CORONAVÍRUS

Doria e Covas não garantem nem o básico para o atendimento nos hospitais de São Paulo

Com diversos ataques desferidos por uma burguesia ávida por lucros operando através de governantes neoliberais de todos os tipos, o Sistema Único de Saúde vem sofrendo - assim como a grande maioria dos serviços públicos do país - um desmonte generalizado há vários anos; a ideia dos ataques é sucatear ao máximo os serviços até que seja justificável a privatização do sistema.

sábado 9 de maio| Edição do dia

Com diversos ataques desferidos por uma burguesia ávida por lucros operando através de governantes neoliberais de todos os tipos, o Sistema Único de Saúde vem sofrendo - assim como a grande maioria dos serviços públicos do país - um desmonte generalizado há vários anos; a ideia dos ataques é sucatear ao máximo os serviços até que seja justificável a privatização do sistema. E aí é que entra em cena os grandes “tubarões” da saúde para abocanhar toda a estrutura pública com seus planos privados, aplicando uma lógica totalmente voltada ao mercado e pouco se importando com as vidas dos milhões de brasileiros que não teriam nenhuma condição de bancar sequer uma simples consulta. É transformar a saúde de direito universal a mais uma mercadoria que esteja sujeita às leis do mercado.

Doria e Covas, em São Paulo, são apenas mais duas figuras que, entre tantas outras que por aqui já passaram, servem a essa podre burguesia e dão continuidade ao aniquilamento do serviço público de saúde que, embora precário devido a anos de ataques, ainda é a única saída para milhões de trabalhadores e trabalhadoras e pelo qual devemos batalhar arduamente.

Vale lembrar que foi Doria que implementou em São Paulo o chamado “corujão da saúde” que, com a desculpa de diminuir a fila de espera para realização de exames, foi a jogada para implementar parcerias e repasses milionários para mais de 25 instituições privadas da capital e grande São Paulo. O mesmo Doria que fechou mais de 100 AMAs quando prefeito da capital. Obviamente esse capacho do empresariado não apontará nenhuma saída eficaz para esse momento de pandemia da covid-19 pelo qual passamos; no máximo fará demagogia para se diferenciar da política genocida de Bolsonaro, mas continuará servindo aos interesses da burguesia.

Foi assim no passado e ainda é hoje. Doria e Covas não conseguem garantir condições mínimas de trabalho para os profissionais da saúde dos hospitais de São Paulo; faltam desde leitos de UTI para pacientes até cobertores para aquecer os profissionais de saúde que praticamente moram dentro desses hospitais hoje em dia e que são a linha de frente no combate à doença. É um descaso completo com as vidas da população e com a vida desses profissionais!

No hospital de campanha do Anhembi há relatos de falta de medicamentos e equipamentos básicos como medidores de oxigênio do sangue e medidores de glicose, instrumentos indispensáveis para quem apresenta os sintomas já um pouco mais avançados da doença; quando há necessidade de fazer exames um pouco mais complexos, esses são feitos externamente e demoram a retornar, já consumindo um tempo precioso do tratamento dos pacientes. Os relatos vão além, afirmando que até cobertores são escassos no hospital, tendo que ser compartilhados entre os pacientes e os profissionais da saúde.

Em outros hospitais da capital, como o Hospital Universitário, enfermeiras são obrigadas a usar a mesma máscara por mais de doze horas, mesmo após estarem encharcadas pelo suor ou pela umidade depois de dar banho nos pacientes; as toucas são negadas. A falta de EPIs é generalizada em praticamente todos os hospitais da cidade. O número de profissionais da saúde afastados em todo o estado de São paulo já passa dos 15 mil, com mais de mil mortes. Se esse sistema não consegue dar conta nem de providenciar máscaras, toucas e EPIs adequados para seus profissionais ou equipamentos básicos para monitorar os pacientes, que superemos ele! Coloquemos nas mãos das trabalhadoras e trabalhadores da saúde o controle sobre os hospitais; coloquemos nas mãos do trabalhadores e trabalhadores dos setores têxteis as fábricas para fabricação de máscaras e toucas! Que os trabalhadores tomem as produções de equipamentos hospitalares e produzam sem se voltar para o lucro de poucos, mas sim para as necessidades de todos.

A situação nesses hospitais de campanha tende a piorar quanto mais saturados estiverem os hospitais “referência” do estado e da cidade de São Paulo. O que se avizinha, portanto, é um verdadeiro massacre contra a população mais pobre e trabalhadora, uma vez que a lotação dos hospitais no estado já passa dos 60% e na capital já passa de 90%. No momento em que esses pacientes dos hospitais de campanha, normalmente com casos mais leves da doença, não tiverem mais como ser transferidos para hospitais com uma melhor estrutura, estarão jogados ali à própria sorte, numa estrutura precária e que não garante nem o mínimo para os seus profissionais.

O que o atual momento escancara para uma parcela maior da sociedade é o que milhões de trabalhadores e trabalhadoras mais pobres já sentem na pele há anos; o descaso com a saúde pública - e com os serviços públicos em geral - só beneficiam a burguesia que tenta sacá-los de nós a todo custo e nos fazer pagar e nos endividar por uma simples consulta médica. Transformam o que deveria ser totalmente público, gratuito e de qualidade em uma mercadoria e lucram em cima de nosso sofrimento."




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