Política

DÓRIA HIGIENISTA

Dória do higienismo repressivo quer internar compulsoriamente os moradores da Cracolândia

Amanda Navarro

Biomédica e Bolsista no Hospital Universitário da USP

quarta-feira 24 de maio| Edição do dia

João Dória pede permissão para a Justiça Federal para praticar a internação compulsória de dependentes químicos. Segundo a Lei 10.216/2001, só é permitida a internação compulsória com pedidos individuais. Com este pedido seria possível a internação de um grande grupo de dependente químico de maneira mais simples e rápida para a Prefeitura de São Paulo. O pedido foi oficialmente confirmado hoje, 24, pelos secretários municipais da Saúde de São Paulo.

Caso esta pedido da prefeitura de São Paulo seja recebido e aceito pela Justiça, Dória poderia continuar seu plano de higienização de São Paulo, que teve início no domingo, 21, quando fez uma mega operação policial na Cracolândia, no centro de São Paulo.

Um dos secretários responsáveis por expedir o pedido, Anderson Pomini, alega que " o pedido não guarda relação com a autorização genérica de internação compulsória. Não se fala em quantidade nem se discrimina pessoas". Entretanto, é conhecida a história de ataques por parte dos governos estaduais e municipais, na tentativa de apagar a cracolândia da cidade. "A ideia é que a Prefeitura fique autorizada a buscar essas pessoas, a interpelar essas pessoas através da formação de uma equipe multidisciplinar, para que sejam entrevistadas pelos especialistas da saúde e, quando preenchidos os requisitos, se estiverem presentes, o médico informar se pessoa deverá ou não sofrer internação compulsória", afirma Pomini. Com essa permissão, seria possível Dória prosseguir com seus ataques higienistas contra a população marginalizada de São Paulo, uma vez que as equipes multidisciplinares não seriam responsáveis por qualquer triagem com o indivíduo, agindo pura e simplesmente para pegá-los e trancafiá-los nas clínicas.

Nesta quarta-feira, 24, Dória e Alckmin se encontraram para cumprir uma tarefa política na Luz. Manifestantes presentes no local rechaçaram ambos chamando-os de higienistas e facistas. Alckmin falou publicamente sobre os planos de realizar uma parceria público privada para a construção de 440 apartamentos no Luz, o que expressa de claramente as intenções do governo estadual e municipal para as pessoas em situação de rua daquela região.

A cracolândia existe desde os anos 90 e é uma ferida aberta em São Paulo que denuncia de forma escancarada os problemas de habitação, saúde e trabalho digno que a cidade enfrenta. Dória, junto com Alckmin, querem apenas massacrar essa população pobre, através de ataques brutais pelas forças policiais, demolindo as habitações ocupadas, e pela via da saúde, internando-os em clínicas, sem considerar que a reabilitação do usuário de drogas não é apenas jogá-los em um hospital. Além disso, a limpeza social no bairro da Luz é apenas para entregar a região para a livre exploração imobiliária por parte dos grandes empresários.




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