Política

CORRUPÇÃO E FRAUDE NA PREFEITURA DE SP

Doria orientou proposta da Ambev para fraudar licitação de Carnaval em SP

A rádio CBN veiculou denúncia de que Doria teria orientado a Ambev a inflar sua proposta em licitação para favorecê-la e de que o prefeito passou por cima da decisão de comissão avaliadora para escolher a empresa da Ambev como patrocinadora oficial do Carnaval da capital paulista.

segunda-feira 12 de junho| Edição do dia

A reportagem da CBN obteve um áudio de uma conversa entre funcionários da Secretaria da Cultura, incluindo a chefe de gabinete do secretário, e dois diretores da Dream Factory (agência contratada pela Ambev para representá-la na licitação). Nesse áudio, os representantes da empresa se referem a outra reunião, com o vice-prefeito Bruno Covas, em que ele orienta integrantes da Ambev e Dream Factory a alterar os dados da planilha apresentada à licitação, justificando os R$15 milhões e poder derrotar a concorrente SRCOM, que representava a Heineken.

De acordo com o áudio, estariam presentes nessa reunião de negociação o secretário de Governo, Julio Semeghini, e o da Cultura, André Sturm. Os integrantes da Dream Factory discutiam com André Sturm afirmando que àquela altura seria impossível inflarem os valores de sua planilha. Isso porque a reunião ocorreu em 17 de fevereiro, enquanto Doria se encontrava em Dubai [tentando vender o patrimônio da cidade-> , e a discussão sobre os valores da licitação ocorriam vinte dias após a escolha da empresa vencedora já ter sido homologada.

O edital para o carnaval paulistano de 2017 havia sido promulgado ainda na gestão do ex-prefeito petista, Fernando Haddad. De acordo com seus termos, a empresa vencedora - que obteria exclusividade para expor publicidade nos desfiles dos blocos de rua e ainda para comercializar a bebida - seria aquela que oferecesse maior gasto em itens de interesse público, tais como banheiros químicos, segurança, limpeza e ambulâncias.

Haviam quatro concorrentes na licitação, e a única que não foi impugnada foi a Ambev. Mas a SRCOM recorreu da decisão. Durante o mês de janeiro a Comissão Avaliadora da Secretaria de Cultura decidiu recolocar a proposta da SRCOM na disputa, com o aval do secretário de Negócios Jurídicos da prefeitura, Anderson Pomini.

O valor da proposta feita pela SRCOM era de R$ 8,5 milhões, enquanto o da Dream Factory era de R$ 15 milhões. Contudo, nos itens referentes a interesse público, o valor da SRCOM era de R$ 5,1 milhões, quase duas vezes maior que os R$ 2,6 milhões da Dream Factory.

Assim, a Comissão Avaliadora decidiu que a proposta da Heineken era melhor. Mas Doria ignorou e decidiu pela Ambev, a quem estava secretamente orientando para que fosse escolhida inflando seus dados na planinha de concorrência.

Mais uma vez vemos como Doria privilegia os empresários. E, dessa vez, os empresários escolhidos a dedo, mostrando que a corrupção também está presente na gestão do prefeito-empresário.




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