Educação

SÃO PAULO

Doria faz planos para volta às aulas enquanto casos de Covid em SP já podem passar de 1 milhão

Ao mesmo tempo que a prefeitura de São Paulo divulga inquérito que aponta que os casos de Covid na cidade podem passar de 1 milhão, Dória anuncia que na próxima quarta-feira (24) será divulgado plano de volta às aulas nas escolas estaduais e privadas.

terça-feira 23 de junho| Edição do dia

A prefeitura de São Paulo está realizando um inquérito sorológico para descobrir quantas pessoas realmente já foram infectadas pelo covid-19. Até agora, os resultados obtidos apontam para cerca de 9,5% da população da cidade, o que significa mais de 1,2 milhões de pessoas. Os dados oficiais de infectados divulgados ate agora, apontam apenas 10% desse número, diferença fruto da falta de testes massivos e da subnotificação do Estado.

Dória, por sua vez, anunciou na semana passada que na próxima quarta-feira (24) será anunciado um novo plano de retorno às aulas nas escolas do estado de São Paulo. A divulgação, entretanto, depende da recuperação do secretário Rossieli Soares, que estava internado para tratamento do covid-19. Segundo Dória, a volta às aulas não deve ser tão breve e de forma gradual.

É extremamente contraditório o papel que Dória vem tentando tomar, de oposição a Bolsonaro e seu discurso negacionista, ao mesmo tempo em que não só flexibiliza a quarentena, como também faz uma abertura radical de todos os comércios, além de divulgar um plano de retorno às aulas. Os casos no Brasil continuam a subir e o número de infectados não atingiu ainda seu pico, tampouco no mundo. O diretor da Organização Mundial da Saúde afirmou, nessa segunda-feira (22), que “"Demorou 3 meses para ter o primeiro milhão de casos, o último milhão precisou de 8 dias".

Em resposta à divulgação de Dória, o sindicato dos professores do estado de São Paulo (Apeoesp) divulgou um abaixo-assinado contra a volta às aulas nas escolas do estado, intitulado“Não haverá volta às aulas sem redução drástica da pandemia e sem garantia de segurança sanitária para a comunidade escolar”. Sabemos que por mais que a medida seja para as escolas públicas e privadas do estado, os mais atingidos são os alunos e trabalhadores das escolas públicas, que sequer têm condições dignas de trabalho e estudo em tempos normais, e que serão os mais afetados por falta de EPIs e produtos de higiene.

Esse abaixo assinado é uma importante iniciativa, mas que precisa estar ligado ao sindicato de professores dialogar com os familiares dos nossos alunos, pra que junto a comunidade escolar, seja uma única luta contra a precarização do Ensino contra o EaD excludente, mas também em defesa das vidas dos trabalhadores da educação, dos alunos e de seus familiares, que estarão todos expostos a Covid-19, quando ela nem sequer chegou no pico ainda no Brasil. Somente uma luta comum entre trabalhadores da educação e comunidade escolar, para que todos possam ficar em casa protegendo suas famílias, com um auxilio emergência de R$2 mil reais, assim como outras medidas fundamentais como a centralização do sistema de saúde, a reconversão da industria para produção de insumos, podemos enfrentar a pandemia sem ter que pagar seus efeitos com as nossas vidas.

A flexibilização adotada por Dória e os demais governadores, mas muito antes por Bolsonaro, é irresponsável e tem um único objetivo, o de agradar os patrões e descarregar essa crise nas costas da classe trabalhadora, principalmente a mais pobre.




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