Sociedade

SÃO PAULO

Dória e USP divulgam R$15 mi para muro de vidro e hipocritamente falam em inclusão

Juan Dias

RIO DE JANEIRO

quinta-feira 20 de julho| Edição do dia

Foto: Divulgação/Prefeitura de SP

Reitor Zago e Dória afirmam hipocritamente que nova obra paisagística na cidade de São Paulo com vidro de 2 km entre a raia olímpica da Universidade e Marginal Pinheiros "aproximará população à Universidade", mas escondem que seguem mantendo política elitista de exclusão de trabalhadores da Universidade. Segundo eles, obra será doada por 10 empresas privadas e custará R$15 milhões. Ambientalistas ainda criticam dizendo que aumentará poluição ambiental e sonora.

A raia olímpica é um conjunto esportivo voltado à prática do remo e da canoagem. Projeto impulsionado pela Prefeitura de São Paulo do Dória de mudança do atual muro de concreto da Raia olímpica que funcionou por 21 anos, será substituído por uma contenção de vidro temperado numa extensão de 2,2 km. A obra que está prevista para iniciar em setembro desse ano e tem o objetivo de ser inaugurada na semana do aniversário da cidade de São Paulo entre os dias 20 e 25 de janeiro. Todo o trecho será monitorado por câmeras. De acordo com a Prefeitura, o material é cinco vezes mais resistente que um vidro comum.

A reforma na Zona Oeste da cidade foi anunciada pela Prefeitura de São Paulo nesta quarta-feira (19), tendo um custo de mais de R$15 milhões que segundo afirmou a prefeitura e que será integralmente doado pela iniciativa privada. A logística do projeto prevê fechamento das marginais no período noturno durante a realização das obras que será feita de forma gradual.

Segundo Doria, a USP fez estudos técnicos para averiguar poluição ambiental e sonora no caso de construção de gradis. Foram verificados impactos sonoros. "De fato, houve aumento na incidência de ruído", afirmou o prefeito. Ele disse que o vidro foi uma opção ao gradil, já que manteria o "mesmo efeito integrador" e garantiria o apelo visual da raia olímpica para os condutores da Marginal.

O prefeito afirma que a reforma pretende "integrar a população" à USP. Uma integração que é no máximo uma integração visual com uma universidade que tem se caracterizado historicamente por ser um espaço elitista e excludente que barra os setores populares de crescer com a produção de conhecimento ao interior da universidade e que inclusive tem dentro dela a presencia da reacionária Polícia Militar do estado de São Paulo. A recente aprovação das cotas na USP é muito pouco frente ao que a Universidade poderia oferecer de retorno pra população.

Enquanto a preocupação do Dória é uma reforma estética da Universidade de São Paulo e da cidade que utilizará R$15 milhões da iniciativa privada para uma reforma que não melhorará em nada a qualidade de vida da população paulista, menos ainda abre os muros da Universidade para uma real inserção da população na mesma, a política da Prefeitura de Dória é matar de frio aos moradores de rua da cidade de São Paulo. Uma política consciente e decidida de ataque aos mais afetados pela crise econômica e pela barbárie do capitalismo. Os milhões de reais que a prefeitura investirá nessa reforma de caráter secundário poderia ser utilizada para resolver o problema da população de rua melhorando a situação de vida desse setor da sociedade, assim como com maiores investimentos na saúde e educação públicas.




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