Juventude

REPRESSÃO A JUVENTUDE

Doria se junta a Bolsonaro para militarizar escolas e reprimir a juventude

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), confirmou nesta sexta-feira, 4, pelo Twitter, a adesão do Estado ao reacionário Programa Nacional das Escolas Cívico-Militares, proposto pela gestão Jair Bolsonaro.

sábado 5 de outubro| Edição do dia

Reprodução/Agência Brasil

Dias antes, o secretário estadual de Educação de São Paulo, Rossieli Soares, havia dito ao jornal Folha de S. Paulo que era difícil "aderir a um programa que você não sabe o que é" Após solicitar e receber resposta do MEC, ainda na quarta-feira, 2, o Estado de SP decidiu manifestar o interesse.

Até o dia 1º de outubro, quinze Estados e o Distrito Federal tinham aderido ao programa. Lançada em setembro, a proposta prevê a participação de militares da reserva em atividades educacionais e administrativas das unidades. De acordo com o governo, os militares não vão substituir os professores dentro da sala de aula.

O prazo para manifestar interesse terminou na sexta-feira passada, 27, mas o Governo de São Paulo pediu sua prorrogação.

O projeto abre agora uma nova etapa, desta vez para a inscrição de municípios interessados em participar. Prefeituras terão entre os dias 4 e 11 para manifestar o interesse. Todas as cidades podem participar, incluindo as que estão inseridas em Estados que não manifestarem.

O governo federal pretende implementar a gestão em 216 escolas até 2023, sendo 54 por ano. Bolsonaro deixou claro que para ele não é uma questão de “escolha” por parte das escolas e sim que este modelo seja imposto, a despeito da opinião dos professores, trabalhadores da educação e da comunidade escolar. “Não tem que aceitar, não, tem que impor. (Se o aluno) na prova do PISA (avaliação internacional), ele não sabe uma regra de três, não responde pergunta básica, não tem que perguntar para o pai irresponsável nessa questão se ele quer ou não uma escola com uma militarização. Tem que impor, tem que mudar”, declarou Bolsonaro após assinar o decreto.

Devem ser contratados militares da reserva, por meio de processo seletivo. A duração mínima dos serviços é de dois anos, prorrogável por até dez. O contrato com os militares pode ser cancelado a qualquer momento. Os profissionais vão ganhar 30% da remuneração que recebiam antes de se aposentar.

A extrema direita reacionária batalha para associar o “bom rendimento escolar” dos alunos ao fato da “disciplina militar” ser aplicada da forma mais dura. Por trás desse discurso, está o projeto da “Escola Sem Partido”, que na realidade é um projeto para impedir que a escola seja o espaço onde os alunos possam ter contato com discussões que fazem parte de seu cotidiano, como machismo, racismo e LGBTfobia e que sua educação envolva o debate crítico sobre a sociedade, bem como a liberdade de cátedra dos professores.

Estados podem destinar policiais e bombeiros para ajudar na administração. O Ministério da Educação (MEC) repassará verba ao governo, que investirá na infraestrutura das unidades escolares, em material escolar e reformas. Serão investidos R$ 54 milhões por ano, sendo R$ 1 milhão por escola.

Segundo o ministro da Defesa, Fernando Azevedo, devem ser usados, na primeira fase, 540 militares da reserva para atuar em 30 escolas. Azevedo afirmou que 203 escolas, em 23 unidades da federação, já adotaram a gestão compartilhada.

O cerceamento do direito ao livre pensamento nas escolas está diretamente vinculado ao fato de que, tanto professores quanto estudantes, já se mostraram diversas vezes a vanguarda que resiste e rechaça este governo reacionário de Bolsonaro. Por isso o presidente de extrema-direta quer transformar as escolas em quartéis mirim onde as crianças aprendam a obedecer e sejam impregnadas da ideologia reacionária defendida pelos militares. Agora Doria quer adotar o modelo para não se distanciar da base que o elegeu e demonstrar que também vem com tudo para tratar a educação na base da repressão.

Leia Mais: Bolsonaro irá militarizar mais de 200 escolas por R$1 mi cada enquanto corta da educação

Fonte de informações: Agencia Estado




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