SÃO PAULO

Doria expõe trabalhadores da Saúde à morte mandando o grupo de risco de volta ao trabalho

segunda-feira 27 de julho| Edição do dia

Doria quer mandar os trabalhadores da saúde que pertencem ao grupo de risco de volta ao trabalho. O Esquerda Diário recebeu esta denúncia e reproduz na íntegra abaixo:

Contra a reintegração dos profissionais de saúde, no grupo de risco e doentes ao trabalho

Como se não bastassem todas as tão difundidas dificuldades encontradas pelos profissionais da saúde pública, do Estado de São Paulo e Grande São Paulo, os quais tiveram negados seus direitos a férias, folgas e outras vantagens como, antecipação de 13° salário nos meses de aniversário, bônus e outras pelo Decreto 64.937 de 15/04/2020, a política de privatização do Estado, no caso da Zona Leste, atingiu diretamente aos funcionários do Hospital Geral de Guaianazes. Também pelo mesmo processo , os funcionário do Hospital Geral de São Matheus, cujo tramitação de privatização foi interrompida diante das manifestações públicas . A privatização atingiu também a cidade de Ferraz de Vasconcelos, no Hospital Regional de Ferraz de Vasconcelos, Todos esses , eram referências de atendimento amplo e eficaz, constantemente a plena capacidade atendendo a região onde se localizam e entornos. No âmbito municipal o mesmo aconteceu, vários hospitais de referência foram entregues a iniciativa privada. As privatizações do Estado, provocaram a re-lotação compulsória dos funcionários, no caso do Geral de Guaianazes, os funcionários em licença e outros, foram remanejados para o Geral de São Matheus.

Visto a revogação momentânea devido as já mencionadas manifestações, esses servidores reinseridos ao quadro do Geral de Guaianazes. Na volta forçada, ficaram amontoados em salas do Hospital, muitos sem atribuição, já que a privatização trouxe outro quadro de funcionários.A ala destinada ao atendimento ao Covid 19, fica vazia pois, os hospitais de Campanha, montados pelo Estado, no Anhembi e Pacaembu, também não bem sucedidos, deslocaram grande parte dos pacientes, anterior a privatização, e a demanda no momento do acontecido, ainda que vertiginosamente aumentando o caso de infectados no Estado, foi menor que a capacidade destinada para tal tratamento. Todo o processo ocasionou instabilidade profissional e emocional nesses servidores, acostumados ao ritmo frenético do dia-a-dia desses hospitais, se viram subjugados a condições de inseguranças de todas as ordens. Não obstante a perversidade do sistema, o Departamento de Perícias Médicas do Estado de São Paulo, que suspendeu com o Comunicado DPME nº 44 de 18/03/2020, as perícias médicas, a despeito de nada na curva da pandemia favorecer, determinou a retomada dessas perícias, em 29/05/2020 no COMUNICADO DPME Nº 051, obrigando os funcionários licenciados por serem grupo de risco, a deslocarem da Zona Leste, por exemplo, até o Centro de Perícias Médicas da Rua Itapeva, Jardins, assim como outros pontos distantes. O fato a se levantar nesse momento é, por que a grande maioria das licenças médicas, desde as primeiras perícias após o retorno , em 01/06/2020, foram indeferidas de forma burocrática , apenas um carimbo de “negada”, sem nenhuma sensibilidade para com os seres humanos por trás dos requerimentos e , a despeito de quais fossem as enfermidades apresentadas por eles, ou o grupo de risco em que se encontrassem.

Funcionários com alta pressão arterial, diabetes, lúpus, acima da idade de 60 anos, asma e até com enfisema pulmonar, esses que, não conseguem ficar período de doze, oito, sequer seis horas usando máscaras, devido a precariedade da respiração, o que por si só, seria motivo de afastamento, uma vez que contraria o Decreto nº 64.959, de 04/05/2020 que versa sobre a obrigatoriedade do uso de máscaras? Todos esses funcionários com laudos ou atestados de seus médicos, indicando o afastamento devido aos grupos de recomendação, grupos de risco de maior atenção e consequentemente, como prevenção, são impelidos pelo o estado, como gado ao matadouro, visto que a fragilidade de suas condições físicas os expõem a um risco muito maior, qualquer contágio desses, fatalmente ocasionaria uma vulnerabilidade extrema e muito frágil probabilidade de sobrevivência. A interposição de seus recursos, em sua primeira fase, que antes apreciado pela Diretoria do DPME, nessa segunda fase foi empurrada a um “Responsável da Subsecretaria de Gestão”, o que deixa claro que é a Gestão quem administra até a saúde, portanto, o direcionamento da vida desses servidores.

A pergunta que fica é o por quê das negativas? Um departamento de Gestão avalia melhor que o médico do paciente? Poderia se pensar na extrema necessidade do serviço desses profissionais, o que nem mesmo justificaria tal medida, uma vez que, não se troca vida por outra, mas, se esses estão jogados aos cantos dos seus locais de trabalho, qual a razão que o Estado de São Paulo submete-los a tamanho risco? Dessa forma, apelamos a esse tão responsável veículo de luta para que nos ajude a denunciar tamanha irresponsabilidade do Governo do Estado de São Paulo para com aqueles que tão valorosamente prestaram suas forças, suas vidas, suas horas de folga e sua saúde em prol da população, em tempos normais, mas que neste momento, necessitam de intervenção para que suas vidas sejam preservadas.




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