SAÚDE

Dória viaja para vender Corujão da Saúde, ou seja, mais privatização no SUS

Dória vai de Campina Grande, na Paraíba, até Paris, na França, para apresentar o programa Corujão da Saúde como um dos carros-chefe de sua gestão. Sabemos que na verdade esse programa representa mais precarização do trabalho e mais terceirização, não uma real preocupação com a saúde da população.

quinta-feira 31 de agosto| Edição do dia

O prefeito de São Paulo João Dória começou na manhã desta quinta-feira, 31, uma viagem que tem início em Campina Grande, na Paraíba, e terminará em Paris, na França. O prefeito cumprirá os dois roteiros em pouco mais de 48 horas. Nas duas paradas, o programa Corujão da Saúde, parceria com hospitais privados, foi escolhido como principal vitrine de sua administração.

Dória saiu de São Paulo em seu avião particular por volta das 7 horas da manhã e chegou em Campina Grande às 10 horas para fazer uma visita a TV local, depois uma palestra para empresários e participar de cerimônia na Câmara Municipal, onde receberá o título de cidadão campinense.

Na cidade paraibana, Dória foi recebido pelo senador Cassio Cunha Lima, também do PSDB, que justificou a entrega do título de cidadão campinense a Dória dizendo, em discurso para empresários, que o prefeito visitou o Estado quando era presidente da Embratur, nos anos 1980. No fim da tarde, Dória desembarca em São Paulo e imediatamente embarca em outro avião, dessa vez de carreira, para Paris.

Na capital francesa, o tucano será um dos palestrantes do Global Positive Forum, evento organizado pelo economista Jacques Attali, presidente da Positive Planet Foundation. No evento, o prefeito também irá apresentar, assim como em Campina Grande, o programa Corujão da Saúde, como um dos carros-chefe de sua gestão.

O que Dória não fala em suas viagens e para seus amigos empresários é que 4 dos 5 hospitais públicos onde os procedimentos do Corujão serão realizados tiveram leitos fechados e atendimentos reduzidos por falta de funcionários, as condições de higiene são precárias, faltam materiais e medicamentos básicos (veja aqui, aqui e aqui). Também não diz que há anos os governos subfinanciam e promovem o sucateamento do SUS, e é justamente isso que levou a diminuir os atendimentos e aumentar a fila de espera nos hospitais.

O Corujão vai aumentar a demanda e para atendê-la serão necessários mais trabalhadores e insumos. Mas Temer e o Congresso já aprovaram o congelamento de verbas e contratação para a saúde.

O que o prefeito-empresário pretende é criar condições para ampliar terceirização por via de Organizações Sociais de Saúde (OSS), contratando trabalhadores mais precarizados que terão menos direitos e salários menores que os trabalhadores que já estão nesses hospitais.

Também legitima buscar formas alternativas de financiamento como atender os planos de saúde privados, a chamada “porta 2”, passando na frente dos pacientes do SUS. O que seria um impulso em generalizar a ideia de pagar pela saúde dando suporte a proposta do ministro da saúde Ricardo Barros de que os trabalhadores ajudem a financiar o SUS através do plano de saúde popular. Assim, subverte a concepção de saúde como um direito universal para um produto a ser consumido mediante pagamento.

Sem contar a imposição do produtivismo no trabalho dos médicos, com a criação de metas e remuneração extra por produtividade, que impõe um ritmo industrial à um trabalho extremamente complexo como a atenção à saúde. Os cirurgiões receberão R$1.200,00 por plantão de 12 horas, no qual devem ser realizadas 4 cirurgias. Como “estímulo” para superar a meta, a prefeitura oferece um bônus de 10% por procedimento a mais.

É isso que pretende o programa carro-chefe da gestão de Dória, mais precarização do trabalho, mais terceirização, menos direitos à população.

O Corujão da Saúde é um golpe de efeito para mostrar números em seu mandato, não uma real preocupação com a saúde da população. A administração privada da verba pública já se demonstrou fértil à corrupção, seja por desvio de verbas, seja porque atua não em prol de melhor atender as necessidades dos pacientes, mas sim de gerar lucro para as companhias e grupos gestores.

Os trabalhadores e estudantes da saúde, junto aos usuários, são os únicos capazes administrar um sistema de saúde público, gratuito e universal voltado aos interesses da população e não do lucro. Nossa vida vale mais que o lucro deles!




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