Política

#28A

Doria, do alto de seus milhões de exploração do trabalho alheio, volta a criticar grevistas

Em entrevista à Rádio Jovem Pan na manhã desse dia 28, o prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), voltou a falar mal dos trabalhadores que protagonizam esse dia histórico de luta, chamando-os de "preguiçosos".

Fernando Pardal

@fepardal

sexta-feira 28 de abril de 2017| Edição do dia

“Eu acordo cedo e trabalho. Eu não sou grevista que dorme, é preguiçoso e acorda tarde. Eu não sou Jaiminho, não”. Assim, o milionário prefeito João Doria, que de "trabalhador" não tem nada (ao contrário do que dizia sua propaganda eleitoral), se referiu aos milhares de trabalhadores que estão protagonizando hoje um dia histórico de luta contra o governo Temer e seus ataques a nossos direitos.

Hoje, os trabalhadores estão desde as primeiras horas da madrugada em luta, acordando bastante cedo e trabalhando muito contra os ataques de patrões milionários como Doria, e os políticos que os servem.

Segundo Doria afirmou na entrevista, "Neste confronto, só a população que trabalha, que é honesta é quem perde. Quem não é sindicalista, sem querer generalizar. Quem promove a greve são aqueles que fazem política partidária ideológica em função própria".

Mas quem faz política partidária em função própria é o milionário empresário-prefeito, que está privatizando toda a cidade para seus "amigos capitalistas" e que reprime todo aquele que conteste suas medidas higienistas, autoritárias e privatistas.

Seu desprezo pelo direito dos trabalhadores, como o de Temer, é tamanho que ele já prometeu cortar o salário de todos os servidores municipais que aderiram à greve, num flagrante desrespeito ao direito de greve, garantindo até mesmo pela Constituição de 1988.

"Vamos cortar o ponto. Vamos ter condescendência. Hoje não dá para ter rigor com o horário, haverá absoluta tolerância em situações de atraso. Não vamos desconsiderar o direito de receberem seus salários. Agora, quem não vier trabalhar durante o dia inteiro terá seu dia descontado”.

Por isso que, ao lado de Alckmin, Doria colocou toda a brutalidade da polícia militar e Guarda Civil Metropolina para reprimir as manifestações em diversos pontos da cidade. Sem nenhum pudor, disse ao vivo que o Comando das forças repressivas do Estado está reunido em um local secreto para atuar com rapidez contra as manifestações, deixando claro o verdadeiro papel social da polícia cumprindo o papel de algozes de políticos e patrões como eles.

Não bastando seu uso da polícia, Doria ainda mostrou como o judiciário é outra ferramente a serviço dos patrões, dizendo que irá cobrar as multas estabelecidas para os sindicatos por paralisarem as suas categorias. Meio milhão de reais foi a multa estabelecida pelo Tribunal de Justiça de São Paulo para a paralisação no transporte de pneus, ou seja, de ônibus, que não garantissem pelo menos 80% dos ônibus rodando na cidade de São Paulo." Ou seja, um absoluto desrespeito ao direito de greve.

De tipos como Doria, de seu desprezo absolutamente genuíno sobre nossas lutas, não queremos nenhuma "condescendência". Como nas barricadas e piquetes de hoje contra Temer e seus ataques, nos organizaremos para derrotar empresários como Doria, que fazem da sua carreira política mais um instrumento para aprofundar a exploração dos trabalhadores em benefício de seus lucros.

Cinicamente, Doria criticou os dirigentes sindicais que se tornaram burocratas e enriqueceram, comprando "automóveis de luxo, casas de luxo às custas do trabalhador". Sim, há burocratas nos sindicatos que vivem vidas de privilégios e são os mesmos que fazem corpo mole para convocar greves como a de hoje. Mas cabe a nós tomarmos nossos sindicatos para nossa luta, e na boca de Doria tal crítica é absurda e ridícula, pois toda sua fortuna, muito maior que de qualquer burocrata sindical, foi construída às custas da exploração do trabalho duro de funcionários de suas empresas. É um parasita, e por isso quer as reformas de Temer, para lucrar ainda mais em cima dos direitos que querem nos roubar.

Avancemos para preparar uma greve geral até a derrubada de Temer e seus ataques, e que coloquem a arrogância de patrões milionários como Doria em seu devido lugar.




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