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Doria quer Aécio fora da presidência do PSDB, mas defende sua manutenção no Senado

O prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), defendeu nesta segunda-feira, 3, a saída de Aécio Neves da presidência do partido, mas afirmou ser favorável à permanência do tucano mineiro no Senado. Aliado do governador Geraldo Alckmin, Doria também defendeu que prefeitos e governadores façam parte da Executiva do PSDB.

segunda-feira 3 de julho| Edição do dia

"Tenho respeito pelo senador Aécio Neves, mas entendo que, neste momento, o mais adequado para ele é que ele possa se afastar da presidência do PSDB", afirmou Doria, ao entregar a restauração dos Arcos do Jânio, no centro da capital. "Entendo que é melhor para o presidente atual, mas espero que ele se mantenha como senador da República."

Desde maio, o senador Tasso Jereissati (CE) assumiu interinamente o comando nacional do partido, quando Aécio Neves se licenciou após divulgação da gravação em que pede R$ 2 milhões a Joesley Batista, da JBS. No mesmo mês, o ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), decretou o afastamento de Aécio das funções parlamentares, mas o tucano foi reconduzido ao Senado por decisão do ministro Marco Aurélio, na última sexta-feira, 30.

"Ele tem o direito de se defender - e tenho certeza de que o fará muito bem -, mas o PSDB precisa seguir o seu caminho, precisa seguir a sua rota. Não pode ficar nessa interinidade ou numa circunstância onde o presidente do PSDB tem de responder pela Lava Jato e ao mesmo tempo pelo PSDB. Não considero isso compatível", afirmou Doria.

O mandato da atual direção do PSDB terminaria em maio, mas foi prorrogado por mais um ano por Aécio por meio de uma resolução de 15 de dezembro de 2016. Na ocasião, aliados de Alckmin se colocaram contra a medida. Isolado da máquina partidária na gestão de Aécio, Alckmin ganhou projeção desde que Jereissati assumiu o partido.

Para o prefeito de São Paulo, o PSDB deveria efetivar Jereissati no cargo ou eleger um novo comando para legenda em 2018. "Em maio do ano que vem, se convoque uma convenção nacional para eleger um novo presidente do PSDB e toda sua Executiva e que abra espaço, inclusive, para prefeitos e governadores, coisa que hoje a Executiva do PSDB não tem", disse Doria. "Não é apenas a convenção nacional: são as convenções estaduais e municipais que também ficaram prejudicadas. O PSDB precisa manter o seu rito e a sua raiz democrática."

A avaliação no Palácio dos Bandeirantes é de que o PSDB não pode esperar até quase metade de 2018, ano de eleições, para definir sua nova cúpula e o candidato à Presidência. Isolado da máquina partidária na gestão de Aécio, Alckmin ganhou projeção desde que o senador Tasso Jereissati assumiu a legenda.

A estratégia dos "alckmistas" agora é mudar a configuração da Executiva para ampliar a influência do governador e assegurar sua candidatura à Presidência. Na próxima reunião do colegiado, que deve ocorrer nesta semana, o secretário-geral do PSDB, deputado Silvio Torres (SP), dirá que a atual Executiva representa o resultado das eleições de 2014, sem levar em conta cenários posteriores, como as eleições de 2016 e a crise política. "Governadores e prefeitos precisam estar representados formalmente na Executiva", disse Torres. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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