Política

JOÃO DORIA

Doria foi a principal figura que expressou seu ódio aos trabalhadores no 28A. Afinal o que quer o tucano?

O prefeito da cidade de São Paulo, João Doria, parece ser a figura da direita nacional que mais rapidamente percebeu o peso do 28 de Abril e foi o político que rapidamente buscou responder à greve destilando ódio a organização dos trabalhadores, se aproveitando para já iniciar seu perfil para candidato a presidente em 2018: profundamente anti-operário e que mostra para a burguesia sua credibilidade para administrar seus negócios.

quinta-feira 4 de maio de 2017| Edição do dia

O 28 de Abril já é uma data histórica. Na última sexta feira esse foi o tema mais comentado das redes sociais não somente a nível nacional. João Doria deve ser uma das figuras públicas que melhor sabe utilizar das redes a seu favor e aproveitou este momento em que todos comentavam e buscavam se informar sobre a greve, para lançar seu perfil com um discurso anti-operário e preconceituoso, chamando os grevistas de “vagabundos”, “preguiçosos” e que teriam recebido dinheiro para saírem às ruas.

João Dória, repetiu inúmeras vezes que sua marca é “privatização”, apresentando um perfil de eficiência e um nome que estava por fora dos escândalos de corrupção. Sempre fez questão inclusive de apresentar-se mais como um gestor do que como um político, o que junto com a campanha “João Trabalhador” convenceu grandes setores de trabalhadores a votar nele. Vendeu a imagem de um trabalhador que havia “vencido” na vida por seus próprios méritos e hoje, como um empresário de sucesso e "trabalhador" pode dar jeito na cidade.

Foi eleito prefeito de São Paulo utilizando o Slogan de “João Trabalhador”, que escondia basicamente duas coisas: Seu sobrenome Dória, que pertence a uma das famílias mais tradicionais da Bahia, escravista e herdeira das capitanias hereditárias; e que não é trabalhador e sim patrão. Agora que já é prefeito de São Paulo, não precisa mais deste conto, assumiu para si um discurso anti-operário para mostrar aos patrões de todo o país que ele os entende, está do lado deles e assim já ir se posicionando como o candidato dos patrões e empresários para as próximas eleições presidenciais.

Doria encontra caldo de cultivo para uma possível candidatura na crise de representatividade em que se encontram os partidos tradicionais. A mesma crise que tornou possível a eleição de Macri na Argentina e Trump nos Estados Unidos, que são candidatos que se apresentam como gestores por fora da política, que aparecem com uma cara de renovação. Os trabalhadores que optaram por estes governos em seus países já estão despertando: a primeira greve geral contra as políticas de Macri aconteceu a menos de um mês, no 06 de Abril e Trump carrega o título de ter a pior aprovação popular da história dos Estados Unidos em apenas 3 meses de mandato, além das massivas marchas de mulheres e negros, contrário ao seu governo. São candidatos dos patrões, que querem descarregar o peso da crise capitalista nas nossas costas e possuem muito dinheiro para pagar os melhores marqueteiros de campanha, os maiores meios de comunicação para nos convencer que são uma opção.

O prefeito mostra isso ao afirmar que precisa cortar investimentos para a população, como o corte de mais da metade dos recursos destinados à cultura e os cortes de mais de 25% em saúde em educação, afirmando que São Paulo precisa pagar a dívida pública, quando uma empresa que teve grandes lucros como o Itaú (enquanto se fala de crise) e são devedoras do município, teve sua dívida perdoada pelo governo com o apoio do prefeito. Outras empresas como a Oracle devem centenas de milhões ao município mas seguem com contratos ativos na prefeitura. Isso somente para mostrar para quem governam: para os exploradores e sonegadores de impostos enquanto cortam os serviços da população.

Dória faz parte da mesma escória que Temer, só coloca uma máscara distinta para nos enganar, mas o pano de fundo é o mesmo: governa para os patrões para descarregar os custos da crise nas nossas costas. Doria apoia os ataques de Temer, como a reforma trabalhista, a reforma da previdência, a reforma do Ensino Médio e a terceirização, que em muito beneficiam os grandes empresários capitalistas como ele, Temer e seus aliados.

Nós que nos posicionamos como esquerda de combate, tanto do governo quanto dos patrões, precisamos denunciar fortemente Doria e seus políticos, e alertar nossa classe que demonstrou uma enorme força este 28 de Abril que precisamos ter nossos próprios candidatos, nosso próprio partido que será o único que levantará nossas bandeiras e lutará por nossos interesses.

Como revolucionários não acreditamos que podemos acabar com a exploração e a opressão desde o parlamento e nem buscamos um programa de reformas cosméticas que o que fazem é criar a ilusão na nossa classe de que as coisas podem ser melhores no capitalismo. Nossos representantes no parlamento devem levar para este espaço as lutas que damos nas ruas, defendendo nossas demandas como o fim da terceirização e que os terceirizados sejam efetivados sem a necessidade de concurso público pois já provaram estar aptos para desenvolver a tarefa que fazem, fim das privatizações, reestatização das empresas, e que estas sejam geridas pelos trabalhadores e usuários, que todo funcionário da prefeitura ganhe o mesmo salário que uma professora e pelo não pagamento da dívida pública e embargo de empresas como o Itaú e a Oracle, que devem milhões aos cofres públicos – Que sejam estatizadas e colocadas sob controle dos trabalhadores! E este programa pode ser concretizado através de uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana, com delegados eleitos em comitês em cada local de trabalho, bairro e estudo, contra todos os ataques dos capitalistas e seus políticos, e na qual se possa debater e definir os rumos não somente de São Paulo, mas de todo o país.

Mostramos neste 28A que temos força para isso! Precisamos superar as direções burocráticas e exigir novas jornadas de luta contra Temer e suas reformas, impondo uma Assembléia constituinte livre e soberana, para que os capitalistas paguem pela crise.




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