Sociedade

DÓRIA EM SÃO PAULO

Dória vende as creches de SP para bancos e instituições financeiras

Seguindo as tendências do governo federal golpista, Dória convocou os bancos que atuam em território brasileiro para vender a educação infantil e colocá-los como principais acionistas desse negócio que virou a educação. Isso tudo em pleno momento de greve docente.

Leticia Parks

São Paulo

terça-feira 28 de março| Edição do dia

Enquanto ocorre uma grande greve de professores das redes municipais e estaduais de ensino de São Paulo, o prefeito do cinza de São Paulo, João Dória, convocou nesta terça-feira, 28/03, os bancos que atuam em território brasileiro para uma reunião aonde literalmente vendeu a educação infantil de base.

Na reunião, que ocorreu dentro do Theatro Municipal de São Paulo – ao mesmo tempo que ali em frente ocorria uma manifestação de artistas e educadores contra a redução do orçamento em cultura – recebeu a presença de gigantes do capital financeiro, como o Itaú, o Bradesco e Santander, que já se comprometeram com doação de valores ao Fumcad (Fundo Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente).

Quem paga a banda, escolhe a música. É de se esperar que algumas medidas sejam cada vez mais frequentes e naturalizadas nas salas de aula da educação infantil. Se a terceirização tem rosto de mulher negra, podemos esperar que não será política dos bancos permitir que o debate de gênero e combate ao racismo seja parte dos currículos escolares.

A própria terceirização, se aprovada no modelo golpista, em larga escala e em qualquer momento da produção e da prestação de serviço (atividade meio ou fim), poderá também ser a tônica do regime de trabalho da escola de Dória, cuja família, sabe-se, enriqueceu aos custos da exploração do trabalho escravo em terras brasileiras.

Sob o discurso de que esse financiamento será capaz de abrir novas vagas, Dória esconde que boa parte do capital dos bancos vem justamente do pagamento da dívida interna brasileira, que consome 47,5% do Produto Interno Bruto, enquanto a educação recebe apenas 3,6% do mesmo PIB. Não pagar a dívida pública seria o recurso de maior influência na abertura de novas vagas na rede pública de ensino, não a venda desse direito aos bancos e instituições financeiras.




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