PANDEMIA VAI, ENDEMIAS VEM

Doria pretende extinguir órgão voltado ao controle de endemias, no meio da pandemia

Entre os diversos ataques como a dissolução e privatização de autarquias e fundações em SP, que condensamos em artigo anterior, está a extinção da Superintendência de Controle de Endemias (SUCEN). É isto mesmo, em meio a uma pandemia, no Estado que foi considerado o mais atingido do mundo, o PSDB pretende acabar com o órgão responsável não só pelo controle e pesquisa de endemias.

sábado 22 de agosto| Edição do dia

No projeto de lei 529 conhecido como reforma administrativa, onde consta esta medida absurda, consta a definição de que endemias são “doenças transmitidas por vetores e seus hospedeiros intermediários”, ou seja, são diversas doenças, assim como o coronavírus, só que específicas à região determinada e não de alcance mundial.

No mesmo texto, consta a afirmação de que as “atividades de interesse público executadas pela autarquia serão transferidas à Secretaria de Saúde. Os bens, móveis e imóveis, após transferência ao Estado, poderão ser alienados ou destinados a outros usos de interesse do público.” Se concretizadas essas medidas, o controle de endemias será ainda menor no Estado onde 400.184 casos de dengue foram registrados.

Na página voltada à autarquia, é afirmado o seguinte. “A SUCEN opera de forma articulada com os vários órgãos e instâncias que participam do Sistema Único de Saúde, pactuando os programas de controle das doenças transmitidas por vetores e hospedeiros intermediários entre elas: dengue, malária, doença de Chagas, esquistossomose, leishmaniose visceral, leishmaniose tegumentar, dengue, febre amarela e febre maculosa e outras doenças transmitidas por vetores de importância epidemiológica.” São essas as doenças que não terão mais um órgão específico de controle e pesquisa, caso a SUCEN seja extinta.

Com a extinção da Superintendência num Estado, que anteriormente já não controlava eficazmente suas endemias, o cenário é obscuro. Somente a dengue teve um aumento de 488% casos em 2019 e as mortes acompanharam este salto, cinco vezes mais de mortes. Somente São Paulo chegou a 33% de todos os casos confirmados e 263 mortes. Mas, parece que João Doria diante das estatísticas assustadoras de mortos pela Covid-19 em SP (28.155 vítimas) parece ver como uma forma sádica de relativizar as centenas que morrem de Dengue.

Diversos programas, laboratórios e núcleos voltados à pesquisa de diversos fatores que envolvem as endemias correm o risco de acabar, assim como seus pesquisadores e funcionários perderem seus empregos. A mesma PL da reforma Administrativa também pretende desviar os recursos das universidades públicas de SP para as mãos de Doria, comprometendo ainda mais a produção científica e pesquisas - que já são escassas e dominadas por interesses privados de grandes empresas - voltadas para resolver problemas que a população sofre.

Em escalas colossais, a tragédia construída em prol do lucro dos capitalistas com a pandemia do coronavírus no Estado - que não garantiu testes massivos, leitos com respiradores e o básico para a proteção da população - segue o mesmo padrão do descontrole histórico de endemias como a dengue em SP, onde mesmo existindo um órgão especializado nas doenças locais, o governo permite mortes devido à falta de programas de controle efetivos.

No caso da dengue, por exemplo, é impensável pensar na contenção desa endemia sazonal sem levar em conta a necessidade de reformas urbanas radicais para erradicar centros de produção de larvas de mosquitos, assim como a proteção e conservação do meio ambiente para o equilíbrio ecológico, caso semelhante com a doença de Chagas. Contudo, um programa que coloque acima a vida da população trabalhadora não será implementado por Doria, Covas e os capitalistas que se preocupam sobretudo com seus lucros.

Leia mais: Saúde, transporte e moradia estão na mira da PL de Doria

Os recursos que hoje servem para encher o bolso de capitalistas, seja com os super salários e privilégios para as chefias e alta burocracia, ou que são desviados para o pagamento da fraudulenta dívida pública - que saqueia da população para enriquecer banqueiros e imperialista - devem ser voltados para a manutenção das organizações que fornecem importantes serviços para a população, como é o caso da SUCEN, que deve ser ampliada e gerida pelos seus próprios pesquisadores e funcionários assim como controladas pela população que sofre com as doenças regionais de SP.

Doria, que durante a pandemia já fingiu ser oposição à política de Bolsonaro, mostra que está ao mesmo lado que ele: ao lado do lucro das grandes empresas que se dão às custas da vida da população que ainda morre por doenças medievais como a dengue e por pandemias como a do coronavírus.




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