Sociedade

DÓRIA HIGIENISTA

Dória, o higienista, quer aniversário da cidade restrito a apenas um setor da população

As mudanças anunciadas para a Virada Cultural deste ano vão passar por um teste inicial já na semana que vem, durante a festa dos 463 anos de São Paulo. No dia 25 de janeiro, aniversário da cidade, a gestão João Doria (PSDB) vai colocar em prática o discurso de trocar grandes palcos de rua por eventos realizados dentro de equipamentos públicos, como bibliotecas, teatros, mercados e centros culturais.

quinta-feira 19 de janeiro de 2017| Edição do dia

Apenas o Parque do Carmo, na zona leste, e a Chácara do Jockey, na zona oeste, vão oferecer programação ao ar livre, com shows do rapper Rael, Tribo de Jah, Zeca Balero, Max de Castro e Wilson Simoninha.

De acordo com a Secretaria Municipal de Cultura, a proposta é valorizar os espaços municipais de cultura e de lazer da capital, como o Teatro Municipal, onde se apresentará o maestro João Carlos Martins à frente da Orquestra Filarmônica Bachiana; e a Biblioteca Mário de Andrade, que receberá uma série de monólogos teatrais com artistas consagrados, como Regina Duarte, Bárbara Paz e Juca de Oliveira.

"Queremos que as pessoas frequentem esses espaços o ano todo. Para isso, já vamos abrir com as comemorações do aniversário, aliando programação de qualidade e integração da rede municipal de equipamentos que está distribuída pela cidade e merece ser conhecida e mais frequentada pelos cidadãos", afirma o secretário André Sturm, no site da pasta. Outros teatros municipais compõem a programação oficial, como o palco do Centro Cultural de São Paulo, que terá uma sessão especial da obra de Chico Buarque, Leite Derramado.

A mudança conceitual da atual gestão no que diz respeito às manifestações culturais da cidade, no entanto, tem sido criticada. No caso da Virada Cultural, Doria pretende levar os grandes shows para dentro de Interlagos, espaço da zona sul distante do centro e com limite de público. A programação para os 463 anos de São Paulo também deve causar estranheza, já que, diferentemente dos anos anteriores, não haverá nenhum show pop - ano passado, a festa contou com Daniela Mercury, que percorreu as ruas da cidade um dia antes sobre um trio elétrico que partiu da avenida Brigadeiro Faria Lima em direção ao centro, e Gilberto Gil, que cantou no dia 25 no Clube Tietê.

O atual prefeito, após deixar a cidade com menos cor, devido a destruição dos grafites por meio de sua pintura cinzenta, deixará restrito as áreas de lazer para boa parte da população ao restringir os shows e demais eventos em partes internas de “aparelhos públicos”. Os eventos gratuitos serão ainda menos democráticos que o da gestão anterior (Hadadd fez melhorias públicas voltadas à parte central da cidade, com poucas melhorias para a parte periférica), ou seja, um diminuto número de pessoas irão se beneficiar com os eventos financiados pelo dinheiro de impostos pagos pelos munícipes do centro ou periférico. Assim, a juventude periférica ficará sem poder usufruir do lazer e do espaço público da cidade.

A cara da gestão tucana, privatizar e privar boa parte da população da cultura e demais direitos que qualquer cidadão tenha direito. Serão quatro anos de higienização com um alvo determinado: a população carente. Somente com a organização da classe trabalhadora e demais setores da população que poderemos combater uma gestão elitista e neoliberal.

Com informações da Agência Estado




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