Educação

REABERTURA DAS ESCOLAS EM SP

Doria e Rossieli expõem a vida dos professores, o que faz a APEOESP?

quinta-feira 24 de setembro| Edição do dia

Como se não bastasse o governo de Bolsonaro e os militares que vive uma trégua com Maia, Congresso e STF, para que todos possam garantir ataques contra a classe trabalhadora – os governadores e prefeitos, que no início dessa pandemia faziam bravata contra Bolsonaro, não só reabriram o comércio de forma precoce, flexibilizando o isolamento, como agora querem reabrir as escolas. Aqui no estado de São Paulo, essa medida está sendo encabeçada por Doria e (PSDB) e seu secretário, Rossieli Soares.

Diante do desemprego, redução do auxílio emergencial e o elevado aumento do preço dos alimentos quando a fome já atinge 10% da população, é fundamental que os sindicatos dirigidos principalmente pela CUT/PT e CTB/PCdoB rompam com a paralisia para articular a auto-organização em cada parte do estado, utilizando suas estruturas e aparatos à serviço da luta dos trabalhadores para barrar todos os ataques vindos pelo conjunto de um regime herdeiro do golpe institucional, fazendo com que sejam os capitalistas que paguem pela crise.

A importância dos Conselhos de Escola e qual o papel que a APEOESP deve cumprir junto a estes?

O Conselho de Escola é uma instância com um poder deliberativo que une toda a comunidade escolar, podendo ser um caminho para uma auto-organização. É a partir destes conselhos que a nossa categoria pode barrar um retorno às aulas inseguro - ou seja, sem os insumos necessários para que exista uma maior proteção contra um possível aumento de contaminação - tendo toda a comunidade de um mesmo lado da luta e não abrindo espaço para o governo fazer demagogia com as nossas vidas.

A nossa atuação deve ser a de buscar a garantia da existência destes conselhos nas nossas escolas, enfrentando inclusive as próprias direções que, muitas vezes, são quem manobram e atacam para que estes não sejam usados como método de organização da comunidade escolar.

Um sindicato verdadeiramente dos trabalhadores deveria colocar seu aparato a disposição do que fosse deliberado nos conselhos, buscando criar comissões regionais da comunidade escolar juntamente com os trabalhadores da saúde e uma coordenação estadual desses conselhos que poderia ser muito mais efetiva do que a farsa da comissão criada pela SEDUC, que sabemos ter interesses totalmente diferentes dos nossos como classe.

A direção da APEOESP e a sua trégua com Rossieli


Rossieli Soares e João Doria (Foto: Estadão Conteúdo)

Enquanto que nos conselhos que estão sendo levantados as comunidades escolares estão optando pelo não retorno desta forma que o governo está impondo, consideramos muito grave a direção da APEOESP, juntamente com setores da Oposição, decidirem sentar com o secretário para negociar algo que não foi deliberado pela própria categoria ou pelos conselhos de escolas.

Veja aqui: Frente à reabertura das escolas, por onde anda a Apeoesp?

E agora, com o retorno às aulas sendo imposto por Doria, lança uma cartilha de orientação em como se cuidar na volta às aulas e senta para negociar com o secretário pelo retorno do EJA e CEEJA, sem que isso tenha sido uma demanda colocada pela categoria ou pela comunidade escolar na maioria dos conselhos que estão acontecendo, ou seja, por aqueles que vão ter que assumir a responsabilidade e o risco pelo retorno. Depois de uma reunião bastante antidemocrática, a direção majoritária recuou e emitiu boletim se colocando demagogicamente de que o que defende é pelo não retorno presencial.

Essa direção abriu mão de construir lutas efetivas pelo pagamento do auxílio merenda aos alunos da rede; pelo pagamento de uma jornada básica para os professores categoria O e eventuais; e contra a demissão dos terceirizados que agora se encontram, em sua maioria, desempregados em meio a pandemia.

A direção da APEOESP faz demagogia quando diz que todas as providências foram tomadas. Isso porque acreditamos que as saídas legais são insuficientes e é somente através do método histórico da luta de classe que os trabalhadores puderam de fato garantir até hoje os seus direitos ou exigi-los.

O sindicato pode recorrer à justiça, assim como fez, mas colocar isso como única saída é querer desmoralizar a categoria, já que a atual conjuntura vem aprofundando cada vez mais a precarização em todas as categorias e setores de trabalhadores, tendo todo o regime atacado os direitos dos trabalhadores.

Quais deveriam ser as lutas da APEOESP?

Nós, do Movimento Nossa Classe com nossa posição no sindicato, acreditamos que a luta em meio a essa pandemia deve ser outra da que está sendo dada pela direção da APEOESP. Por isso, aproveitamos e convidamos todas e todos a conhecerem aqui o nosso Plano Emergencial para a educação.

É inconstitucional defender a vida e os direitos dos professores categoria O e eventuais?

Bebel, presidente do sindicato e deputada estadual pelo PT – partido esse que hoje tenta realizar coligações com partidos diretamente burgueses que fizeram parte do golpe institucional em 2016 – sempre combateu a efetivação sem concurso público alegando ser inconstitucional.

Veja aqui: Lutar já pelas vidas dos 35 mil profs de SP sem salário! Efetivação já!

Mesmo com todos os ataques em curso, inclusive do golpe que a classe trabalhadora sofreu depois do golpe institucional que tirou Dilma da presidência, Bebel segue com o mesmo discurso da inconstitucionalidade, não colocando as forças do sindicato na luta ao lado dos professores contratados.

Por qual sindicato devemos lutar?

Diante de uma crise econômica tão profunda, com a impossibilidade imposta pelos governos de não reabertura de concursos, descaso do governo com a vida da juventude e da classe trabalhadora, diante do Teto dos Gastos, que congela durante 20 anos os gastos com saúde e educação, juntamente com Reforma Trabalhista e Reforma da Previdência – tudo para garantir o pagamento de uma dívida pública ilegal, ilegítima e fraudulenta – o que sobra então para os professores?

É do método histórico da luta de classes que a APEOESP precisa se embandeirar. Esse é o debate que se coloca na ordem do dia. Agora, mais do nunca, é preciso defender os empregos e os terceirizados, lutar contra qualquer ataque que venha precarizar ainda mais as condições de trabalho e de vida, defender a vida da classe trabalhadora e seus filhos, atuando pela auto-organização da categoria para lutar por muito mais, por aquilo que lhes pertence por direito por ser essa classe aquela que garante a vida e produz tudo para a sua existência.

É preciso lutarmos por um sindicato verdadeiramente nosso, que nos represente e vá até o final com as deliberações que são definidas e levantadas nas comunidades escolar através dos seus conselhos. É preciso que cada professora e professor lute para que o nosso sindicato volte às nossas mãos, tirando essa encastelada burocracia que usa uma política que não rompe de conjunto com o regime, abrindo espaço para que os ataques sempre passem.

Para isso, nós do Movimento Nossa Classe Educação fazemos um chamado a todas as companheiras e companheiros para que os conselhos sejam reunidos e ativados onde não funcionarem, e que juntos às comunidades escolares possamos barrar estes ataques e decidamos de fato qual o momento e o meio mais seguro para o retorno às aulas e sobre a retomada do ensino aos nossos alunos.

Fazemos esse chamado nos apoiando na força dos trabalhadores dos Correios, que travaram nesse contexto de crise uma dura greve de 35 dias com em defesa de seus direitos e deram um exemplo de que confiando em nossa própria força é possível vencer. Essa importante mobilização da categoria ectista não avançou na totalidade de suas reivindicações também por limites impostos pelas direções da categoria, CUT e CTB, seja para massificar a greve, seja porque defenderam um recuo tático num momento onde o TST pela força da mobilização foi obrigado a rever parte dos ataques da empresa contra os trabalhadores, o que mostra que era possível ir por mais.

Portanto é fundamental tirar lições também da estratégia que defende a APEOESP que é dirigida pela CUT/PT, buscando impedir a mobilização e quando ela se dá impondo limites para que avance, impondo que toda a estrutura do sindicato seja colocado à serviço de nossa organização contra um retorno não seguro e os desmandos de Doria e Rossieli, com os métodos em que decidirmos por nos organizar, sendo um ponto de apoio em nossa mobilização.




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