessas campanhas, ainda em 2011 a marca abriu uma seleção para escolher modelos para sua campanha de “Real Beauty” (Beleza Real) onde procuravam “well groomed and clean [women]... with nice bodies’, who were ’naturally fit, not too curvy, not too athletic” (bem cuidadas e limpas [mulheres] ... com corpos agradáveis", que eram "naturalmente em forma, não muito curvilíneas, nem muito atléticas). A dove também apela para um padrão de beleza que não engloba nem mulheres gordas e nem mulheres atléticas, consideradas como masculinizadas, totalmente diferente da verdadeira mulher real que tem diferentes formas, cores e corpos.

E mais: utiliza uma classificação que se aproxima de uma concepção higienista de sociedade, em que historicamente o “limpo” e “bem cuidado” são relacionados a uma raça e uma classe, em que os brancos das classes dominantes são considerados limpos e saudáveis, e os negros e pobres como sujos e feios.

Além disso, o mau-caratismo da empresa não se reflete apenas nas suas propagandas racistas. No último sábado, dia 7, a empresa mandou reprimir brutalmente os trabalhadores em greve na fábrica da Unilever (empresa que produz a Dove) contra a demissão de 130 funcionários e a terceirização dos postos de trabalho que afetam principalmente a população negra. A empresa também busca implementar a reforma trabalhista, precarizando os postos e as condições de trabalho de seus funcionários. (Veja mais aqui.)




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