JOÃO DORIA NO GOVERNO DE SP

Doria é Temer na composição do governo: conheça ex-ministros que serão seus secretários

Réu em crimes de corrupção, aliados de Bolsonaro e mentores de ataques brutais à educação pública. Gilberto Kassab, Rossieli Soares e Sérgio Sá Leitão: saiba mais sobre as figuras que irão compor o governo do Estado de São Paulo do tucano João Doria.

terça-feira 6 de novembro| Edição do dia

João Doria, ex-prefeito de São Paulo e eleito este ano como governador do Estado de São Paulo começou a nomear seus ministros e a hipocrisia em seus discursos contra os "corruptos" não poderia ter ficado mais nítido: o secretário da Casa Civil escolhido pelo tucano é o ex-ministro Gilberto Kassab. Além disso, ele também convidou ex-ministros de Temer para compor seu governo como Rossieli Soares da Silva e Sérgio Sá Leitão. Rossieli irá assumir a secretaria da Educação e Sérgio Sá Leitão a secretaria da Cultura.

Depois te ter utilizado a impopularidade de Temer contra seu adversário Márcio França, Doria volta a fazer alianças mostrando que seu objetivo claro de ataque aos trabalhadores, mulheres, negros e LGBTs. Depois de uma gestão pautada em grandes alianças com empresários, como o Corujão da Saúde e o escândalo da compra de medicamentos vencidos; ataques à arte de rua, como ter destruído o maior muro de grafite da América Latina e a tentativa de aprovar uma reforma da previdência ainda mais cruel que a de Temer para os servidores municipais, agora o tucano irá assumir o Estado convidando figuras já conhecidas por seguirem a mesma linha de atuação.

Kassab, ex-prefeito de São Paulo, é réu em investigação de caixa 2, o que Doria declarou "não ser um problema". Kassab é acusado de receber R$21 milhões via caixa 2, durante sua campanha para prefeito em 2008. Doria, assim como fez com Bolsonaro, à quem tentou se colar em sua candidatura para vencer a disputa de governador, aparece sempre contra a corrupção e totalmente favorável à Lava-Jato, mas coloca em seu governo um aliado investigado por desvio de milhões.

A frente da secretaria da Educação está Rossieli, o mentor da Reforma do Ensino Médio e da finalização da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que foi amplamente rechaçada pelos profissionais da educação por ser uma mudança estrutural no ensino médio afim de sucatear o ensino e a escola como um espaço de reflexões e formação de pensamento livre e crítico, para um ensino totalmente técnico voltado para explorar ainda mais a mão de obra dos jovens. Além disso, abre ainda mais espaço para o avanço da privatização na educação.

Saiba Mais: Para onde aponta a Base Nacional Comum Curricular para o Ensino Médio?

Na secretaria da Cultura, Sérgio Sá Leitão, aliado declarado de Jair Bolsonaro, que inclusive atacou o ex-Pink Floyd, Roger Waters, por sua passagem no Brasil que deixou marcado em seus shows um verdadeiro rechaço ao ultra-reacionário Bolsonaro, projetando nos telões até mesmo a #EleNão. "Roger Waters recebeu cerca de R$ 90 milhões para fazer campanha eleitoral disfarçada de show ao longo do 2º turno. Na Folha (o jornal Folha de S.Paulo), chamou Bolsonaro de ’insano’ e ’corrupto’. Sem provas, claro. Disse aos fãs que não voltará ao Brasil caso ele ganhe. Isso sim é caixa 2 e campanha ilegal!", escreveu em seu perfil no Twitter.

Os três secretários já escolhidos por Doria deixa evidente seu projeto de governo reacionário, de continuidade do que iniciou em São Paulo, governando para seus amigos grandes empresários e atacando os direitos básicos da classe trabalhadora e da juventude. A luta contra o governo que Doria e Bolsonaro querem impor deve ser organizada através da construção de comitês de base em cada local de trabalho e estudo, levando a força dos trabalhadores, da juventude, mulheres, negros e LGBTs para as ruas, para derrubar este projeto neo-liberal para fazer com que a classe trabalhadora pague pela crise dos capitalistas.




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